(per)Seguidores

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Um confisco irrelevante, mas politicamente revelador!

O sistema de pensões português é um dos principais visados nas soluções apontadas pelo FMI para o corte na despesa pública. Mas o retrato dos pensionistas da Segurança Social revela que 88% têm reformas inferiores a 600 euros. Acima dos 5.000 euros mensais, contam-se apenas 965 reformados.
As alterações ao sistema de pensões introduzidas pelo primeiro Governo de José Sócrates são consideradas pelo FMI como importantes para cortar na despesa a médio prazo, mas pouco conseguirão fazer para travar a evolução dos gastos com reformas. Além disso, não acautelam o problema de as gerações que agora estão no ativo se irem defrontar com valores de reforma inferiores aos atualmente pagos. São estas conclusões que justificam os vários cortes e mudanças nas fórmulas de cálculo sugeridas pelo Fundo no relatório que foi conhecido há cerca de duas semanas.
Mas a margem é estreita, pelo menos tendo em conta os dados sobre os pensionistas da Segurança Social - em número muito superior aos da Caixa Geral de Aposentações (CGA). Os dados revelam que muitos recebem valores baixos, próximos do salário mínimo nacional (485 euros). Inversamente, as pensões milionárias são escassas.
O universo total de reformados do Centro Nacional de Pensões ascende a 2.790.000 de pessoas (incluindo aqui 688.000 pensões de sobrevivência). Daquele universo, 88,3% têm  uma reforma inferior a 600 euros por mês e 7,9% um rendimento mensal que oscila entre os 600 e os 1.100 euros. É, no entanto, nestes dois patamares que se concentra a maior fatia dos cerca de 1.000 milhões de euros que o CNP paga todos os meses. O primeiro grupo (até 600 euros) "absorve" 688,8 milhões de euros, enquanto o segundo recebe 163,2 milhões de euros.
Segundo os dados facultados pelo Ministério da Solidariedade e Segurança Social, o grupo das pensões "milionárias", ou seja, acima dos 5.000 euros mensais, é composto por apenas 965 pessoas. Tendo em conta o valor mensal processado pelo Centro Nacional de Pensões para pagar este milhar de reformas,  cada um destes pensionistas recebe em média 6.424 euros.
Os reformados que estão no patamar inferior (ou seja que recebem menos de 5.000 euros, mas mais de 4.800 euros) são ainda mais escassos, estando neste grupo apenas 350 pessoas.
Apesar de entre os reformados da Função Pública os valores das pensões serem mais elevados - porque refletem carreiras contributivas mais longas e completas e englobam profissionais mais especializados -, há ainda assim um vasto universo de pessoas que também ganha menos de 600 euros por mês. Em média, segundo permitem concluir os dados disponíveis, cerca de 1/3 dos reformados da CGA (453.129 é o universo) está nesse patamar de rendimento.
No seu relatório - que servirá de base ao corte de despesa de 4.000 milhões de euros que o Governo pretende concretizar -, o FMI sugere vários cenários para baixar o peso dos gastos com as pensões, admitindo somente exceções no caso das pensões mínimas cujo valor oscila  entre os 256 e os 404 euros mensais.
E enquanto o Tribunal Constitucional analisa a inconstitucionalidade dos roubos aos pensionistas e reformados, vai-se falando sobre o assunto, para “informar” os juízes do TC, para não serem levados na conversa (espera-se), alimentando-se o tema, a ver se pega…
