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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Alimente-se esta ideia (original)…

O Banco Alimentar Contra a Fome recolheu este fim de semana 2.644 toneladas de alimentos em todo o país, numa ação solidária que angariou mais 13,7% de alimentos do que em 2011.
BANCOS DE ALIMENTOS – (documento da FAO)
Estados Unidos, anos 60: John Van Hengel, retirado em Fénix (Arizona), participa numa recolha de frutas e legumes organizada por uma instituição assistencial.
São muitos os desempregados e as pessoas marginalizadas que devem ser atendidas.
Um dia, a mãe de 9 filhos conta-lhe como ela, tendo o seu marido na cadeia, conseguia dar de comer a toda sua prole recolhendo os alimentos que caiam e ninguém recuperava, durante as descargas efetuadas de madrugada num supermercado vizinho e sugeriu-lhe que passasse a outras mães essa experiência.
Van Hengel fez mais: organizou com voluntários a recolha de alimentos em supermercados. Assim, em 1967, nasceu em Fénix o primeiro Banco de Alimentos, ("St. Mary's Food Bank") com um punhado de voluntários e os 250 m2 de uma velha padaria.
A ideia propagou-se com grande rapidez. Incentivada a iniciativa pelo Governo, estendeu-se em seguida por todo o País. Na atualidade, o movimento estende-se pelos 50 Estados da União e Porto Rico.
As Indústrias agroalimentares e as grandes cadeias de distribuição de alimentos colaboram com os Bancos de Alimentos formando o que chamam "SECOND HARVEST" (Segunda Distribuição), que realizam sistematicamente com os excedentes, sentindo-se felizes por darem esta contribuição e, em alguns casos, ajudando inclusive à formação dos Voluntários para os Bancos.
As suas doações gozam também de vantagens fiscais. SECOND HARVEST, com os seus 350 doadores de importância nacional, e a sua rede de 181 Bancos de Alimentos associados, constitui a maior organização de Caridade dos Estados Unidos, dedicada ao auxílio dos que passam fome.
Segundo dados de 1993 que nos foram facilitados, esta organização fez chegar alimentos (330.000 toneladas) e dinheiro (mais de 478.492.000 de euros) a 181 Bancos de Alimentos associados, (cada Banco tem ainda os seus próprios provedores diretos de alimentos e sócios que fornecem dinheiro).
Atenderam mais de 50.000 Agências de beneficência. Estas Agências auxiliaram a 26.000.000 de pessoas/ano, destas, quase 11.000.000 eram crianças.
A eficiência desta Organização é extraordinária: por cada dólar que recebem, conseguem fazer chegar aos necessitados produtos no valor de 68 dólares, graças aos poucos gastos em que incorrem, 99,7% dos donativos vai diretamente para os necessitados.
Para dar uma ideia da importância que pode ter um só Banco, podemos dizer que um único Banco de Alimentos de Chicago, o "Greater Chicago Food Depository", ocupa uns 10.000 m2 de terreno, distribui por ano 7.000 toneladas de alimentos entre mais de 200 instituições associadas e vale-se da colaboração de mais de 4.000 voluntários.
O QUE SÃO?
Os Bancos de Alimentos são organizações sem fins lucrativos baseados no voluntariado, e cujo objetivo é a consecução e aproveitamento dos alimentos excedentários com a intenção de os fazer chegar aos Centros Assistenciais e, através deles, às pessoas que deles precisam.
Antes de mais, também dei. Mas conhecendo há anos a história e a ideia dos Bancos de Alimentos, faço-o com alguma relutância pelas condições em que se estrutura a instituição no nosso país, que me deixa sempre na dúvida, se estou a ajudar mais os pobres ou os proprietários dos super e hipermercados…
Como se vê neste informativo da FAO, a ideia original era recolher, sistematicamente, nas Indústrias agroalimentares e nas grandes cadeias de distribuição de alimentos os excedentes, e produtos perto do limite do prazo de validade, gozando inclusive de vantagens fiscais por essas doações. Em alguns casos, ajudavam na formação dos Voluntários.
Pelo que sabemos, há em Portugal o mesmo tipo de angariação, sistemático, por associações específicas e com bons resultados. Quanto ao tipo de recolha, que acontece algumas vezes por ano por iniciativa do Banco Alimentar Contra a Fome, porque nada tem a ver com o espírito que esteve na sua génese, contribui para as minhas dúvidas.
E por isso não estou nada de acordo que a recolha seja feita (exclusivamente?) às portas das grandes superfícies, apesar de entender a facilidade logística, mas que acaba por ser um benefício para os seus donos e 2.644 toneladas de alimentos deve dar muito lucro. Seria mais lógico haver lugares específicos para a entrega e os doadores comprariam onde lhes apetecesse, por exemplo nas mercearias de bairro, ajudando o comércio local. Bem sei que já há a possibilidade de contribuições monetárias, mas…
Concluindo e sem por em causa as boas intenções dos dirigentes e voluntários do Banco Alimentar, que apaga os fogos que os governos ateiam e depois fogem, talvez fosse mais profícuo, razoável e justo implementar vantagens fiscais para os doadores, para não estruturarmos a nossa sociedade na caridade e na solidariedade, que não fazendo mal a ninguém, não atiraria para as costas da sociedade civil os estilhaços das medidas antissociais dos governantes…
O voluntariado tem que ser de livre vontade, benéfico para os que precisam e para os que lhe dão corpo…

