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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Em política, cuidado com o populismo dos palhaços…

A decisão do primeiro-ministro britânico David Cameron de não conceder benefícios aos novos imigrantes revela a sua falta de moral, de coragem e uma inclinação para o populismo, em vez de encarar a realidade, isto é, que a economia britânica precisa de imigrantes, escreve um editorialista no “European Voice”.
O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, está a ficar assustado e, por isso, recorre ao alarmismo. É um espetáculo nada edificante.
O que assusta Cameron é o Partido da Independência do Reino Unido UKIP, um partido eurocético e anti-imigração cujos indícios demonstram poder vir a ter bons resultados nas eleições de maio para o Parlamento Europeu. O tema do seu alarmismo é a imigração, especificamente a emigração de outros cidadãos da UE para o Reino Unido.
Esta semana, o primeiro-ministro anunciou a introdução de requisitos que tornarão mais difícil para os imigrantes oriundos dos outros países da UE requererem prestações sociais no Reino Unido. Afirmou que as restrições eram semelhantes às aplicadas em toda a UE e que respeitam as regras da UE.
Se os novos requisitos passarem na avaliação da Comissão Europeia, tudo bem. Contudo, a retórica e a desinformação que acompanharam o anúncio de Cameron não passam no teste do senso comum e do bom gosto.
Populismo emotivo
Num artigo publicado no Financial Times – um jornal com uma tradição de não ter medo de matizes –, Cameron salientou que, a partir de 1 de janeiro, os cidadãos da Roménia e da Bulgária “terão o mesmo direito que outros cidadãos da UE a trabalhar no Reino Unido”. E prosseguia: “Sei que muitas pessoas estão profundamente preocupadas com as consequências que isso poderá ter para o nosso país. Partilho essas preocupações”.
Em tempos que já lá vão, quando os primeiros-ministros tinham menos tendência para o populismo emotivo, ou tinham mais coragem moral, tais preocupações teriam sido enfrentadas – ou teriam mesmo tido uma resposta – mas Cameron só partilha.
Para começar, apresenta as preocupações de uma forma incorreta. Confunde, deliberadamente, a preocupação com o direito de romenos e búlgaros a requererem subsídios com o seu direito a trabalharem. É importante fazer essa distinção, tendo em conta o discurso perigoso sobre “turismo de subsídios”. Os números disponíveis indicam (e o Governo britânico tem sido lento na produção de provas em contrário) que os imigrantes de outros países da UE são contribuintes líquidos para o sistema fiscal e de prestações do Reino Unido.
Mas, despojadas das insinuações sobre pedidos de subsídios, as objeções de Cameron aos trabalhadores imigrantes tornam-se perigosamente semelhantes ao slogan “empregos britânicos para trabalhadores britânicos” – um slogan que tem mais a ver com chauvinismo do que com sentido económico.
Reino Unido precisa da imigração
A dura realidade é que o Reino Unido precisa da imigração. Sem imigração, a economia ressentir-se-ia, em especial – como o próprio Cameron reconhece – se faltarem qualificações à mão de obra nacional. Mas argumentar, como Cameron fez, que o Governo está (tardiamente) a investir na formação não lhe dá carta-branca para condenar os imigrantes atuais.
Talvez por reconhecer que o seu argumento peca por falta de solidez, Cameron preconiza uma revisão das regras da UE em matéria de livre circulação, que, afirma, se terão tornado “um estímulo a vastos movimentos populacionais”.
O contraste com um discurso recente do presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, que pediu que fosse mantido o sentido das proporções e sublinhou que, por cada polaco que trabalha em Londres, há 2 britânicos na costa espanhola, não podia ser mais flagrante. Van Rompuy defendeu a livre circulação de pessoas e pediu aos dirigentes que combatessem o preconceito “com factos, com compreensão, com convicção”. O comissário europeu para o Emprego e Assuntos Sociais, László Andor, tem o mérito de estar a procurar fazer isso. Devia haver mais comissários que seguissem o seu exemplo.
Infelizmente, porém, não são essas as qualidades que Cameron tem mostrado. Em vez disso, lançou-se numa competição que não tem hipóteses de vencer – o seu alarmismo não consegue bater o do UKIP ou o da extrema-direita ainda mais desagradável, nem o de alguns órgãos de comunicação social britânicos.
Se quiser realmente falar da reforma da UE, Cameron deveria pôr de lado a tática do medo. O partido político que lidera foi em tempos o campeão das liberdades da UE; e essas liberdades ainda merecem ser defendidas.
O primeiro-ministro David Cameron defendeu que o Reino Unido tem de “dizer não” aos trabalhadores imigrantes do Leste da Europa e permitir aos jovens britânicos competirem com os imigrantes em melhores condições para um emprego, noticia The Daily Telegraph.
Num discurso para os funcionários de uma fábrica de automóveis, Cameron disse que, em algumas fábricas do Reino Unido, mais de metade dos trabalhadores são de países como a Polónia e a Lituânia enquanto os jovens britânicos são “deixados para trás” e não partilham da prosperidade do país porque não conseguem competir com os trabalhadores estrangeiros.
O primeiro-ministro defendeu uma reforma da segurança social para encorajar as pessoas a trabalhar, um impulso na educação para que os britânicos tenham as qualificações necessárias e um limite à imigração.
Quer dizer, não investe na educação dos britânicos, os países de origem dos imigrantes é que pagam essa formação, sem proveito, a não ser as remessas e quer que os seus compatriotas concorram para lugares para os quais não tem as qualificações exigíveis…
O tipo é esperto, mas parece estar a precisar de um impulso na sua formação!
Afinal os palhaços populistas estão no sistema...
Se fosse possível, era giro que todos os imigrantes no Reino-Unido e noutros países que dizem o mesmo regressassem à sua terra, para ver os reais britânicos a recolherem o lixo…
Isto é um verdadeiro homem às direitas…