Pelo que se anuncia, a maioria dos pensionistas a quem se quer confiscar “algum” para pagar as fraudes e dívidas dos privados e sobretudo dos bancos, estão perto do limiar da pobreza e são a grande maioria, o que quer dizer que o arrecadável não chega para tapar um buraquinho dos buracões feitos pelos milionários e que a escolha dos imolados só pode ter tido por base um critério político/ideológico e balizado pela situação de fragilidade social, de todo condenável.
Não deixa de ser ridículo o conceito de “milionário” colado aos 965 pensionistas que recebem mais de 5.000 euros/mês, que só faz sentido se se converter o montante em escudos, porque dá 1.000 contos. Bom tempo, em que quem tinha mil contos era, mesmo, milionário… Há que teeeeempos! E mesmo estes confiscos somados, dão quanto? E não descontaram todo o tempo sobre esse valor?
E como se classificarão os governantes, assessores, deputados, administradores públicos e privados, autarcas e os funcionários da troika? Superbilionários? E não podiam dar uma ajudinha baixando os seus salários, subsídios e honorários?
Nota-se uma falha nos números dos que ganham entre 1.100 e os 4.800 euros, mas como as “contas” vem do governo, justifica-se, no entanto, se se tiver em conta as percentagens, poucos sobram, o que quer dizer que os pensionistas e reformados não são o tesouro de Ali Babá…
E volta-se a falar (é conveniente manipular) das diferenças entre os valores dos reformados da Função Pública (mais elevados?) e os valores das pensões, simplesmente porque os Funcionários Públicos pagam durante mais tempo e mais, mas sobretudo porque uma grande parte dos FP engloba profissionais com mais habilitações e mais especializados. Nem o Partido Comunista defende esta “lógica” neoliberal, quando defende apenas “salário igual a trabalho igual”, sem querer comparar o ordenado de um professor ou de um médico (por exemplo) ao de um trolha sem qualificações…
E apesar de estas contas de mau merceeiro, como o povo não é tão burro como eles (pensam), toca a pedir a reforma, mesmo antecipada, mesmo perdendo dinheiro, o que aumentará os encargos do Estado, embora quem o corporiza, o governo, esteja filado (logo que se reformem) a sacar-lhes todas as migalhas que consiga (dentro da lei?), mesmo que fiquem só migalhas para os reformados comerem…
E venha o Plano B, sem ilegalidades, com justiça, priorizando o pagamento por quem nos roubou!
Só com os fracos não pagaremos a dívida que os fortes deixaram para a História…
Com o aumento da idade da reforma, os pedidos de aposentação na função pública dispararam no final do ano passado, avança o secretário de Estado da Administração Pública. Só em Dezembro, havia 34.000 pedidos a aguardar aprovação na Caixa Geral de Aposentações (CGA). 
Em 2012 foram aprovadas pela CGA 20.000 reformas, às que se somam agora os 34 mil pedidos pendentes desde o final do ano passado. Destes, 25.000 dizem respeito a reformas antecipadas a aguardar conclusão do processo, e 7.000 requerimentos de pensão de invalidez. Com as novas regras, por cada ano de antecipação, o valor da reforma sofre um corte de 6%.
O elevado número de pedidos justifica-se com a mudança das regras, que estabelecem a idade da reforma nos 65 anos. Para quem requereu a reforma até ao final de 2012, ficou abrangido pelas regras antigas, o que justifica o  número de processos pendentes. Com a avalanche de pedidos, o tempo médio de espera entre o pedido e a aprovação pode aumentar. Segundo dados oficias, em 2011 era de 7 meses.