Reflexão do Relvas… 28 maio

O ministro fica num “estado de grande fragilidade” por causa do caso das alegadas pressões sobre uma jornalista do Público, no âmbito de notícias sobre as secretas em que estava envolvido.
“Como é que o ministro da Comunicação Social pode fazer a privatização da RTP sem suspeição depois destes episódios todos que não são felizes?”.
Marcelo Rebelo de Sousa afirmou no domingo à noite, num comentário feito na TVI, que as expetativas em relação ao ministro "eram mais elevadas do que a realidade veio a ser", e que Miguel Relvas não conseguiu "gerir politicamente o que era preciso gerir".
Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que, qualquer que seja a decisão do governo sobre a manutenção de Miguel Relvas em funções terá um custo elevado para o executivo. 
Marinho Pinto diz que será difícil manter-se no Governo enquanto “estiver associado ao caso” e considera que o ministro dos Assuntos Parlamentares é mais “vítima do que atuante”.
O ministro Miguel Relvas estará disponível para ir ao Parlamento dar esclarecimentos sobre o "Caso das Secretas", para prestar novos esclarecimentos sobre a ligação ao ex-espião Jorge Silva Carvalho.
Quando me lembrei de fazer eco das declarações do ministro Relvas e que teve muito sucesso por aqui, era minha intenção por a nu a pobreza da retórica e da substância das suas intervenções, que só por isso o deveriam arredar de qualquer governo minimamente competente e eficaz e sobretudo transparente, como ele sempre apregoava. E não era meu costume comentar os discursos de SEMAP, que falavam por si.
MRL está ser simpático (porque não é inocente) ao dizer que o protagonista fica num estado de grande fragilidade, porque sabe que ele é e sempre foi frágil e quando acrescenta que o ministro ficou aquém das expectativas, que eram mais elevadas (para ele?) do que se veio a verificar a ponto de deixar o governo à rasca, o que já acontecia e por isso aconteceu, demonstra mais do que simpatia…
E mesmo que se aceite a perspetiva de Marinho Pinto, isso só prova a impreparação do homem  e do político, que sendo o segundo do governo, classifica por muito baixo o governo como um todo.
Quando Relvas vem dizer que está disposto a voltar ao Parlamento para dizer aquilo que não disse quando lá foi pela primeira vez, quer dizer que, ou omitiu ou mentiu, o que deixa por mãos alheias a tal transparência e a credibilidade do mesmo.
Finalmente e por arrasto chega-se à conclusão de que os nossos Serviços Secretos não passam de meros alcoviteiros do poder e usados pelo poder.
Chegados a este imbróglio, em que os pés de barro o fazem tombar, pessoal e politicamente, esta será a última rubrica "Reflexão do Relvas", porque afinal a coisa é séria demais para nos rirmos…
Por tudo isto, não vale a pena perder mais cera com fraco defunto, para não nos distrairem com minudências…

