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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Pobres, empobrecidos e (por isso?) mal-agradecidos!

Seguros e banca são os setores menos credíveis refere um estudo internacional. Já as Organizações Não Governamentais (ONG) são as instituições mais confiáveis para os inquiridos.
Os portugueses são os que menos confiam no Governo entre um grupo de 23 países analisados num barómetro que avalia o nível de confiança nas empresas, Governo, ONG e media.
De acordo com o Edelman Trust Barometer 2011, que pela 2ª vez inclui Portugal, apenas 9% dos 203 inquiridos afirmou confiar no Executivo. No ano passado, 27% dos inquiridos afirmou confiar no Executivo.
Entre os mais desconfiados nos Governos estão os irlandeses (20%) e os alemães (33%), enquanto os chineses (88%) se mostram os mais confiantes.
Os portugueses consideram os técnicos das empresas (como cientistas ou engenheiros) os porta-vozes mais credíveis e os presidentes executivos os segundos menos credíveis.
Já as ONG são as instituições em que os portugueses mais confiam (69%), seguidas pelas empresas (47%) e os media (39%).
No que respeita às empresas, os portugueses afirmam confiar mais nas multinacionais suecas (87%) e suíças (83%), estando no fim da lista 3 economias emergentes: Rússia (23%), Índia (24%) e China (28%). Já metade dos inquiridos afirmou confiar nas multinacionais da vizinha Espanha.
Uma análise por setores demonstra que a tecnologia (78%) e a biotecnologia (77%) são os setores em que os portugueses mais confiam, por oposição aos seguros (31%), serviços financeiros (31%) e banca (31%).
Segundo o barómetro, os motores de busca "são a primeira fonte de informação" e o media tradicionais "são os mais credíveis, com destaque para a rádio e imprensa escrita, generalista e de negócios".
Em Portugal, o Edelman Trust Barometer 2011 resulta de uma parceria entre a consultora de comunicação GCI e a Escola de Negócios da Universidade do Porto e é baseado em entrevistas telefónicas feitas a cidadãos que veem regularmente notícias económicas e políticas, possuem pelo menos uma licenciatura e pertencem ao escalão de rendimento mais elevado.
Ora cá está a maioria absolutamente relativa: em 2010, 27% ainda confiava no Governo e em 2011, apenas 9%!
E pela mesma lógica, que responsabiliza os dirigentes, os presidentes executivos das empresas ficaram em penúltimo lugar, no que respeita à confiança (credibilidade, digo eu).
E como se não se soubesse, neste regabofe da CRISE, só os cegos é que vêem que os seguros (31%), os serviços financeiros (31%) e banca (31%) mereciam mais do que isto, que já é muito, com tendência a piorar, desde que haja informação, feita por técnicos isentos.  
Apesar de a notícia referir uma boa posição para os media (39%), verifica-se que a percentagem é negativa e comparando-a com a dos seguros, dos serviços financeiros e da banca, não é motivo para contentamento, muito menos sinal de confiança.
Curiosamente, 3 economias emergentes de que os sistémicos apregoam aparecem no fim da lista, o que quer dizer que quem está informado não acredita nestes milagres económicos, porque sabe que se baseiam na exploração desenfreada e contra os Direitos Humanos.
Levanta-se aqui uma questão, quando constatamos que o povo tem dado maiorias ao governo de que diz não gostar. Mas, sabendo-se que este estudo teve por base entrevistas a cidadãos que veem regularmente notícias económicas e políticas, possuem pelo menos uma licenciatura e pertencem ao escalão de rendimento mais elevado e sabendo que as pessoas menos informadas e mais pobres são as mais conservadoras (e até beneficiam dos subsídios sociais), talvez se encontre a justificação da discrepância entre os resultados do estudo e os resultados eleitorais.
Fique-nos a esperança de que, sendo o povo sereno, algum dia há-de dar um murro na mesa, num processo lento e seguro para a transição democrática…

Ecos da blogosfera – 8 Fev.