Ecos da blogosfera – 28 jan.

Pagar impostos para a pobreza sustentar a “nobreza”?

Vários são os desígnios velados que a Oligarquia Financeira Internacional procura atingir com a Crise que deliberadamente criou. No seu determinismo de desregulação e de conquista das Economias Nacionais, conta com bancos, agências de notação financeira, o FMI, o Banco Mundial, o BCE, a OMC, etc., etc., e com um exército de testa-de-ferro instalados nas empresas do Estado e nos Governos, onde operam como "Facilities Manager" de negócios para essa Elite conspirativa.
Vejam-se os casos mais sonantes de António Borges e de Carlos Moedas, o primeiro consultor do Governo para as Privatizações e o segundo, membro atual do mesmo Governo, ambos com passagem pelas fileiras do Goldman Sachs, um dos bancos que teve mais responsabilidade na origem da Crise e na maquiagem financeira do défice público grego. Conta também com uma poderosa máquina de propaganda ideológica que procura convencer o cidadão comum da inevitabilidade de ser o próprio a pagar o prejuízo, apropriando-se assim do produto do seu Trabalho, "custe o que custar"...
O maior propósito da Elite Global é de facto apropriar-se de ativos e de sectores até agora tutelados pelo Estado, sendo o da Previdência Social, talvez o mais cobiçado. Do ponto de vista económico pode proporcionar grandes lucros e do político, permitir uma maior dependência dos povos relativamente ao seu Poder Globalizante Totalitário.     
A receita não é nova. Tem vindo a ser aplicada desde os anos 80 do Século XX aos países que caem na armadilha da "ajuda financeira" do FMI e do Banco Mundial, inclusive a pretexto do combate à pobreza. No livro "A Globalização da Pobreza e a Nova Ordem Mundial", do Professor de Economia Canadiano Michel Chossudovsky, no capítulo "A 'redução da pobreza' e a 'rede de segurança social'", podemos ler o seguinte: "A partir dos finais dos anos 80, a 'redução da pobreza' tornou-se uma das 'condicionalidades' dos acordos de empréstimos do Banco Mundial. A 'redução da pobreza’ apoia o objetivo do serviço da dívida: 'a redução sustentável da pobreza' sob o controlo das instituições de Bretton Woods assenta em cortes no sector social e no reencaminhamento das despesas públicas, numa base seletiva e simbólica, 'a favor dos pobres'. O objetivo do 'Fundo de Emergência Social' (FES) (Social Emergency Fund - SEF) (estabelecido no modelo Bolívia-Gana) consiste em proporcionar um 'mecanismo flexível' para 'gerir a pobreza', enquanto simultaneamente desmantela as finanças públicas do Estado. Neste quadro, os pobres são definidos como 'grupos alvo'”.
Mais adiante, Chossudovsky esclarece que no futuro o Estado Social mínimo para os pobres, que já é presente em muitos lados, estará a cargo de ONGs filantrópicas que viverão de doações e da subsidiação mitigada do Estado, sendo esta solução muito mais vantajosa para a Elite Global.
Segundo Santiago Camacho, jornalista e escritor espanhol, afirma a dado passo do seu livro "A Troica e os 40 ladrões", que o Estado Social na Europa, sob a tutela do Estado, também é para acabar. E é, porque à Oligarquia Financeira Internacional, depois da derrocada da União Soviética e da penetração económica da China Comunista no Ocidente, já não interessa, do ponto de vista estratégico, manter esse Estado Social, que era aceite para demonstrar ao cidadão ocidental das vantagens do Capitalismo face ao Comunismo da Cortina de Ferro. Para a Elite Global chegou a hora de se ressarcir das perdas que teve durante a "Guerra Fria".
Com efeito, o que se pretende, independentemente do lado político estratégico da questão social, é afastar o Estado, qualquer Estado, das suas obrigações sociais e outras, gerando para os privados novas oportunidades de negócio que o Sector Social pode gerar, nomeadamente no Ensino, na Saúde e nos Fundos de Pensões. Mas atenção, continuando os dinheiros públicos, gerados por impostos sobre o Trabalho, a fluir, mas para os bolsos dos "investidores privados de elevada nobreza". Quer-se por exemplo um "negócio" livre de riscos como o que o Presidente Obama arranjou para as seguradoras norte-americanas... Cerca de 45.000.000 de pobres têm agora direito à "saúde pública" através de uma apólice cujo prémio é pago pelo Governo Federal. Ficamos na dúvida se de facto se trata de uma "bondade" para os pobres ou se para as Seguradoras... E falar de Seguradoras é como falar de bancos, já que muitos destes têm nos seguros uma preciosa fonte de lucro, a par da atividade financeira especulativa. Dá vontade de gritar como D. Álvaro Vaz de Almeida: "É fartar... fartar... vilanagem"!
Artur Rosa Teixeira