Contramaré… 28 maio

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, destacou recentemente que a redução da pobreza nas regiões de miséria extrema é um projeto sistemático e precisa de planeamento, eficácia e prática, promovendo a previdência social para resolver as necessidades básicas do povo, com o reforço de investimentos. Até finais de 2011, a China ampliou a cobertura do projeto com 26,88 milhões para 128 milhões de pessoas, 13,4% da população rural.

Entre o possível, o mau e o pior, venha a UE e escolha!

"O que vai acontecer à União Europeia?", interroga-se The Economist, para o qual a alternativa é simples: a rutura do euro ou avançar no sentido de uma integração europeia mais estreita – mesmo que apenas "tecnocrática e limitada"
Durante 2 anos de crise profunda, os dirigentes europeus esquivaram-se a enfrentar essa alternativa. Dizem que querem manter o euro intacto – exceto, talvez, no que se refere à Grécia. Mas os credores europeus do Norte, liderados pela Alemanha, não irão pagar o suficiente para garantir a sobrevivência do euro, e os devedores europeus do Sul sentem-se cada vez mais incomodados por serem estrangeiros a dizer-lhe como devem organizar as suas vidas.
Contudo, se os dirigentes da UE optassem pela rutura do euro,
os bancos e as empresas de todo o continente desmoronar-se-iam, porque os seus ativos e passivos nacionais e estrangeiros deixariam de ter correspondência. Seguir-se-ia uma vaga de falências e processos judiciais. Os governos em situação deficitária seriam obrigados a fazer cortes brutais na despesa ou a cunhar moeda.
Esta é uma das razões pelas quais o mesmo semanário conclui "relutantemente" que "os países da zona euro devem partilhar os seus fardos".
Salvar o euro é desejável e exequível. Resta uma questão: os alemães, os austríacos e os holandeses sentir-se-ão suficientemente solidários com os italianos, os espanhóis, os portugueses e os irlandeses para pagarem? Acreditamos que fazer isso é do seu próprio interesse. Chegou a altura de os dirigentes europeus, e Merkel em especial, argumentarem nesse sentido.

Ecos da blogosfera - 27 maio

domingo, 27 de maio de 2012

“En garde!” Langarde só luta contra certa pobreza!

