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domingo, 2 de janeiro de 2011

A Ética das Religiões, na Ética Política? ÉTICA!

O Cardeal-Patriarca de Lisboa apelou a um reconhecimento da “contribuição ética da religião no âmbito político” e a uma laicidade "positiva".
“Tal contribuição não deveria ser marginalizada ou proibida, mas, vista como válida, ajuda à promoção do bem comum”, disse D. José Policarpo na celebração do Dia da Paz.
«Liberdade Religiosa, caminho para a paz» foi o tema escolhido pelo Papa para esta 44ª Jornada Mundial, celebrada na Igreja Católica, desde 1968, a 1 de Janeiro.
Segundo D. José Policarpo, “esta Mensagem desafia a nossa sociedade, antes de mais, a não se contentar com a Lei, mas a aprofundar e cultivar o papel da religião na construção da sociedade e a empenhar-nos na evolução desta situação a nível do Planeta”.
Este responsável reconheceu que no país “há uma Lei da Liberdade Religiosa, que reconhece todas as religiões e garante a liberdade de consciência e de culto”, alertando, no entanto, que “a simples Lei não garante, por si, a valorização da religião, como valor decisivo, no progresso da sociedade”.
D. José Policarpo assinalou que “entre as perspectivas éticas que a religião, de modo muito particular o cristianismo, a religião dos nossos maiores propõe à sociedade, avulta o sentido da solidariedade e da comunhão fraterna entre os homens”. “São numerosas as instituições caritativas e culturais que atestam o papel construtivo dos crentes na vida social”, precisou.
Às religiões, o Cardeal-Patriarca pediu um esforço de “sincero diálogo”, “tendo todas a coragem de erradicar as expressões que agridam a dignidade da pessoa humana”.
À parte a opção religiosa de cada um, ou nenhuma, há que reconhecer o papel de todas as religiões (não seitas religiosas) na procura de soluções práticas para colmatar algumas das nódoas sociais que mancham as nossas comunidades, quer com origem em razões de cariz individual, quer por opções de ordem política dos nossos governantes. Seguramente que o epicentro desta acção tem que estar entre as perspectivas éticas de cada religião, em que o sentido da solidariedade e da fraternidade entre os homens estão na sua génese.
Parece-me razoável que quem cumpre obrigações sociais, para as quais não tem obrigações legais, tenha a moral de exigir a quem de direito, o cumprimento dos seus compromissos éticos.
A ELES e a cada um de nós, por muito leigos que sejamos!