Europa dos cidadãos? Não! Um mercado de batatas…

De alguma forma, é a história da construção europeia que acabamos de ver condensada em dois dias. A 22 de janeiro celebraram-se os 50 anos da assinatura do Tratado do Eliseu entre a França e a Alemanha. No dia seguinte, David Cameron pronunciou o seu discurso sobre as relações entre o Reino Unido e a UE.
Seria tentador opor o bom par franco-alemão, garante do espírito europeu (e como tal apresentado durante a cerimónia de entrega do prémio Nobel da Paz) ao mau parceiro britânico, unicamente interessado nas vantagens do grande mercado único europeu. Mas isso seria erróneo. Porque os dois acontecimentos a que acabamos de assistir condensam, igualmente, os desafios futuros da UE, perante uma realidade mais subtil do que parece.
Fustigadas pela crise do euro, pelo crescente fosso económico entre os dois países e pelas diferenças pessoais e políticas entre os seus líderes, a Alemanha e a França festejaram o meio século do seu entendimento sem traçarem uma perspetiva clara. Angela Merkel e François Hollande quiseram dar provas da sua boa vontade comum, que continua a ser essencial para a Europa, mas não parecem em posição de, sozinhos, apresentarem um novo projeto.
Em Londres, o primeiro-ministro britânico exigiu um “novo acordo” com a UE e anunciou um referendo sobre a permanência do seu país na UE depois de negociações. Ao pôr num dos pratos da balança a possibilidade de uma saída da UE, David Cameron faz chantagem com os seus parceiros europeus, mas coloca-se igualmente contra a parede. Arrasta a UE para uma crise existencial mas oferece-lhe a oportunidade de afirmar verdadeiramente o que quer. Que a redefinição do projeto europeu venha de um britânico, só aparentemente é paradoxal porque, muitas vezes, só quem está de fora pode fazer cair os tabus.
É certo que o primeiro-ministro britânico só encara essa negociação após 2015, se for reeleito. É, por isso, possível que nunca chegue a acontecer. Mas a pressão dos eurocéticos não desaparecerá em 2015 e ninguém sabe se um Partido Trabalhista de regresso ao poder se mostrará mais conciliante. Ganhar tempo na esperança de escapar às questões levantadas por David Cameron seria um mau cálculo.
A crise da zona euro levantou a seguinte problemática: para salvar a moeda única e preservar a economia europeia, a UE deverá avançar na integração política, mas isso só diz respeito a 17 dos seus 27 membros, os que pertencem à zona euro. De certa maneira, o (míni) salto federal consagra uma Europa a várias velocidades. Uma contradição que ninguém explica como poderá ser ultrapassada.
David Cameron propõe “uma estrutura que possa acomodar a diversidade dos seus membros […], alguns dos quais procuram uma integração económica e política mais estreita”. Federação ou Europa à la carte? A escolha existe há mais de 20 anos. Está na altura de decidir.
Se a dupla franco-alemã quiser encontrar um sentido e um papel na política europeia, vai ter de aceitar o desafio de Cameron. Mas não pode nem deve fazê-lo sozinha. Indispensável, o eixo Paris-Berlim já não é suficiente. Deverá associar outros Estados-membros como a Itália, a Espanha e a Polónia, e alargar tanto quanto possível esse círculo. Deverá transcender as diferenças entre membros fundadores e membros mais recentes, entre países da zona euro e países fora da zona euro, entre Leste e Oeste e Norte e Sul.
Mesmo que o referendo britânico nunca chegue a realizar-se, a questão da pertença do Reino unido está agora claramente posta. Agir como se ela não estivesse no centro da mesa do Conselho Europeu seria mortal. Os britânicos, que insistem em que o Mercado Único esteja “no cerne” da sua relação com a UE, deverão dizer se estão verdadeiramente prontos para saírem, com os inconvenientes apontados pelo seu próprio primeiro-ministro no seu discurso. Por seu lado, os seus parceiros deverão também dizer claramente até que ponto querem manter os britânicos entre eles ou como veem a Europa-potência sem eles.
Organização política, sentido histórico, ação económica: as mudanças induzidas pelo desafio britânico são as mesmas sobre as quais a crise atual já nos obrigava a refletir. Acrescenta-se, agora, a questão da possibilidade de saída de um Estado-membro. Comemorar o passado em Oslo ou em Berlim não serve de nada se não as enfrentarmos.

Contramaré… 28 jan.

Milhares de pessoas manifestaram-se em Washington, apoiadas pelo ministro da Educação e por deputados, a favor de um endurecimento das leis sobre porte de armas, 6 semanas após a matança numa escola da cidade de Newtown. Os manifestantes, que se concentraram nas proximidades do Capitólio e da Casa Branca, pediram ao Congresso e ao governo de Barack Obama que atuem "desde já para controlar o porte de armas e travar a Associação Nacional do Rifle (NRA, sigla em inglês)”, poderoso lobby armamentista.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Finalmente a massa cinzenta rebela-se contra a massa!