As declarações da diretora do FMI  foram acolhidas na Grécia, como uma “humilhação”.
Christine Lagarde rejeitara qualquer renegociação das condições do plano da troika, afirmando que o país tem de, “aprender a pagar os impostos”.
Lagarde referiu ainda ter mais simpatia pelas crianças em África do que por certos pobres em Atenas, declarações mais tarde retificadas pela responsável, mas que não evitaram uma vaga de indignação na capital grega.
Um habitante de Atenas lembra que, “tinha uma pensão de 1.780 euros e agora é apenas de 1.220. O que é suposto dizer ao meu filho deficiente, que a senhora Lagarde está a fazer experiências em meu nome?”.
Outro afirma, “de que é que são culpadas as 2.000 ou 3.000 mil pessoas que se suicidaram?”.
Outra ainda sublinha, “a senhora Lagarde precisa de falar com o povo, não com os políticos, e assim poderá ver o pouco que temos para comer, o quanto trabalhamos e o que pagamos para o estado”.
As declarações da diretora do FMI arriscam-se a inflamar ainda mais a revolta dos gregos contra o plano de resgate da troika, a 3 semanas da Grécia repetir as legislativas.
No último sufrágio, 60% dos eleitores tinham votado por partidos opostos às medidas de austeridade impostas pelo FMI, União Europeia e Banco Central Europeu.
Esta semana, mais uma vez, os europeus – e aliás não só eles – entregaram-se ao jogo do fazer medo, considerando como cada vez mais provável a hipótese da "Grexit". Segundo os analistas, que há meses se dedicam a dissertar sobre o porquê e o como de a Grécia dever sair da zona euro, chegou a vez de os políticos e os especialistas mandatados por estes últimos apresentarem as suas previsões, devidamente fundamentadas em cálculos, sobre a inevitabilidade desse cenário.
Na cimeira extraordinária informal de 23 de maio, os dirigentes europeus admitiram que a questão deixara de ser tabu e que estava a ser estudada, por cada um, individualmente. Ao mesmo tempo, reafirmaram o seu desejo de que a Grécia continue na zona euro – desde que, evidentemente, honre os compromissos que assumiu com os seus credores.
E é precisamente esse o ponto central do problema: mais do que económica, a "Grexit" é uma questão eminentemente política. Tal como a da adesão da Grécia à zona euro, apesar de em Bruxelas, e não só, se ter consciência de que, à semelhança do que se verificara anteriormente no caso da Itália, Atenas não estava preparada.
Cabe portanto aos dirigentes europeus decidir se estão preparados para assumir os custos económicos – para os seus bancos e para os seus contribuintes – e políticos – perda de credibilidade da moeda única, explosão do modelo de integração europeu, abandono do "berço da democracia", para referir apenas alguns – da saída da Grécia do euro. Cabe aos seus homólogos gregos decidir até que ponto estão dispostos a respeitar os compromissos que assumiram ou, se pretenderem voltar atrás, como tencionam fazê-lo. A saída da zona euro não parece constituir uma opção, nem para os dirigentes gregos nem para a maioria dos seus eleitores.
E é precisamente porque os custos políticos e económicos da "Grexit" seriam demasiado pesados, tanto para os gregos como para os seus parceiros, que temos o direito de apostar numa abordagem mais "soft", que deveria ser delineada depois das eleições legislativas de 17 de junho, na Grécia e em França. Provavelmente, os europeus irão acabar por aceitar um – novo – reescalonamento da dívida grega, que permitirá que a população, esgotada por 2 anos de dura austeridade, respire um pouco. Provavelmente governados por uma maioria inédita e vigiados de perto pela troika (UE-BCE-FMI), os gregos serão forçados a reformar um Estado que se revelou injusto e ineficaz e a abandonar hábitos políticos cujas consequências saltam aos olhos de toda a gente.
Aceitando-se que o medo não é o melhor conselheiro para quem já está em pânico, se alguns dirigentes europeus reafirmaram o desejo(?) de que a Grécia continue na zona euro, mas desde que honre os compromissos que lhe foram impostos pelos seus credores, caso contrário deixarão(?) cair o país, que eles deixaram entrar na “sociedade” sabendo que não estava preparada (e quem estava?), não é mais do que uma ameaça contraproducente e uma ingerência no voto livre das próximas eleições.
Mas mais do que económica, a saída da Grécia da zona euro é mais uma questão política, já que não resolve o problema dos dirigentes gregos (que não se entendem), muito menos para a grande maioria dos seus cidadãos, esgotada por 2 anos de dura austeridade imposta pelas instituições “amigas”, com resultados nefastos e irrecuperáveis, que não deixam adivinhar senão o pior.
Segundo contas já feitas(?), parece que os dirigentes europeus terão que decidir os custos económicos, que se refletiriam nos seus bancos (nem pensar!), nos seus contribuintes (que se lixem!), mas nunca nos seus políticos, sempre à tona de todas as crises de que foram os responsáveis.
E como se não bastassem os nossos crânios europeus, aparece uma “europeia”, Christine Lagarde e atual diretora do FMI, a piorar as coisas e de um modo abruto e à bruta, ameaçando com a nega de qualquer renegociação das condições do plano da troika e, imagine-se, a comparar a pobreza em África (missão e competência do Banco Mundial) com a pobreza na Grécia (missão e competência do FMI), inflamando assim, ainda mais, a revolta dos gregos contra o plano de resgate da troika, que se traduziu nas últimas eleições em 60% dos votos nos partidos que se opõem a estas medidas de austeridade impostas pelo FMI, União Europeia e Banco Central Europeu e em que Lagarde tem responsabilidades, quer como anterior ministra das Finanças de França, no tempo de Merkozy e por isso da confiança de ambos, e que não foi competente para inverter o plano inclinado da economia francesa.
E porque no seu país, quem a nomeou (Sarkozy) perdeu as eleições, por defender as ideias e a prática que Lagarde por imposição defendia, seria mais do que lógico que a Senhora se demitisse, em vez de cantar de garnisé, para assustar os pombos indefesos e famintos da praça Sintagma
A Ética, a Sociologia e a Política é uma regra de 3 muito complicada!