1º de “Dez olhares sobre a Europa” - Arnon Grunberg

A redacção do Presseurop convidou 10 intelectuais europeus a escreverem um artigo para o seu site, a que chamou “Dez olhares sobre a Europa”, dos quais já publicou 8, desde 23 de Dezembro e que reatará a 3 de Janeiro.
Dada a qualidade dos autores e dos artigos, publicaremos diariamente um destes artigos, para descobrirmos, a cada dia, um novo olhar sobre a Europa, enquanto é um projecto.
Pária, logo europeu
O escritor holandês Arnon Grunberg precisou de se instalar em Nova Iorque para se sentir europeu. Na sua família têm sido frequentemente o exílio e o expatriamento a construir a identidade familiar. Uma história que hoje vale para muitos de nós.
Tinham passado cerca de dois anos desde que emigrara para Nova Iorque quando um homem me chamou "eurotrash" num bar no centro de Manhattan. Já tinha ouvido "white trash", mas aquilo evocava em mim associações de ideias que não abrangiam o sentido desta expressão: "white trash" fazia-me pensar em homens de negócios e banqueiros jovens e turbulentos que não sabem comportar-se em locais públicos.
"Eurotrash" era uma novidade para mim. Deveria ter lido mais vezes Bret Easton Ellis.
Snob, arrogante e sem ter encontrado um lugar num lado e noutro do oceano, era assim que me via este americano já tocado. Não precisava de dicionário para perceber. Será que está à espera que eu lhe parta a cara? Pareceu-me razoável. Desde a faculdade, porém, que me dei conta de que nenhum insulto merece o desaparecimento dos incisivos. Geralmente, a melhor solução é arvorar um sorriso cordial. E foi isso que fiz.
Não consigo pensar na Europa sem me lembrar deste incidente. Uma pessoa pode optar por ser americana. A "identidade associada" [identidade com traço de união] oferece inúmeras possibilidades. Uma pessoa pode ser coreano-americana, ou italo-americana, ou escocesa-americana.
Para ser europeu, tive de me mudar para Nova Iorque.
Os meus pais, nascidos em 1912 e 1927, em Berlim, foram (e são) provavelmente, a serem alguma coisa, europeus além de judeus. Não por idealismo, infelizmente para eles.
A minha mãe tentou ir para Cuba com os pais, em 1939. Mas este país já não aceitava mais refugiados judeus alemães, os EUA tinham encerrado as fronteiras e foi assim que a minha mãe e a família foram parar à Holanda. Depois da guerra e da passagem por vários campos de concentração, regressou à Holanda sem os pais. Tentou viver um tempo em Paris, onde tinha sido au pair, em Buenos Aires, onde tinha família, e em Israel, onde trabalhou na restauração, e regressou finalmente a Amesterdão, que não sentia como o seu país. No fundo, sentia-se profundamente alemã, mas nunca ponderou a hipótese de regressar a Berlim. Era demasiado orgulhosa para isso.
Europeia como solução de recurso, mesmo que nunca se identificasse a si própria como tal.
A história do meu pai é muito semelhante. Sobreviveu à guerra em diversos esconderijos na Holanda e mesmo que se gabe de falar melhor a língua do que a maior parte dos holandeses, não acredito que se sinta holandês. Nos últimos anos de vida andava sempre com um manual de inglês no casaco de couro preto, por motivos que nunca percebi muito bem.
É verdade que nasceu em Berlim, mas os pais eram oriundos de Lemberga (actual Lviv) e o seu primeiro passaporte tinha sido emitido pelo Império Austro-Húngaro.
Era-lhe indiferente: europeu, à falta de melhor.
Ao contrário da minha mãe, pronunciava a palavra com um certo orgulho. Até que um dia lhe perguntei: "Porque não vais para Israel?", ao que ele me respondeu: "Sou europeu." Era difícil, em Amesterdão, nos anos 1970, dizer que uma pessoa era, em boa verdade, oriunda do Império Austro-Húngaro.
A nossa actual Europa é qualquer coisa de suspeito, uma doença, ou talvez um museu, provavelmente um fracasso. Quem pretende ser europeu, de facto, proclama outra coisa: que é cosmopolita, sem residência, um traidor da pátria, um pária. Um escritor meu amigo que, como eu, foi para os EUA, disse: "É mais fácil gostar dos EUA quando não vivemos cá."
Tinha razão lá dentro. E, mesmo que eu goste dos EUA, pelo menos de Nova Iorque, sem me esquecer que os EUA recusaram a entrada aos meus avós e à minha mãe, não acho que esteja em Nova Iorque para ser americano. Foi o destino que me trouxe a Nova Iorque e mesmo que eu quisesse ter sido americano, é precisamente o sítio onde sou e continuo a ser europeu, um passaporte americano não teria alterado nada.
Num seu ensaio, Hannah Arendt declarou que um judeu poderia ser um pária consciente. Um judeu poderia, digamos assim, adoptar o estatuto de pária, ao qual não poderia escapar de maneira nenhuma.
Sem querer romancear o pária e sem querer chamar a todos os europeus novos judeus, é o estatuto mais atraente, mesmo para quem não é judeu: "pária consciente".
Arnon Grunberg

Ecos da blogosfera – 2 Jan.

O futuro de cada um de nós, por Eugenio Mussak

Do Filosofar é preciso!!!

