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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Contramaré… 13 nov.

Em alto-mar, a 20 quilómetros dos reactores nucleares danificados de Fukushima, uma gigantesca turbina eólica flutuante sinaliza o início da mais ambiciosa aposta em energia limpa já feita pelo Japão.
O Japão foi forçado a olhar mais seriamente para a energia renovável depois dos vários problemas, causados pelo terramoto e pelo tsunami de 2011 em Fukushima, em núcleos de reactores nucleares. Os 50 reactores japoneses estão fechados actualmente, aguardando inspecções.
Os partidários do projecto eólico dizem que os moinhos de vento em alto-mar podem ser um avanço importante para esta nação energeticamente pobre. Estes permitiriam que o Japão usasse um recurso que possui em abundância: o seu litoral, que é mais longo do que o norte-americano.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Os 3 R,s: ou Retoma ou Resgate ou Reestruturação…

O balão de oxigénio concedido pelo BCE, acompanhado pelos ajustes e reformas estruturais nos países periféricos devolveram alguma acalmia à Europa. No entanto, o economista Nouriel Roubini não está assim tão otimista.
De acordo com o mais recente estudo feito pela unidade de análise macroeconómica de Roubini, no médio prazo, o centro das atenções na Europa passará da garantia de estabilidade e sobrevivência do euro para os assuntos como a sustentabilidade da dívida soberana.
Deste modo, "a dívida da Grécia e de Portugal vão precisar de uma reestruturação", revela o estudo, sendo que no caso de Espanha a situação é "insustentável, mas não será feito nada antes de 2015" enquanto na Itália "o endividamento é apenas sustentável".
Segundo a unidade de análise de Roubini, o problema das ferramentas do BCE é que estas estão desenhadas apenas para funcionarem se os governos da periferia cooperarem e mantiveram um espírito razoavelmente reformista.
No próximo, alerta a unidade, este contexto idílico será cada vez mais difícil de manter uma vez que a fadiga da austeridade começará a dar lugar a protestos contra as reformas e a consolidação orçamental.
Nesse sentido, o possível distanciamento entre a troika e os países periféricos será mais evidente quando os respetivos governos se derem conta de que a luz ao fundo do túnel "é na realidade um crescimento medíocre e a continuidade de elevados níveis de desemprego".
"O acordo da troika tem sido um falhanço completo. Os défices orçamentais foram sempre maiores do que os que estavam programados inicialmente", disse Silva Lopes.
"O défice foi sempre pior e o crescimento económico foi sempre mais baixo. O crescimento foi baixo porque as reduções grandes dos défices orçamentais provocaram efeitos recessivos e os efeitos recessivos provocaram, por sua vez, perdas de receita que agravaram o défice. É o chamado ciclo vicioso da austeridade que nos tem estado a afligir de uma forma brutal", sublinhou.

O economista revelou o seu receio pela continuação deste ciclo vicioso. "O Governo até agora e a troika e os alemães não querem reconhecer este ciclo vicioso, mas ele existe e está aqui à vista. Eu receio que o ciclo vai continuar a funcionar no ano que vem".

É notório que o número de apostadores na reestruturação da dívida portuguesa (coisa da esquerda radical…) aumenta a cada dia, vinda de gente com autoridade intelectual e técnica e com isenção político-partidária…
É também cada vez mais frequente, gente com autoridade técnica, apostar na necessidade de Portugal recorrer a um 2.º resgate (ou a um programa cautelar), uns com isenção ideológica, outros comprometidos politica e partidariamente, outros ainda com interesses puramente materialistas…
E fruto dos desenhos feitos pelos que tanto nos quiseram “ajudar”, prometendo o bem-estar e a redenção, impondo-nos uma realidade que hoje sabemos tenebrosa, eis-nos entre estas 2 alternativas, sem que os responsáveis nos construam a ponte para “o país prometido”…
Cá pela terrinha, contrariando a realidade analisada por quem vê de fora do jogo e por isso vê melhor, ainda haverá meia dúzia(?) de ministros (são 15), que passam os dias a ler uns livrinhos de autoajuda, para não se irem abaixo das canetas, tentando passar para os cidadãos um retrato (azul celeste) da realidade, que todos conhecemos (cinza ratos), anunciando-nos a retoma, tornando-os em verdadeiros “bobos dos cortes”…
É o trilema ou a lei dos 3 eRRes: Retoma? Resgate? Reestruturação?
Organizem-se!

Ecos da blogosfera - 12 nov.

Voltar ao nuclear contra o aquecimento global? Ironia?