Reflexão do Relvas… 27 maio

O Governo está a seguir "um princípio de exigência, de rigor e de seriedade nas políticas que temos seguido para que possamos no fim da legislatura poder dizer que estamos a construir um país mais equilibrado, um país mais próspero, e também um país mais feliz"afirmou Miguel Relvas.

Contramaré… 27 maio

O presidente do Sindicato da Construção de Portugal disse que "todos os dias desaparecem 15 empresas e todos os meses desaparecem cerca de 10.000 postos de trabalho" porque o setor está praticamente paralisado, em boa parte devido a um forte desinvestimento público. A suspensão da construção do túnel rodoviário e da autoestrada do Marão, que se prolonga há um ano "afetou 1.400 postos de trabalho".

Um retrato “a la minute” e uma caricatura apalhaçada?

Alexis Tsipras, vencedor das eleições de 6 de maio e líder da coligação de esquerda radical Syriza, é a estrela do momento da política grega. A 3 semanas das legislativas de 17 de junho, o seu programa, que oscila entre o pragmatismo e a luta de classes, preocupa muitas capitais europeias.
O facto de Alexis Tsipras ter ido a Berlim, na terça-feira, vindo diretamente de Paris, mostra como, neste momento, tem consciência da sua força. Convidado pelo Die Linke, o partido da extrema-esquerda, foi defender as suas ideias no país que se devota como nenhum outro à política de austeridade.
Antes da sua chegada, a CDU apressou-se a fazer saber que não tinha necessidade de conversar com a nova estrela da esquerda. O SPD não sabia muito bem o que pensar. É assim que Tsipras chama a atenção. No Reichstag, sempre que as câmaras estão por perto, ele exibe um largo sorriso, um sorriso demasiado grande para a vida normal, mas que fica muito bem nas imagens.
Tsipras agradece educadamente o acolhimento que lhe dão. Fala de solidariedade entre os povos, que não devem ser empurrados a lutarem uns contra os outros. “Também travamos esta luta pelos trabalhadores alemães.”
Quando chegar ao poder, começará por parar as transferências destinadas ao pagamento da dívida e declarará ilegítimas as medidas de austeridade tão duramente negociadas. Foi isso que prometeu aos eleitores gregos. Também anunciou a sua vontade de anular a dívida grega e de nacionalizar os bancos. Os seus detratores acusam-no de populismo de esquerda. Para os partidários da austeridade, Alexis Tsipras é, muito simplesmente, “o homem mais perigoso da Europa”.
A ascensão de um “jovem corajoso”
Pelo contrário, na Grécia, onde a crise empurrou uma grande parte da população até ao limite da sua capacidade de sofrimento, Tsipras é considerado um herói. Os eleitores adoram o seu encanto juvenil e as suas declarações claras. É um “pallikari”, um jovem corajoso que não se verga perante nenhuma autoridade.
Nascido em Atenas em 1974, aos 17 anos Alexis Tsipas já se fazia notar com a organização de manifestações de estudantes do secundário. Não só lidava com a Comunicação Social como um verdadeiro profissional como negociava duramente com o ministro da Educação.
Uma fotografia dessa época mostra-o no cimo de uma colina, os cabelos compridos ao vento e rindo com o otimismo inabalável de um jovem firmemente convencido de que a única coisa que o mundo espera é ser salvo por ele.
Com o apoio de Alekos Alavanos, seu mentor político, percorreu o caminho rapidamente. Em 2006 foi eleito para a assembleia municipal de Atenas, onde ganhou fama de estar próximo dos cidadãos. Eleito líder do Syriza em 2008, entrou para o parlamento em 2009.