Um grupo de filósofos e de escritores, preocupado com os sinais de desagregação que ecoam na Europa, decidiram juntar-se para alertar os responsáveis políticos europeus para o perigo do desaparecimento da Europa sonhada no pós II Guerra Mundial.
Nomes sonantes da literatura e da filosofia, entre os quais se salientam Vassilis Alexakis, Hans Christoph Buch, Juan Luis Cebrián, Umberto Eco, György Konrád, Julia Kristeva, Bernard-Henri Levy, Claudio Magris, Salman Rushdie, Fernando Savater, Peter Schneider e o português António Lobo Antunes, juntaram-se para alertar que a Europa ou se une politicamente ou corre o risco de morrer.
Do pensamento destes intelectuais saiu um manifesto que será tornado público na próxima segunda-feira.
Começam o seu manifesto por considerar que a “Europa acorda com o espírito elogiado por Edmund Husserl nas grandes conferências de Viena e Berlim, em vésperas da catástrofe nazi”.
“A Europa como vontade e representação, como sonho e como construção, esta Europa posta em pé pelos nossos pais, esta Europa que soube transformar-se numa ideia nova, que foi capaz de trazer aos povos que acabavam de sair da II Guerra Mundial uma paz, uma prosperidade e uma difusão da democracia sem precedentes, mas que, perante os nossos olhos está a desfazer-se uma vez mais”, dizem os autores.
O texto continua explicando que “se desfaz na Grécia, uma das suas cunhas, pela indiferença e pelo cinismo das nações irmãs; Houve tempos, o do movimento filo helénico dos princípios do século XIX, no tempo desde Chateaubriand até Biron de Missolonghi, Desde Berlioz até Delacroix, desde Pushkin até ao jovem Vitor Hugo, todos os artistas, poetas, grandes mentes da Europa, coaram em seu auxílio e militaram a favor da sua liberdade. Hoje estamos longe disso. E a impressão que os herdeiros daqueles grandes europeus, nomeadamente os helenos levam a cabo uma nova batalha contra outra forma de decadência e sujeição, não tendo melhor a fazer do que repreende-los, estigmatizá-los, depreciá-los e, - com o plano de rigor imposto como programa de austeridade, de que se acusa a seguir – despojá-los do princípio da soberania que, há tanto tempo, eles próprios inventaram”.
Os autores continuam o seu inventário afirmando que “desfaz-se em Roma, a sua outra cunha, o seu outro pedestal, a segunda matriz (a terceira é o espírito de Jerusalém) da sua moral e do seu saber, o outro lugar em que se inventou esta distinção entre a lei e o direito, entre o ser humano e o cidadão, que constitui a origem do modelo democrático que tanto se desenvolveu, no solo da Europa, um sinal ao mundo”.
“Essa fonte romana contaminada pelos venenos de um berlusconismo que ainda não desapareceu, essa capital espiritual e cultural, junto com Espanha e Portugal, Grécia e Irlanda, nos famosos “PIIGS” fustigadas por instituições financeiras sem consciência nem memória, esse país que ensinou a embelezar todo o mundo na Europa, e que agora parece, com razão ou sem ela, a doente do continente. Que miséria! Que ridículo!”, bramam em uníssono.
“Desfaz-se em todas as partes, de este a oeste, de norte a sul, com a ascensão dos populismos, dos chauvinismos, das ideologias de exclusão, e ódio que a Europa tinha precisamente como missão marginalizar e debilitar, e que regressam vergonhosamente a levantar a cabeça”, continuam.
“Que longe está a época em que nas ruas de França, em solidariedade com um estudante insultado por um responsável de um partido de memória tão escassa como as suas ideias, cantavam “todos somos judeus alemães.”” lamentam os intelectuais que apuseram o seu nome no final deste texto.
“Que longínquos parecem hoje os movimentos solidários, em Londres, Berlim, Roma, Paris, com os dissidentes daquela outra Europa que Milan Kundera apelidava de Europa cativa e que parecia o coração do continente! E enquanto na Internacional de espíritos livres lutavam, há já 20 anos, por essa alma europeia, que encarnava Sarajevo, debaixo das bombas e presa de uma desapiedada “limpeza étnica”. Onde está? Porque é que já não se ouve?” perguntam.