A Alemanha aposta nas energias verdes, a Polónia investe na extração de gás de xisto e o Reino Unido na construção de novas centrais nucleares: em matéria de energia, a corrente passa mal entre os europeus. Têm, por isso, interesse em adotar uma estratégia comum.
Enquanto uns se lamentam e outros se congratulam, a Comissão Europeia reage com uma simples frase ao projeto do Reino Unido de construir novas centrais nucleares: a energia é, de facto, da competência exclusiva dos Estados-membros. Está inscrito nos tratados europeus. Os Estados são livres de retirarem a sua eletricidade da fissão nuclear, do gás e do carvão ou das eólicas e dos painéis solares. Na sua qualidade de guardiã dos tratados, a Comissão não tem voto nesta matéria. De qualquer maneira, a novidade não espantou ninguém em Bruxelas. Afinal, há muito tempo que os britânicos davam a entender que regressariam ao nuclear para lutarem contra o aquecimento global. Debate encerrado.
No entanto, isto é só parte da verdade. De facto, como os britânicos querem subsidiar a construção das centrais nucleares, o comissário europeu para a Concorrência, Joaquín Almunia, vai ter de se debruçar sobre esses projetos. Ainda assim, a Comissão e o comissário para a Energia, Günther Oettinger, acabam de perder uma oportunidade. A União Europeia tem de abrir urgentemente um debate sobre uma melhor harmonização das políticas energéticas na Europa. À luz das mudanças energéticas operadas no Reino Unido e na Alemanha, está na altura de transpor para a prática os compromissos até aqui apenas verbalizados, de uma maior europeização das políticas energéticas.
O que não atribui soberania energética às instituições europeias. Apesar do progressivo aprofundamento da UE, a competência energética deverá ficar nas capitais, e por várias razões.
Visão nacional é um passo atrás
A política energética toca na segurança. Que melhor prova disto mesmo do que a atitude de Vladimir Putin, que está constantemente a brincar com a torneira do gás? E podemos desde já prever que o Presidente russo voltará a servir-se dessa arma se a Ucrânia, na cimeira da parceira com a UE em Vílnius, em novembro, se aproximar um bocadinho mais dos europeus.
O aprovisionamento energético da indústria e dos particulares é demasiado vital para poder ser confiado a mãos estrangeiras, ou seja, às mãos de Bruxelas – enquanto não houver uma política de segurança comum na Europa.
Por outro lado, a concorrência dos sistemas e o debate sobre a melhor combinação energética podem ter um impacto positivo. Regra geral, a Comissão está atenta para que essa concorrência não seja desvirtuada por subsídios demasiado generosos. Mas porque é que a UE haveria de obrigar os britânicos a escolherem um caminho alemão – a saída do nuclear – que consideram ingénuo, por ser demasiado caro? E porque é que a UE haveria de forçar os alemães a optarem por uma solução britânica – o relançamento do nuclear – que consideram ingénua, por ser arriscada? O tempo nos dirá se as energias eólica e solar nos trarão a segurança do abastecimento e os empregos previstos na economia “verde” ou se a indústria acabará por se expatriar para a Grã-Bretanha. Veremos se a Polónia ganha alguma coisa com a sua controversa opção pelo gás de xisto. 3 modelos que, diga-se de passagem, permitem fazer recuar as emissões de gás de efeito estufa.
Porquê reduzir este leque de soluções? Por 2 razões. A primeira, porque os países europeus – Reino Unido incluído – não são “ilhas energéticas”. Apesar das falhas da rede europeia, o gás e a eletricidade ultrapassam hoje, sem entraves, ou quase, as fronteiras, fazendo muitas vezes caminhos tortuosos para chegarem do ponto A ao ponto B. Assim, no trajeto Estugarda-Paris, só 1/5 da eletricidade faz o caminho mais direto – a restante faz desvios, incluindo os países vizinhos. Por outras palavras, a rede já é europeia. A visão puramente nacional da política energética é um passo atrás.
Repercussões nos países vizinhos
As iniciativas individuais não são isentas de consequências, como demonstrou o exemplo da mudança energética na Alemanha. A saída do nuclear e o desenvolvimento concomitante da produção de eletricidade verde têm pesadas repercussões nos países vizinhos. Durante os picos de produção, enormes quantidades de eletricidade verde são hoje transferidas para as redes holandesa, polaca e checa, porque a rede alemã não tem capacidade para as absorver.
Se a instalação de transformadores por fases pode remediar o problema, é unicamente à custa do desaparecimento, de facto, do mercado energético interno. Mas é evidente que a Alemanha não quer fazer essa escolha, porque no futuro terá de importar corrente durante os picos de consumo que ocorrerem nos períodos de pouco sol ou pouco ventosos. Essa eletricidade poderá vir do nuclear francês e é por isso que a saída total do nuclear é uma miragem.
A concorrência no mercado interno deverá baixar o preço do gás e da eletricidade. Ora, o mercado interno também tem como missão melhorar a segurança do abastecimento e reforçar a independência em relação a países terceiros. Por isso a UE consagra uma parte dos seus fundos públicos à construção de ligações, por exemplo nos países bálticos, que estão dependentes da Rússia. Nesse aspeto, a necessidade de uma melhor coordenação à escala europeia explica-se igualmente sob um ponto de vista de segurança. Os Estados-membros, que atualmente não conseguem fazer barreira a países como a Rússia no que diz respeito ao abastecimento de gás, deverão ter cuidado para não comprometerem a estabilidade do seu abastecimento por má coordenação das suas mudanças energéticas.
Depois de Chernobyl, Fukushima e todos os acidentes silenciados, eis que o lóbi do Nuclear volta em força, agora com a justificação de salvar o planeta do aquecimento global(?), sem colocar na balança a potencial destruição do planeta e das pessoas…
Falácias e ganância. Mas não, Obrigado!