O seu progresso explica-se, em grande parte, por estar no lugar certo no momento certo. O ano passado, quando os gregos ainda não estavam muito desesperados com as medidas de austeridade, as suas exigências radicais eram rejeitadas por grande parte dos eleitores. Mas isso não foi a única coisa que mudou: assistimos, também, a uma mudança de clima político em toda a Europa, uma mudança que se tornou especialmente visível com a vitória de François Hollande em França.
Ofensiva mediática internacional
Antes de partir para Berlim, Tsipras sublinhou, durante uma entrevista, que Angela Merkel, com a sua política de austeridade, estava “extremamente isolada” na Europa. No New York Times, aconselhou-a a seguir o exemplo de Obama e do seu programa de apoio à economia. É assim que ele prepara as eventuais novas negociações – com uma vasta ofensiva mediática internacional.
Uma pequena aparição no grupo parlamentar do Die Linke e continua o caminho em passo apressado. Klaus Ernst, o presidente do partido, e Gysi, o líder do grupo parlamentar, querem apresentar o seu convidado à imprensa da capital – na esperança de que um pouco do seu prestígio recaia sobre a vacilante esquerda alemã. Colocam-no entre eles, à frente da parede azul da sala de conferências de imprensa. Parecem dirigentes de um clube de futebol que se preparam para anunciar a contratação de uma nova super estrela.
“O protagonista não sou eu”, começa por dizer Tsipras, humildemente, “nem tão-pouco o meu partido. O protagonista é o povo grego”. Os efeitos das medidas de austeridade são desastrosos, é preciso evitar uma catástrofe na Europa, continua. “Apelamos à solidariedade dos povos de França e da Alemanha.” Tsipras não quer mais dinheiro, quer que o dinheiro seja partilhado de forma diferente. Que reformas fará se chegar ao poder na Grécia? Quer tornar o sistema fiscal mais justo e conseguir maiores receitas.
Tsipras pede que o compreendamos, classifica os alemães como “grandes irmãos” e pede-lhes que continuem a passar as suas férias de verão na Grécia, mas mantém-se firme nas suas posições. Recusa absolutamente continuar a amortizar a dívida nas condições atuais. A conferência de imprensa termina ao fim de quase uma hora. Tsipras dirige-se com Gysi para a limusina que o espera, à porta. O tempo passa: Sigmar Gabriel, o líder do SPD, acaba por se declarar disponível para o receber.
VISTO DE ATENAS - “Tem ar de líder, mas não lidera nada. Só segue”
O diário grego I Kathimerini insurge-se contra o líder do Syriza:
Alexis Tsipras tem razão: podemos, ao mesmo tempo, rasgar o acordo de resgate que nos liga aos nossos credores e continuar no euro. Ao mesmo tempo, podemos receber o nosso salário ou não, podemos saltar de um telhado e não nos magoarmos, podemos comer tudo o que quisermos e não engordar, beber sem ficar bêbado e fazer uma licenciatura sem estudar. Podemos fazer o que quisermos e assumir as consequências.
Segundo o jornal de Atenas, Alexis Tsipras, que neste momento percorre a Europa para se encontrar com os líderes da esquerda radical, é culpado de não encarar a realidade de frente:
Tsipras tem o mesmo defeito que muitos dos seus antecessores: em vez de dar respostas políticas aos problemas prementes, anda feliz a bajular uma nação cujos pecados mortais são a lisonja e a mentira.
E conclui, bruscamente: “tem ar de líder, mas não lidera nada. Só segue”.

Ecos da blogosfera - 26 maio