“Além do mais, Europa vem abaixo por culpa desta interminável crise do ouro, que todos sentimos que não está de todo resolvida. Não é uma quimera essa moeda única abstrata, flutuante, que não está unida às economias, aos recursos e às fiscalidades convergentes? Não é evidente que as únicas moedas comuns que funcionaram (o marco depois de Zollverein, a lira da unidade italiana, o franco suíço e o dólar) são as que se apoiam num projeto político comum? Não existe uma lei de cão que diz que, para que haja uma moeda única, tem de haver um mínimo de pressupostos, regras de contabilidade, princípios de inversão, quer dizer políticas partilhadas?”
“O teorema é implacável” acrescentando “Sem federação não há moeda que se sustenha” e “sem unidade política, a moeda dura uns quantos decénios e depois, aproveitando uma guerra ou uma crise, dissolve-se” vaticinam.
“Por outras palavras, sem um sério avanço na integração política, obrigatória de acordo com os tratados europeus, mas que nenhum responsável parece querer tomar a sério, sem um abandono de competências por parte dos estados nacionais, sem uma franca derrota portanto, desses soberanistas, que empurram os seus cidadãos para o abismo, o euro se desintegrará como se teria desintegrado o dólar se os sulistas tivessem ganho há 150 anos a guerra da Secessão”, esclarecem.
“Antes dizia-se socialismo ou barbárie”, “hoje deve-se dizer, união política ou barbárie” avisam explicitando ainda melhor o seu pensamento, “melhor dito, federalismo ou explosão e com a loucura da explosão, regressão social, precariedade, desemprego sem controlo, miséria”, e reforçando a ideia, escrevem “melhor dito ainda: A Europa dá um passo mais e decisivo pela integração política, ou sai da história e some-se no caos”. Os subscritores não têm a menor dúvida em afirmar que “já não existe outra opção: ou a união política ou a morte”.
Os autores do manifesto não têm quaisquer dúvidas e no final do seu manifesto que amanhã será conhecido deixam claramente um aviso aos europeus. Poderá demorar mais ou menos tempo, mas conforme dizem rematando o seu texto “chegará. A Europa sairá da História. De uma ou de outra forma, se não fizer nada desaparecerá. Esta deixou de ser uma hipótese, um vago temor, uma ameaça que se brande face aos europeus recalcitrantes. É uma certeza, Um horizonte insuperável e fatal. Tudo o demais – truques de magia de uns, pequenos acordos de outros, fundos de solidariedade por aqui, bancos de estabilização por ali – só serve para atrasar e no fim entreter o moribundo com a ilusão da prorrogação”.
Muito se queixou Pierre Bourdieu do silêncio conivente (“quem cala consente”) dos intelectuais e sobretudo dos académicos do seu país (França) e europeus (exceção para Jürgen Habermas), que perante as alterações políticas, económicas e sociais, não intervinham na desconstrução dos conceitos, nem tomavam posição (científica) sobre as alterações que já vinham sendo tentadas (até 2002, ano da sua morte) pelos governantes europeus.
Mais de 11 anos depois, parece que a consciência social de alguns intelectuais e académicos despertou, para abanarem a POLÍTICA, o PODER e o PODERIO dominantes, assim como para abrir a porta a muitos mais, de modo a que a Lógica volte aos parâmetros científicos e as Ciências Sociais analisem, a anteriori, as consequências de medidas irracionais, ilógicas e manipuladoras, sem qualquer base consistente.
Esperamos que este MANIFESTO seja a crista de uma onda arrasadora da ignorância reinante na área dos profissionais da política, sem formação bastante e usando prepotentemente o poder que lhes delegamos…
Esperamos!