sábado, 1 de janeiro de 2011

É tempo de Balanço para se saber quem está a ganhar

O comércio entre a China e os países lusófonos aumentou 50% entre Janeiro e Novembro, atingindo 63 mil milhões de euros, face a igual período de 2009, segundo dados oficiais.
As estatísticas dos Serviços de Alfândega da China indicam que a China comprou entre Janeiro e Novembro deste ano, aos 8 países de língua portuguesa, produtos no valor de 42,6 mil milhões de euros contra vendas aos mesmos países de 20 mil milhões de euros. Estes números traduzem aumentos homólogos nas importações chinesas de 45% e nas exportações da China de 60% relativamente a 2009.
O Brasil é o principal parceiro lusófono da China com um volume de trocas comerciais de 43 mil milhões de euros, mais 47,4% do que entre Janeiro e Novembro de 2009. As exportações da China para o Brasil totalizaram 16,4 mil milhões de euros – mais 78% – enquanto as importações atingiram 26 mil milhões de euros, mais 32,8% relativamente a 2009.
Com Angola, o 2º parceiro entre os países de língua portuguesa, as trocas comerciais atingiram 17 mil milhões de euros, mais 57,8% do que nos primeiros 12 meses de 2009. As compras chinesas fixaram-se em 16 mil milhões de euros – mais 70,3% – e as vendas totalizaram 1,3 mil milhões de euros, menos 14%.
Para Portugal, o 3º parceiro comercial da China, seguiram mercadorias chinesas no valor de 1,6 mil milhões de euros, contra compras chinesas de 512 milhões de euros, valores que traduzem aumentos de 32,4% e 60,7%, respectivamente. Até Novembro, as trocas comerciais entre Portugal e a China atingiram os 2,2 mil milhões de euros, mais 38% do que em igual período de 2009.
Só em Novembro, as trocas comerciais entre a China e a lusofonia atingiram 6,2 mil milhões de euros, o que representa um aumento de 21% face a Outubro, com as importações da China a atingirem 4,2 mil milhões de euros e as exportações a acumularem 1,9 mil milhões de euros.
Em 2003, a China estabeleceu Macau como a sua plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com a lusofonia.
Lusofonia à parte, mas tendo em conta os objectivos da plataforma de Macau, é tempo de se fazer um balanço, para verificarmos se há cooperação ou aproveitamento económico/comercial.
Sem contas precisas, mas numa análise “a la minute”, verificamos que a China importou mais dos países lusófonos, do que antes, o que nos leva a recordar a “sentença” de Samora Machel, que dizia que, num negócio, ou ganham as duas partes, ou não é negócio.
Verifica-se também que o Brasil é o “melhor” parceiro comercial da China, já que tem o maior volume e ganhou em exportações.
Com Angola aconteceu o mesmo, com valores menores, mas maior percentagem de exportações.
Com Portugal (o pai da língua), os valores do comércio são residuais e as exportações tiveram um défice.
Na globalidade dos 8 países lusófonos, apenas sobraram para os restantes 5 países, 800 milhões de euros, o que é mesmo residual, ou inexistente.
Resumindo, a política comercial da China, apoiada na lusofonia, beneficia os países emergentes, traz prejuízos para Portugal e esquece-se dos países mais pobres. Que é o mesmo que dizer que, nem tudo está bem.
Repescando a sentença de Samora, as “regras” têm que mudar, para se ter direito a falar de lusofonia e economia, ou seja, em NEGÓCIO.
Olho vivo!

Electricidade sem extras, já? Querias…

Um dos grandes objectivos da Petição pela redução dos Custos de Interesse Geral na electricidade será cumprido a 13 de Janeiro. O debate promovido pelo grupo parlamentar do PSD conta com a presença da DECO, da Confederação da Indústria Portuguesa, da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos e da EDP.
As 169.474 assinaturas de consumidores recolhidas em apenas 15 dias na iniciativa foram entregues a 14 de Dezembro. Numa semana, as audiências foram rapidamente marcadas. A DECO reuniu-se com os grupos parlamentares e com a Comissão de Assuntos Económicos, Inovação e Energia.
O Presidente daquela comissão, o deputado do PS, António José Seguro, que será o relator da petição, reconheceu que “a sensibilidade a esta petição é imensa. O movimento cívico exige a clarificação do pagamento de um serviço essencial.”
Acompanhe os desenvolvimentos desta acção no portal da DECO, em:
Na continuação do movimento cívico que abordou a Petição da DECO, ficamos à espera do resultado, mas sobretudo da argumentação para continuarmos como dantes…
Em Democracia, também é assim. 

O MELHOR 2011, com as migalhas de 2010!

Ecos da blogosfera – 1 Jan.

Do Ladrões de Bicicletas

Será que é por sermos bonzinhos que nos lixam?