O PACTO DA "COMPETITIVIDADE"

 

Do DESMITOS

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Como no Homem, as circunstâncias fazem os Estados

"Foi a primeira vez que ouvi Shimon Peres a manifestar disponibilidade para ajudar a construir um Estado palestiniano, desde que este seja democrático e que tenha assente como modelo económico a criação de riqueza para que os povos não vivam numa situação de pobreza", afirmou Luís Campos Ferreira, a propósito do encontro de sábado entre Shimon Peres e deputados do Parlamento Europeu e representantes da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, durante o qual o Presidente israelita manifestou igualmente preocupação com as movimentações civis na região.
"Mostrou alguma preocupação com as movimentações sociais que estão a acontecer nos países vizinhos, mas de notar que essas movimentações não têm origem em nenhum movimento religioso fundamentalista, nem em nenhum partido fundamentalista do tipo 'Irmandade Muçulmana'", realçou Campos Ferreira.
O deputado sublinhou igualmente que os protestos no Egipto "são movimentações com origem na sociedade civil [...] e que têm como grito de revolta a pobreza e a falta de direitos fundamentais" nestes países.
Dois comentários apenas:
1 – Depois das palavras do PM israelita, em que assume uma preocupação séria sobre o desenvolvimento das movimentações nos países árabes vizinhos, esta boa vontade de Shimon Perez cheira a esturro e significa a mesma preocupação de aquilo virar para o torto, o que, para eles, seria pior que as ameaças atómicas do Irão (o que mostra a força das pessoas, que é maior do que a das armas) e daí a vontade inexplicável de FINALMENTE se constituir um Estado Palestiniano;
2 – Se o deputado europeu está convencido de que as movimentações, têm com origem na sociedade civil e que têm como grito de revolta a pobreza e a falta de direitos fundamentais, deve saber que mais cedo do que mais tarde, haverá grupos a apropriarem-se desta inércia e a conduzirem o povo para onde lhes apetecer. Tanto mais que as mesmas razões existem em países de todas as latitudes/longitudes, mas sem o perigo do fundamentalismo religioso. Assim, Israel devia estar preocupado, não só com os seus vizinhos, mas com todos os países em que nem a democracia é uma prática linear e transparente, em que a pobreza aumenta dia-a-dia e os direitos fundamentais são ludibriados e usurpados por governantes bem formados…
Esperemos que Tony Blair não se meta na solução, senão vai ser mais um problema…

Mas há estudos sérios, ou são só bocas foleiras?

Em conferência de imprensa, na sede nacional do CDS, Assunção Cristas foi questionada sobre a afirmação feita pelo primeiro-ministro de que "não haverá despedimentos na função pública", a que respondeu que "há uma reflexão interna" no CDS sobre esta matéria.
Questionada sobre se as rescisões são algo que o CDS apenas considera possível ou também desejável, Assunção Cristas respondeu: "Entendemos que é possível, que eventualmente pode ser desejável. É matéria que nós estamos a trabalhar e que precisamos de estudar mais".
"Há um problema que nós temos e que é conhecido, que é o sobredimensionamento da função pública. Há um problema essencial, que não tem sido, a nosso ver, sobejamente discutido, que tem a ver com o papel do Estado e a forma como o Estado atua", apontou a deputada do CDS, defendendo que "este também é um momento para fazer essa reflexão".
O Estado desconhece quantas pessoas com deficiência trabalham na administração pública. O Governo contrapõe que se há situações irregulares cabe também aos parceiros sociais denunciá-las.
Talvez o que vou comentar sejam simples bocas de mesa de café, mas também estou certo de que não andarei longe dos métodos empíricos utilizados pelos nossos governantes e pela oposição.
Quando alguém afirma que o sobredimensionamento da função pública em Portugal é um problema e é conhecido, podia apresentar uns gráficos (como fazem na TV) demonstrando essa afirmação. Não tenho dúvidas de que o governo sabe exatamente quantos funcionários tem, porque basta somar os salários que paga. Já tenho sérias dúvidas de que haja estudos sérios sobre cada sector, que confirme ou desminta esta afirmação, tendo em conta a eficácia dos serviços e a eficiência dos dirigentes. Aqui sim, é que era preciso partir do zero, mensurar-se o trabalho necessário e concluir-se pelo número de pessoas suficientes para o levar a cabo. Não se tendo feito isto (e posso estar a cometer um erro. por ignorância), nem o PM pode dizer que não vai haver despedimentos, nem a oposição pode sugerir a diminuição dos funcionários públicos, da maneira proposta, ou por outra.
Uma das evidências do que digo é o que se passa com o número de deficientes, que pelos vistos ninguém conhece o número.
Já quanto ao papel do Estado e a forma como actua, não tem nada a ver com o problema/proposta, mas sim com a redução do papel/peso do Estado, para se começar a falar em políticas neoliberais, que transferem para o Setor Privado, as obrigações do Setor Público.
E reduzindo-se cegamente os funcionários públicos, está-se a abrir a porta ao privado, com todos os vícios públicos que conhecemos.
Quem quiser que os compre…