Contramaré… 3 dez.

O ministro da Educação, Nuno Crato, confirmou que os professores contratados com 5 ou mais anos de serviço vão ser dispensados da prova de avaliação de conhecimentos, e, em troca, a UGT desconvocará a greve e as acções de contestação. O ministro mostrou-se satisfeito com o compromisso a que chegaram e referiu também que "desde o início que o ministério tinha colocado possibilidades semelhantes a esta", no entanto, "em Agosto não foi possível esse entendimento, que agora é possível".

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Temos do melhor, “exportamos” e ainda ficamos pior!

3 universidades portuguesas integram o "ranking" do Financial Times das melhores escolas de economia e gestão da Europa.
Na lista das melhores 75 escolas surge em 25.º lugar a Universidade Católica, seguindo-se a Universidade Nova de Lisboa em 36.º lugar e a Universidade do Porto em 66.º lugar.
Segundo Francisco Veloso, diretor da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica, o resultado "constitui um enorme orgulho e reafirma a liderança nacional da Escola". "Alcançámos o objetivo de constar entre as 25 melhores Escolas da Europa em apenas 5 anos, metade do tempo a que nos tínhamos proposto", salientou.
A Faculdade de Economia da Universidade Nova (Nova School of Business and Economics) destaca que leciona o 7.º melhor mestrado do mundo e teve 5 prémios noutro "ranking" recentemente conhecido. "A escola tem consciência de que reúne todas as condições para integrar o top 20 europeu e acreditamos que esse salto pode ser dado nos próximos anos", disse o diretor da Faculdade de Economia, José Ferreira Machado.
A Faculdade de Economia do Porto disponibiliza 2 licenciaturas, 15 mestrados (alguns totalmente em inglês) e 2 doutoramentos. Diz a Faculdade na página oficial que os níveis de colocação dos seus alunos no mercado de trabalho rondam os 100%.
Redução da população foi acentuada pela emigração e pode ter impactos negativos na produtividade e no crescimento potencial da economia.
As previsões são da Comissão Europeia. Portugal vai ser o único dos países que tiveram uma intervenção da troika a registar uma redução da sua população residente entre o início da crise financeira internacional e 2015, o ano que se prevê que seja já de retoma em toda a Europa. A redução acumulada será, calcula Bruxelas, de 1,3%, qualquer coisa como 130.000 pessoas.
Na zona euro, apenas 2 países registam uma quebra na população no mesmo período: a Letónia, com uma diminuição de 8,9% e a Estónia, com uma perda de 0,3%. Em toda a União Europeia, acompanham Portugal nesta queda da população 7 países – além da Letónia e Estónia, a Bulgária, Croácia, Lituânia, Hungria e Roménia –, todos eles do Leste europeu e a sofrerem, desde a sua adesão, uma pressão muito forte de saída da população para os países mais ricos do continente devido ao enorme diferencial de rendimentos existente.
No passado recente, antes da crise, a população residente em Portugal crescia. Entre 2004 e 2008, mais 0,4% e, entre 1999 e 2003, mais 0,6%.