Ecos da blogosfera – 27 jan.

O ser humano é rude, medroso, infantil e egoísta…

Muitas são as queixas sobre a convivência social. Elas vão da superficialidade do maquinal cumprimento “tudo bem?” quotidiano ao brutal e, por vezes, frio assassinato, que encobre a realidade da ignorância e do entorpecimento psicológico advindo das drogas. Tais críticas podem surgir através de conversas ou do desabafo publicado nos media, por exemplo. A necessidade de se expressar faz a ocasião. Percebe-se, em alguns casos, boa articulação de ideias e excelente redação para descrever o que se sente acerca do obscuro e eventual prognóstico. Tratar do assunto tornou-se item de primeira necessidade, tendo em vista o dizer respeito à qualidade de vida que se pretende desenvolver e, no caso extremo, da própria sobrevivência, pois não há garantia de salvaguarda para ninguém. No caldeirão das discussões, entre outros pontos, pode-se juntar a enraizada pobreza; a deficiente educação; a ausência do pensamento crítico; a acomodação e o péssimo exemplo dado por certas autoridades.
No entanto, há um fator determinante que não é considerado na análise: as informações genéticas, relacionadas com a aptidão para a sobrevivência do ser humano. Sabe-se hoje que o homem obedece, ainda que inconscientemente, aos mandos do ADN, que sempre lhe assegurou aperfeiçoamento e continuidade através da descendência, e, para tanto, independentemente das questões morais ou religiosas, truques e trapaças, são usados no jogo da vida. É claro que existem aqueles que já atingiram um melhor grau de consciência e possuem a sua bússola moral própria a despeito de qualquer lei existente (falta-lhes muito ainda, vale destacar.) Boa parte das pessoas, contudo, não vê com a mínima clareza tal situação, e torna-se refém dela. Pior: quase todos negam, de boa-fé, porém autoenganadamente, encontrar-se sob os efeitos de tal cegueira. Mais: alegam serem bons e caridosos, sem falar no sofrimento pelo qual passam em virtude da maldade alheia. Não é assim? Infelizmente, enquanto não se abrir os olhos da razão, ainda que cause dor e constrangimentos pessoais, as coisas tendem a permanecer no mesmo lugar.
Logo, por mais que se grite heroicamente aos quatro cantos a dor e o horror percebidos na convivência social, estar-se-á lutando sem as devidas armas pela baixa potência dos argumentos escolhidos. Pouco se avançará sem se levar em conta o facto essencial: o ser humano é substancialmente rude (bastaria observar as relações familiares), medroso e infantil (fará qualquer coisa para se safar do mal-estar, inclusive mentir) e egoísta (até quando se mostra altruísta, pois o que mais pesa é o reconhecimento próprio).
É, pois, pela autoavaliação e aceitação legítima, em si mesmo, do considerável atraso existente, que se alcança a necessária consciência há tempo sufocada pelo autoengano, e, da aflição que se segue, é que se pode agir oportunamente, decidindo-se por qualquer mudança cuja transformação pode levar a novas compreensões e atitudes que observem a evolução e o bem-estar próprio e comunitário.
Armando Correa de Siqueira Neto, Psicólogo, professor e mestre em Liderança pela Unisa Business School. Coautor dos livros Gigantes da Motivação, Gigantes da Liderança e Educação 2006.