O nosso Jardim é a nossa Pátria

O Projeto Jardim ao Natural tem como objetivo alargar a área de agricultura em modo biológico dos 8 Municípios Associados e sensibilizar a população para a manutenção de jardins de forma sustentável.
É direcionado para o Cidadão e Instituições, que podem assumir o compromisso de cumprimento das seguintes boas práticas:
- Gerir de forma biológica todo o espaço verde;
- Garantir a reciclagem dos resíduos orgânicos;
- Utilizar composto ou fertilizantes orgânicos;
- Não utilizar pesticidas ou fertilizantes artificiais;
- Favorecer o equilíbrio dos ecossistemas - respeito pelos seres vivos;
- Evitar utilizar matérias de fontes não renováveis.
Além de promover a biodiversidade, a fertilidade e vida do solo e a saúde da sua horta e jardim, tornando o espaço mais natural, reduz a manutenção necessária no espaço verde, o consumo de água, as emissões e a contaminação pela utilização de pesticidas e fertilizantes químicos tóxicos.
Com as nossas dicas poderá adotar no seu espaço verde mais práticas sustentáveis!
Por um jardim e horta saudáveis... basta mudar de atitude!
Assine já a sua Carta de Compromisso.
E já que há apetite pela matéria, aqui vai mais um projeto da LIPOR, que poderá servir os praticantes do verde, com o apoio de quem está engajado na sustentabilidade do meio ambiente, contatando.

Ecos da blogosfera – 7 Jan.

Perguntas de crianças, por Rubem Alves

Do Filosofar é preciso!!!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Usurpando Poderes e Direitos, matando as Soberanias

O poder germânico sobre a União Europeia está a criar uma cisão entre os chefes de Estado europeus. Por imposição da Alemanha, a verba do fundo de resgate europeu pode ser reforçada e flexibilizado o seu acesso, mas só se as economias europeias aceitarem reformas fiscais, sociais e económicas ao estilo alemão. O aumento da idade da reforma para os 67 anos e a moderação salarial estão em cima da mesa.
Há já cinco países que decidiram fazer frente ao eixo franco-alemão: Bélgica e Luxemburgo, que rejeitam uma intromissão nas suas regras nacionais, Espanha, que se mostrou cautelosa com a medida, Áustria, que rejeita que os “vizinhos” decidam a idade de reforma dos seus cidadãos, e a Irlanda, que garantiu que se trata de uma matéria intocável e "sagrada"’. José Sócrates não manifestou qualquer oposição ao plano alemão e considerou histórica a decisão de maior integração económica.
Haja alguém, em Portugal, que tenha a lucidez de contrariar a vontade de domínio sobre a UE, concretamente uma senhora musculada e um baixinho de tacão alto. Que mandem nas quintas deles onde são capatazes, por terem sido eleitos pelos seus “trabalhadores” e nem o foram por maioria.
Esperemos que os restantes Partidos tenham a mesma postura do BE, porque isto não tem nada de esquerda, nem de direita, tem a ver com o slogan, que funcionou aqui (após o 25 de Abril) e funciona hoje nos países do norte de África: Pão, Paz, habitação, Saúde, Educação (que por acaso era do PSD de Sá Carneiro)…
O líder do Bloco de Esquerda (BE) disse hoje que o partido "opõe-se determinantemente ao aumento da idade da reforma" e criticou o fato de os principais bancos portugueses pagarem menos de imposto do que uma mercearia.
"O BE voltará a apresentar o combate por regras que obriguem os bancos a pagar o mesmo imposto que qualquer mercearia paga de forma que as provisões não possam ser usadas como instrumento de fuga legal aos impostos e de evitar pagar o que resulta dos lucros", disse Francisco Louçã no final da reunião da Mesa Nacional do partido. "Não permitiremos esta gigantesca fraude pública", frisou.
Francisco Louçã disse querer chamar a atenção para "uma enorme mentira imposta aos portugueses" quando é dito que "a redução dos salários e do abono de família, o aumento dos impostos e das dificuldades é distribuir o sacrifício por todos".
"Ontem foi conhecido o resultado dos principais bancos portugueses. E os 3 bancos têm resultados de 997.000.000 € e pagam 3% de impostos, metade do que pagaram no ano passado. Dois deles, juntam 500.000.000 € de lucros, mas realizam um crédito fiscal a pretexto de terem conseguido planeamento fiscal eficiente", disse.
Na conferência de imprensa, Francisco Louçã criticou ainda a intenção de aumentar a idade da reforma para os 67 anos, uma política que diz estar a ser defendida pela chanceler alemã. "O Bloco de Esquerda opõe-se determinantemente ao aumento da idade da reforma", disse.