Na Grécia, regista-se um aumento da população durante esse período de 0,4%.
Na Irlanda, o aumento projectado da população é de 5%, com uma aceleração acentuada desde 2013.
Em Espanha, país com taxas de desemprego mais elevadas do que Portugal, aponta-se ainda assim para um aumento da população residente entre 2009 e 2015.
Efeito a prazo na economia
Mas se a redução da população em Portugal está directamente relacionada com a actual conjuntura económica difícil, existe agora a preocupação de saber qual o impacto que pode vir a ter na evolução futura da economia. Na prática, o que acontece é que, com menos população, especialmente se a que saiu estava entre a que tinha mais qualificações, a capacidade do país para ser mais produtivo, competitivo, inovador pode-se perder, durante um período muito longo de tempo e o impacto económico pode ser mais significativo.
Não deve haver nenhum português que não fique satisfeito com os lugares conseguidos por Faculdades do seu país quando comparadas com outras de países mais. Mas…
Dada a especificidade dos cursos, exatamente economia e gestão, áreas que interagem e interferem com a riqueza do país e no quotidiano dos seus cidadãos e dadas as más circunstâncias em que o país se encontra e a péssima situação dos contribuintes, fica difícil entender as vantagens de tão prestigioso reconhecimento.
Sempre estive convencido e digo-o frequentemente, que os economistas são os únicos profissionais que não resolvem os problemas em que são peritos, sem consequências nem responsabilidades. E tem-se visto…
Tendo em conta a crescente emigração de gente bem formada, que em 2008 era de 20.357, em 2011 já eram 100.978 e em 2012 somavam 121.418 (mais 17% do que em 2011) e se presume que este ano ande à volta dos 150.000, por um lado é difícil acreditar que em 2015 sejam 130.000, por outro lado é fácil perceber que esta exportação dos nossos melhores, só pode trazer retrocesso em todas as áreas, mas sobretudo na economia.
Se tivermos em conta que os troikianos são economistas (e devem ser bons) e conseguiram, impunemente, gerar esta fuga em massa dos nossos cérebros, fico com a dúvida da vantagem de termos escolas que formam economistas e gestores entre os melhores, se não conseguem alterar, positivamente, o dia-a-dia dos seus concidadãos.
Resumindo, formamos bons especialistas, o país e os pais investem, exportámo-los por falta de trabalho, eles melhoram a vida de outros cidadãos de outros países, que absorvem as mais-valias e nós continuamos na bosta…
Mal comparado, é como se tivéssemos dos melhores médicos do mundo (e temos) e a população morresse de doenças banais…
Há aqui qualquer coisa que não bate certo, a não ser que somos bons, mas parabéns à faculdades e a quem as dirige.
Um dia, muito distante do de hoje e pelo que dizem, talvez os nossos filhos e netos voltem a ser e a ter o que já somos e temos hoje… É isto o progresso e há quem esteja satisfeito…
É o que se chama de "ser-se ambicioso"…

Ecos da blogosfera - 2 dez.

Do divino para a razão e agora para a espiritualidade?