Portugal é dos países europeus que mais defende a igualdade de direitos entre religiões. A conclusão é de um estudo elaborado por uma Universidade alemã sob a orientação de um Sociólogo das Religiões e divulgado pelo Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural.
O documento “Religião e Política” revela que 89% dos portugueses crê que todos os grupos religiosos devem “ter direitos iguais”, seguidos pela: França (86%), Dinamarca (72%), Holanda (82%) e Alemanha (49% no Oeste e 53% nas regiões ocidentais).
A pluralidade religiosa produz conflito ou enriquecimento cultural? 80% dos portugueses voltaram a revelar-se tolerantes, a par dos dinamarqueses e holandeses. Seguiram-se os alemães (70%) e os franceses (59%).
Somos os primeiros em alguma coisa!
É bonito saber que somos bons e sobretudo tolerantes, mas é um bocado deprimente sermos levados a pensar que, por isso, abusam da gente, mesmo que não seja por isso.
Não sei se vem a propósito, ou tem ligação, mas a Alemanha da Sra. Merkel, continua dividida dentro de si, até no preconceito e dentro da Europa, pelo mesmo preconceito (50% de intolerantes). E este(s) preconceito(s) tem que ter reflexo no dia-a-dia, como se tem visto e ouvido, há quase um século e nunca mais se convertem.

Mais vale tarde do que “Já! Agora!” Entretanto…

O Ministério das Finanças adiou para 2011 as mudanças na regulação do sector financeiro previstas para 2010, que tinham sido anunciadas em 2009.
A reforma da supervisão financeira em Portugal vai introduzir um novo modelo, em que só haverá 2 entidades, quando actualmente existem 3 (BdP, CMVM e Instituto de Seguros de Portugal).
O BdP deixará de ter toda a supervisão da Banca, para passar a ter apenas a sua Supervisão Prudencial, competência que alargará também às seguradoras e intermediários financeiros. Uma nova instituição, com base na CMVM, ficará com responsabilidade sobre a Supervisão Comportamental destas entidades.
O Secretário de Estado do Tesouro e das Finanças disse que “a aprovação do novo modelo de supervisão financeira fica adiada para 2011”, o que levará a ajustamentos no calendário da sua aplicação, que está previsto para demorar cerca de 3 a 6 meses.
A crise financeira que se declarou no final de 2008, na sequência da falência do banco de investimentos dos EUA, Lehman Brothers, e a necessidade de os Estados do Ocidente injectarem quantias maciças de dinheiro no sistema financeiro para evitar a sua falência sistémica, evidenciou a necessidade de reformas, que nalguns casos já estão decididas.
EUA e Reino Unido já aprovaram novas regras para a banca e na União Europeia arranca um novo modelo no dia 1 de Janeiro, no âmbito do qual serão criadas 3 autoridades europeias para supervisionar os bancos, as seguradoras e os mercados, com sede em Paris, Londres e Frankfurt. Será também criado um Conselho Europeu para prevenir riscos sistémicos.
A supervisão continua a ser competência em primeiro lugar dos Estados, mas a UE passa a dispor de um sistema de vigilância e arbitragem comum.
Ou seja, em 2008 concluiu-se que havia necessidade de reformas na supervisão financeira para prevenir riscos sistémicos, anunciou-se em 2009, para entrarem em vigor em 2010. Mas, o nosso Governo achou que não havia pressa, porque havia mais regulamentação e mais importante a fazer (taxas moderadoras e viagens de ambulância, etc.) e deixou para 2011, que entretanto folgam as costas. E regulamentar de forma a abranger a “Supervisão Prudencial” e a “Supervisão Comportamental”, não se faz do pé para a mão…
Finalmente, já se começa a dizer com à vontade, que os Estados (neoliberais) do Ocidente injectarem quantias maciças de dinheiro (dos contribuintes) no Sistema Financeiro para evitar a sua falência sistémica, o que não aconteceu no nosso território (mas entramos pelo BPN dentro).
Vão gozando com o POVO…

Este é o sabor - Pedro Tamen

Ponte de Yoko Okuyama
Isto é o que se oferece à delicadeza das mãos
este é o árido mar em que os ramos não servem
este é afinal a maravilha sonhada
tão diferente dos sonhos
este é o vento que resta para os ventos da ressaca
este é o clima temperado
mas já sem especiarias
isto é o pífaro de lata o cavalinho o bote
estes são os alísios que mais ninguém recebe
nas faxes disponíveis
essa é a cor de asno fugitivo
esta é a manhã com lua
este é o sapato mais que o pé
esta é a cama com mulher nenhuma
lençol e cobertor colcha e colchão
este é o som silenciosíssimo
impossível de imaginar
é a pêra de terra é a marga tão clara
nada frutificado
nada santificado
nada petrificado
esta é a ponte passadiça
a ponte passageira
que se passa parado
que se passa passado.
Pedro Tamen