Ou perderam a cabeça, ou já não têm vergonha!

A tarifa social criada pelo Governo para apoiar famílias carenciadas corresponde a um desconto máximo de 0,80 € na fatura mensal de electricidade e motivou indiferença aos eventuais beneficiários, refletida num número de adesões aquém do previsto.
A EDP recebeu até ao dia 1 de fevereiro 50.000 pedidos de adesão à tarifa social que, segundo o Governo, poderia beneficiar perto de 700.000 famílias.
Numa loja da EDP em Bragança a maior enchente aconteceu em meados de janeiro, após a Segurança Social enviar cartas a atestar a condição dos potenciais beneficiários, na sequência da diminuição do fluxo por as pessoas se mostrarem "desiludidas" com o valor do desconto. Além de o desconto máximo não ir além dos 80 cêntimos, a Deco alerta que a adesão a esta tarifa pode penalizar famílias que beneficiam de antigos descontos, consequência dos custos associados à troca de contadores eléctricos.
Parece que o povo está a ficar mal agradecido, tendo até ficado desiludido com a tarifa social criada pelo Governo, só porque o máximo desse desconto era de 80 cêntimos, mensalmente. Queriam mais e arruinar a EDP? E como é que aquela empresa poderia depois ajudar as mesmas famílias carenciadas, sem a Fundação EDP? Não se pode dar-lhes a mão, que querem logo o braço…
E ainda por cima, a adesão a esta tarifa (social) poderia levar famílias que beneficiam de antigos descontos, a pagariam mais. Mais uma boa intenção, que vai direitinha para o inferno.
Ninguém do governo ou da empresa exploradora da eletricidade tem a noção do ridículo ao propor um desconto tão avultado? Ou perderam a cabeça, ou a vergonha! Baixem lá isso…

Afinal era contra a liberdade de corrupção e exploração

Jasmim dos Poetas
As reivindicações sociais e salariais substituíram os protestos de rua na Tunísia, onde a vida regressa ao normal e o governo tentar dar resposta aos problemas que originaram a "revolução de jasmim", disse Rita Ferro, embaixadora de Portugal em Tunes.
No plano político, Rita Ferro afirmou que o governo "está a trabalhar" e que a contestação que marcou a sua primeira formação - por incluir vários membros do regime de Zine el Abidine Ben Ali - "praticamente desapareceu".
Entre as medidas já tomadas, referiu a amnistia dos presos políticos, a liberalização dos meios de comunicação - "já se vê todo o género de jornais à venda" -, da internet e da importação de livros, mas também a criação de um salário mínimo para os licenciados desempregados e de um fundo de desenvolvimento regional para as regiões pobres do interior do país. Apontou também o pagamento de compensações monetárias às famílias dos mortos e aos feridos nos tumultos de Janeiro e a criação de comissões para investigar a corrupção e os abusos contra pessoas e bens e para fazer a reforma política.
Sobre a oposição, muito limitada e fragmentada durante o regime de Ben Ali, mas entretanto autorizada, a embaixadora referiu que não houve até agora grandes movimentações: "Alguns dos partidos anunciaram congressos e noutros os líderes têm feito declarações à imprensa, mas por enquanto não há muito mais do que isso", disse.
Apesar de todas as flores (jasmim, há muitos) com que nos querem enfeitar as revoltas nos países islâmicos do norte de África, tudo se traduz nas coisas mais comezinhas: Pão, Paz, Habitação, Saúde, Educação…
É claro que há diferenças culturais, religiosas e políticas, mas o que é transversal a todos os povos, é a luta pela sobrevivência e pela exigência de uma vida vivida com o mínimo de dignidade, o que não tem nada a ver com a cultura, a religião, ou a política.
E lá como cá, onde a corrupção, o desemprego, as desigualdades, os salários baixos, os impostos injustos, ou ocos, são a razão primeira para se exigir a LIBERDADE, porque só com ela se pode combater os males que o abuso do poder (ditatorial, ou “democrático”) vai sacrificando as maiorias silenciadas, ou caladas.
Para que não digam que não falei de flores…

Ecos da blogosfera – 6 Fev.

 

Do PALAVROSSAVRVS REX