É muito sugestivo iniciar esta discussão com a tão ouvida música de Chico Buarque:
“Todo dia ela faz tudo sempre igual,/me sacode às seis horas da manhã./Me sorri um sorriso pontual/e me beija com a boca de hortelã.” (Chico Buarque, quotidiano, 1971).
É preciso fazer as coisas como se as tivéssemos fazendo pela primeira vez. Não é necessário fazê-las da mesma forma ou da mesma maneira, mas fazê-las a seu modo. Aí lembro-me de Heidegger quando afirmou em “Ser e Tempo” o não dizer o mesmo sobre a mesma coisa não implica trair o ser, mas assumir o mesmo ser numa outra perspetiva.
Jackislandy Meira de M. Silva
Ao ler “Um pequeno manual de Filosofia para sobreviver a um papo cabeça” de Sven Ortoli e Michel Eltchaninoff, deparei-me com problemas e conceitos de Filosofia que fluíam naturalmente numa conversa informal de ambiente de jantar. O comensal estava repleto de ironias; verdades e inverdades iam e vinham em volta da mesa cujo desfecho era sempre inusitado com gargalhadas e alguns goles de vinho no meio de garfadas e mais garfadas de comidas.
Logo na primeira garfada, alguém toma a palavra: “o mundo foi encantado. As primeiras civilizações acreditavam na magia. Recorriam às potestades irracionais. O mundo era regido por forças atuantes, deuses, relâmpagos misteriosos e trevas. Os sacerdotes, feiticeiros, xamãs e outros videntes faziam o papel de telégrafos entre deuses e humanos. Mundo mágico, poético, mitológico, e super-romântico!” (ORTOLI, Sven. ELTCHANINOFF, Michel. Um Pequeno Manual de Filosofia para Sobreviver a um Papo Cabeça. Rio de Janeiro: Agir, 2008. pp. 112-113). A conversa realmente vai ficando apimentado pela magia, até que...
Vem a segunda garfada... “O mundo foi desencantado. Esse processo, denominado Entzauberung pelo sociólogo Max Weber, e revisitado pelo filósofo francês Marcel Gauchet, começou há muito tempo. Assim que os fiéis rechaçaram a magia, qualificada de superstição, o desencantamento adveio. No início, os profetas judeus abalaram o poder dos sacerdotes ao estabelecer uma relação pessoal com o Todo-Poderoso. A magia não era mais uma técnica de salvação. Em seguida, o movimento ganhou impulso inexorável com o protestantismo, no século XVI, que pôs por terra todos os sacramentos tradicionais, manifestações sacralizadas do divino. Assim, passou a prevalecer, sobretudo no calvinismo, a relação individual e solitária com Deus. Ninguém precisava mais de padre para absolver, para promover a redenção e a esperança de misericórdia. Essa atitude espiritual estendeu-se a todo o universo humano. Max Weber mostrou que ela alimentou o espírito do capitalismo e fez progredir o racionalismo no mundo moderno... A partir do século XVIII, o cristianismo serviu apenas como peneira. Religião menos sagrada, mais doce e mais humana, teria desembocado numa moral sem Deus, nova religião dos direitos humanos, identificada com a construção do ideal democrático. Tudo está ligado: secularização e espírito democrático, economia capitalista e racionalização do real. O homem, a sós consigo mesmo, precisava apenas desenrascar-se virar, construir, sem padres, príncipes ou magos, o seu próprio futuro. Tarefa pesada” (Ibidem).
Quando tudo parecia complicado demais, e o homem envergando-se cada vez mais sobre si mesmo ao ponto de nos indicar um desprendimento de Deus para um apego a si...
Tome uma terceira garfada, desta vez de torta de creme: Precisamos reencantar o mundo!
“Polvilhar nele um pouco de magia. O indivíduo contemporâneo chegou ao fim da sua autonomia. Por acreditar apenas nas suas próprias forças, destruiu o seu planeta e não suporta mais os seus semelhantes. Sente saudade das religiões, que o ajudam a pensar e a viver. Quer se volte para o budismo, a jardinagem, a leitura de Paulo Coelho ou o Código Da Vinci, exprime uma necessidade de reencantamento. Trata-se de reencantar o mundo sem voltar à superstição ou ao mero fanatismo” (Ibidem).

Contramaré… 2 dez.

O presidente da Assembleia-Geral da Sociedade Histórica da Independência de Portugal afirmou hoje que “um Estado que não comemora o 1 de Dezembro como o seu principal feriado é um Estado bastardo, sem valores ou dignidade” e salientou que o 1.º de Dezembro é o verdadeiro feriado da Portugalidade e que, se há feriados que deviam ser imutáveis, eles são o 10 de Junho e o 1.º de Dezembro.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Lirvem-nos do S. Francisco de Assis(tencialismo)!