Falhar a “supervisão” é passaporte para o BCE…

Fundado em 1472, o banco Monte dei Paschi contribuiu para elevar Siena à vanguarda em termos de qualidade de vida e governação. Mas o escândalo político e económico que eclodiu em torno do “MPS” pode marcar o fim de um sistema e de uma época.
“Siena está rubra, mas de vergonha”: comenta um observador atento dos assuntos de Siena, durante uma pausa para café, sobre as mais recentes revelações sobre as enormes perdas do banco. Há que dizer que há quase 700 anos que os habitantes de Siena têm diante dos olhos a melhor representação do estado
de espírito da sua cidade. A Alegoria dos Efeitos da Boa e Má Governação, o conjunto de frescos de Ambrogio Lorenzetti [que adorna o Palazzo Pubblico, hoje sede da Câmara Municipal], mostra a cidade em ruínas e os campos abandonados, quando deixados nas mãos da “má governação”.
Roberto Barzanti, figura respeitada da esquerda local, grande presidente da Câmara do Partido Comunista (PCI) na altura em que o Monte dei Paschi comemorou o 500.º aniversário da sua fundação, atribui os males de hoje ao “espírito supersticioso de Siena”, responsável pelo abraço ininterrupto entre responsáveis do banco e da vida política local.
“A transformação, em 1995, da antiga instituição de direito público numa sociedade por ações teve aqui repercussões mais perturbadoras do que em qualquer outro lugar”, afirma o ex-deputado europeu. “Os habitantes de Siena tiveram muita dificuldade em compreender a diferença entre as atividades filantrópicas do 'Monte' e as do banco propriamente dito, que deveriam concretizar-se, as primeiras como fundação e as outras como banco cotado na Bolsa. Quando esse passo foi finalmente dado, as coisas realmente mudaram, mas foi feito de tudo para que realmente nada mudasse.”
Vaca leiteira
Daí nasceu aquele “emaranhado harmonioso”, que mantinha a velha Democracia Cristã e o antigo Partido Comunista, a Igreja e a Maçonaria, sindicalistas e banqueiros. As nomeações para o banco eram decididas em reuniões dos partidos, as do município no banco – nos últimos 25 anos, todos os presidentes de Câmara de Siena começaram as suas carreiras no Monte dei Paschi, à exceção do último, Franco Ceccuzzi, que permaneceu no cargo pouco mais de um ano e foi também ele oprimido pela crise do “Monte”. O “Pai Monte”, como é chamado. Ou a “vaca leiteira”, segundo as más-línguas, no sentido de que todos os que por lá passaram não se coibiram de a ordenhar.
E pode-se dizer que havia leite em abundância, e para todos: de 1995 a 2010, a Fundação distribuiu, só por si, “no território” quase 2 mil milhões de euros. Estradas, recuperação de património, clubes desportivos e associações de voluntários, seguindo uma distribuição rígida que fez com que ninguém, independentemente da sua cor política, se pudesse queixar com razão.
Sistema feito em pedaços
Há 1 ano, o jogo acabou, quando a Fundação descobriu que estava à beira do abismo. A partir daí, tudo se precipitou. O Partido Democrata [herdeiro do PCI] local perdeu força quando uma parte (a do partido da Margarida) se recusou a dar um voto de confiança ao presidente da Câmara, Franco Ceccuzzi, aquando da apresentação do orçamento, por discordar da distribuição dos subsídios atribuídos pela Fundação.
Enquanto o mundo político local se vê dilacerado perante os destroços do “sistema de Siena”, hoje feito em pedaços, a sociedade civil vê incerto o seu futuro. A austeridade imposta pelas contas no vermelho levou, nos últimos dias, a cortes drásticos em financiamentos e patrocínios. O primeiro a sofrer cortes foi o clube de futebol, o Siena Calcio, cujos subsídios foram brutalmente reduzidos, segundo consta, de 4 para 2 milhões de euros, e a equipa de basquete, o Mens Sana, a grande paixão desportiva dos cidadãos de Siena, que viu os patrocínios baixarem de 12 para 4 milhões de euros. Mas não ficou por aqui. Os subsídios do famoso palio [o hipódromo de Siena] também sofreram um corte de 250.000 euros, ou seja, 15.000 a menos por cada contrada [bairro] participante. Parece pouco, mas tem grande valor simbólico.
“Paradoxalmente, o fim dos apoios financeiros pode ter pelo menos um aspeto positivo. Nesta altura já todos compreenderam que uma determinada época acabou, para sempre”, escreve no seu blogue o “Herético de Siena”, um comentador precioso sobre diversos acontecimentos da vida de Siena.
O atual presidente do BCE, Mario Draghi, viu-se envolvido numa polémica em Itália, devido à revelação de mais de 700 milhões de euros em perdas ocultadas no Banco Monte dei Paschi.
Hoje, os acionistas do banco de Siena, fundado em 1472, aprovaram um aumento de capital no total de 6.500 milhões de euros, necessário para receber um 2.º resgate do governo italiano, uma semana depois de ter sido revelado pela Bloomberg que foram utilizados produtos derivados com o Deutsche Bank para mascarar perdas em 2008.
O presidente do BCE era, na altura, governador do Banco de Itália, responsável pela supervisão do setor financeiro, o que tem levado a que figuras como o atual ministro da Economia, Vittorio Grilli, tenham sugerido que houve uma falha de regulação.
Por seu lado, o atual governador do Banco de Itália, Ignazio Visco, veio responder, que o papel do banco central não é “policiar”, mas sim “supervisionar”.
O antigo ministro das Finanças Giulio Tremonti disse também, que compete ao Banco de Itália informar o Ministério Público e não o contrário: “Penso que era tudo muito bem conhecido nalguns círculos”.
Os acionistas do Banco Monte dei Paschi di Siena (BMPS) foram hoje recebidos com gritos de "vergonha", junto à sede da instituição em Siena, onde se reuniram para analisar as respostas ao escândalo financeiro.
Mas onde é que já ouvimos esta conversa sobre o Banco Central ter como Missão “policiar” ou “supervisionar” os bancos e que era tudo muito bem conhecido nalguns círculos?
Coincidência (ou não) este é o Presidente do BCE e o outro Vice…
E é o BCE que vai supervisionar os 200 maiores bancos da Europa... Ah! Ah! Ah! 
As malhas que o império (das finanças) tece…

Contramaré… 27 jan.

Os deputados do PSD eleitos pelo Alto Minho anunciaram, após reunião com o secretário de Estado dos Transportes, que o Governo não pretende avançar com novas portagens enquanto não houver um "novo modelo" para as antigas SCUT.
Não foi adiantado, contudo, qualquer calendário ou pormenor sobre o novo modelo por parte dos deputados.