A campanha nos supermercados acontece sábado e domingo em 1.895 estabelecimentos nas 20 regiões do país onde o Banco Alimentar está presente (Lisboa, Porto, Évora, Coimbra, Aveiro, Abrantes, Setúbal, S. Miguel, Cova da Beira, Leiria-Fátima, Oeste, Algarve, Portalegre, Braga, Santarém, Viseu, Viana do Castelo, Terceira, Beja e Madeira) e conta com mais de 40.000 voluntários.
Alunos de uma das faculdades entre as mais bem cotadas no ranking das melhores escolas de Economia e Gestão, podiam ter optado por se dedicar apenas aos estudos e trabalhar para conseguir as melhores notas e médias de curso, mas acreditam que a sua formação fica "mais completa" se dedicarem parte do seu tempo aos outros. E decidiram fazer do voluntariado a forma de se manterem em contacto com os problemas reais que, um dia, esperam ajudar a resolver quando forem economistas e gestores.
Maria Inês Lopes, 20 anos, aluna do 3.o ano de Gestão na Nova School of Business and Economics (NovaSBE), é um dos 300 voluntários que, este ano, participam no "Comunidade Nova", um programa de voluntariado organizado, criado há 3 anos e que tem vindo a crescer, envolvendo este ano 52 instituições. E já não se imagina sem o fazer, mesmo depois de acabar a faculdade. "Já faz parte da rotina. Se eu não for, parece que estou a fazer falta a alguém", diz a jovem que dedica 3 horas por semana à “Ajuda de Berço”, instituição que acolhe bebés.
O objetivo do programa, explica a coordenadora do Gabinete de Desenvolvimento do Aluno, Edite Oliveira - ela própria desde sempre voluntária em várias organizações -, é complementar a formação académica dos alunos "de forma mais pragmática e desenvolvendo competências sociais". "O que eu pretendo é que eles se desenvolvam como pessoas e criem vínculos sociais o mais precoces e fortes possível", disse, explicando que o regulamento obriga a que os alunos deem pelo menos hora e meia por semana a uma causa, mas que muitos ultrapassam esse tempo, "chegando a dar 4 e 5 horas".
O programa, que inclui uma formação de 8 horas e a assinatura de um compromisso de honra - não dá quaisquer créditos. "A única coisa que tem é o reconhecimento através de um certificado entregue no final da licenciatura, um diploma com menção de cidadania", diz a responsável, garantindo que as motivações dos alunos não passam por aí.
Embora reconheçam que o mercado de trabalho cada vez mais valoriza este tipo de experiências - e que podem fazer a diferença num processo de seleção -, os 5 voluntários garantem que as suas motivações são outras. "Ajuda a que nos sintamos mais enobrecidos no dia-a-dia", diz Jerónimo Faustino, 21 anos, que decidiu acompanhar uma vez por semana uma idosa, agora a viver num lar. Magda Monteiro, 18 anos, assegura, 2 vezes por semana, o “Clube da Matemática” da escola básica junto à faculdade e nunca pensou gostar tanto. Todos acreditam que estas experiências os vão fazer encarar o futuro de forma diferente.
No mesmo sentido de Paulo Morais, leia: Alimente-se esta ideia (original)…
ADEUS, MONOTONIA! (excerto)
Cabrão de tempo este, em que se te não vendes não vais lá,
em que toda a gente finge que não é assim, mas é esse o sistema
dos vasos comunicantes da corrupção e da miséria, do "chega para
todos"
, quando afinal chega e sobra sempre para os mesmos.
Talvez eu esteja velho neste "admirável mundo novo",
talvez este futuro ali mesmo ao virar da esquina não me sirva,
talvez eu não sirva ao virar da esquina para este futuro.
Pedem-me, pedem-te, que nos continuemos a sacrificar
por tudo o que ao longo da vida nos prometeram para amanhã.
E se já não acreditas nos amanhãs que cantam, não acredites
também na cantiga que amanhã te darão o que te é devido.
*
A incluir em POEMAS POLÍTICOS, a publicar por Edições Esgotadas em 2014.

Ecos da blogosfera - 1 dez.

Mais depressa se deu a "extinção" dos índios… à bala!

O burro mirandês ganhou projeção mundial. A edição internacional do jornal norte-americano The New York Times faz capa com a espécie portuguesa em vias de extinção, com o título “Tempos difíceis para um pequeno (e felpudo) grupo de europeus”.
O The New York Times começa mesmo por dizer que “não é fácil ser um burro hoje em dia” e acrescenta que, “primeiro, há o problema de imagem”, salientando que esse já não é um problema novo. Depois, a perda de importância do papel do burro mirandês, “mesmo aqui nas altas terras do nordeste português”.
Num artigo completamente dedicado à espécie protegida, o jornal norte-americana aborda as dificuldades em manter viva a espécie, devido aos altos custos que acarreta, acrescentando que esta sobrevive à custa de “subsídios da União Europeia”. A questão central é o apoio que o grupo de 28 países atribui à agricultura, que só este ano recebeu cerca de 57.000 milhões de euros, ou seja, 43% do orçamento total da União Europeia (UE).
Porém, o financiamento à agricultura caíram ligeiramente até 2020 para os 50.000 milhões de euros, cerca de 31% do orçamento da UE, destaca o jornal. Aqui é que entra o problema, pois muitos agricultores afirmam que a sobrevivência do burro mirandês é importante, mas não têm dinheiro para os manter.
Atualmente, a população de burros mirandeses é de cerca de 800 animais. Por cada um, os agricultores recebem uma ajuda anual de cerca de 169 euros, que consideram insuficiente, já que esta espécie custa aos agricultores 478 euros por ano. Vários foram aqueles que já se desfizeram dos burros e muitos outros são aqueles que o dizem fazer, pois não têm capacidade de manter o animal. Até porque, dizem, o papel do burro mirandês perdeu muita importância no dia-a-dia das populações.
Por tudo isto, uma conclusão é certa: vida de burro é difícil, mas pode estar prestes a tornar-se ainda mais.
O jornal norte-americano The New York Times, na sua edição internacional, comparou os portugueses ao burro mirandês. Isto porque, de acordo com aquela publicação, esta raça retrata a situação do País: o seu papel foi essencial durante anos, mas agora está em risco de extinção e vive dependente de verbas da União Europeia.
Ser português é, para o New York Times, ser um burro mirandês: um animal de carga que só não está extinto porque vive dos subsídios. Com a foto de um burro na capa, a edição europeia do jornal analisa a situação económica e social de Portugal.
O jornalista norte-americano Raphael Minder, que deu que falar no País por ter escrito um artigo para o New York Times, no qual se assemelhava a extinção do burro mirandês à situação dos portugueses, assegurou que “não há nenhuma comparação propositada” entre ambos os casos.
Ferreira Fernandes
Há meses croniquei aqui sobre os burros de Miranda ("Afinal nem tudo é asno", 24 de Fevereiro de 2013). Ontem, o The New York Times também se interessou pelo burro mirandês. Raphael Minder , o jornalista, lançou a metáfora: "O destino do burro começa a assemelhar-se ao dos humanos: ameaçado pelo declínio populacional e dependente para sobreviver dos subsídios da União Europeia." Claro, feriu suscetibilidades. Logo se disse que os americanos comparam portugueses ao burro mirandês... Minder, falando para o Público, teve de dizer que longe dele pensar isso. Foi, então, que eu me dei conta da tangente que passei ao apedrejamento. É que eu comparei, mesmo, os portugueses e os burros de Miranda! Mais, ousei dizer que, na comparação, os homens ficavam em desvantagem. É que na minha crónica eu referia o Centro de Acolhimento de burros, em Miranda do Douro, por onde andou agora Raphael Minder. Ali, os velhos transmontanos, de 70 anos, vão levar os companheiros, que aos 35 são tão velhos quanto eles, para terem uma reforma digna. Ali, limam-se os dentes pontiagudos aos burros, cuidam dos cascos e deixam-nos passear sem precisar de arrastar o arado... Confesso que me comovi por ver bem tratados portugueses que ficaram velhos para o mercado de trabalho. Embora também amargo por saber que a outros velhos compatriotas, quando bípedes, se lhes lança a pergunta moderna: "Qual é a parte de "não há dinheiro para ti" que não entendes?"
Bem pode o jornalista “desculpar-se” da comparação insolente, mas depreende-se que a sua estadia por cá, como correspondente, o habilitou com um tipo de humor ou ironia com duplo sentido bem português, que o desmascara da inocência.
Talvez seja tudo verdade, talvez sejamos mesmo burros, mas nenhum estrangeiro tem o direito de achincalhar um povo que não o seu, sobretudo porque o dele tem muitos telhados de vidro e não pode cuspir para o ar…
E a história do seu país tem tantos pecadilhos em tantas áreas sociológicas, que nos levam a concluir que foi bem mais fácil e rápida consumar-se a extinção dos índios, que nem dá para comparar com a extinção dos (burros) portugueses…
Genocídio indígena nos Estados Unidos 
Como se diz por cá: “Só fala quem tem que se lhe diga”!
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Contramaré… 1 dez.

Salários baixos e aumento da taxa de desemprego jovem continuam a marcar as tendências do mercado laboral português.
A reestruturação da economia portuguesa posta em prática pela troika e pelo governo PSD/CDS continua a assentar na redução generalizada do valor do emprego em Portugal. A taxa de desemprego, depois de atingir o pico, viveu o 8.º mês consecutivo de quebra em Outubro, reduções alimentadas pelos empregos que pagam no máximo o salário mínimo - 485 euros brutos por mês. Além disso, o grande flagelo do desemprego jovem continua sem controlo.