Contramaré… 12 nov.

Presidente do Conselho de Finanças Públicas repetiu as críticas a uma estratégia orçamental no programa português centrada no curto prazo.
Os cortes salariais realizados na função pública são considerados como permanentes na análise do Conselho de Finanças Públicas (CFP) porque essa é a classificação que é feita pela Comissão Europeia, explicou Teodora Cardoso no Parlamento.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Republicando a análise que “instrui o contraditório”...

"Portugal e outros países do Sul da Europa deviam unir-se e dizer que a maneira como os tratam não é aceitável. Quando Portugal, Grécia, Irlanda e Espanha levam a cabo medidas de austeridade, os outros países do Norte da Europa deviam fazer o inverso e estimular a economia. Vocês têm influência na Comissão Europeia, mas não a usam", disse Paul de Grauwe.
Paul de Grawe, da London School of Economics, diz que Cavaco não vive nesta realidade e que masoquismo é não renegociar dívida
Filipe Paiva Cardoso
"Claro que se deve falar disso [reestruturação da dívida]. Estão a transferir receitas para os estrangeiros, que sentido faz isso?", questionou Paul de Grauwe, economista, que rotula de "quase masoquista" os portugueses estarem a "punir-se a si mesmos". Ou antes, talvez seja mais uma questão de sadismo: "É difícil entender como pode o governo magoar a população e sentir-se orgulhoso disso".
Em entrevista à Lusa, Paul de Grauwe, economista belga e professor na London School of Economics, pôs o dedo em todas as feridas portuguesas, sobretudo naquelas de que governo e Presidente da República nem ousam debater seja com quem for - Cavaco, diz, "está a fechar os olhos à realidade".
"Portugal tem tanta austeridade que a dívida se tornou insustentável, algo tem de ser feito. Não acho que consiga sair do problema hoje sem uma reestruturação da dívida." O economista culpa o primeiro resgate e o governo pelo novo resgate que acabará por surgir, nem que de forma disfarçada: "Um novo programa de austeridade vai empurrar Portugal para a insolvência", antecipou, considerando-a "inevitável" quando o país "foi posto numa austeridade tão intensa que se tornou contraprodutiva para a economia".
Em relação a erros, não há grandes dúvidas: "O governo português fez o grande erro de tentar ser o melhor da turma no concurso de beleza da austeridade. Não havia razão para Portugal fazer isso, podia não ser o melhor da turma, podia ser mesmo o pior e isso seria melhor para economia."
Para de Grauwe mais incompreensível que a atitude de ir além da troika é a falta de união entre os países que estão a empobrecer a troco do enriquecimento dos países do Norte da Europa. "Portugal e outros países do Sul da Europa deviam unir-se e dizer que a maneira como os tratam não é aceitável. Quando Portugal, Grécia, Irlanda e Espanha levam a cabo medidas de austeridade, os outros países do Norte da Europa deviam fazer o inverso e estimular a economia. Vocês têm influência na Comissão Europeia, mas não a usam", disse Paul de Grauwe. De imediato apontou o excedente comercial da Alemanha que engordou nos anos da crise até ao recorde de 20,4 mil milhões de euros em Setembro, isto quando em Portugal se cortam nas pensões. "Se uns têm excedentes, outros têm défices."
O economista reflectiu ainda sobre a necessidade de Portugal implementar reformas e sobre "o mito" de ser esse o problema do país. "Foi criado o novo mito de que temos de fazer reformas estruturais. O problema hoje não está do lado da oferta da economia e as reformas estruturais lidam com isso. Claro que temos de ser mais eficientes, mas o problema é que mandamos abaixo a procura e em resultado a economia não cresce. Temos de alterar isso." A má distribuição de rendimentos e a política de baixos salários serão, assim, o problema por atacar: "Portugal fez reformas estruturais, flexibilizou, reformou o mercado de trabalho e não resultou. Porque o problema está do lado da procura."
Quem leu o post anterior, verificará que a diferença não é muita, mas é alguma, pela seleção que o articulista fez de uma entrevista, que não tive a sorte de a encontrar.
Não deixa de ser estranho que já não conste das “Notícias do Google” nenhuma notícia sobre o que disse Paul de Grauwe, dada a relevância do passado, do presente e do futuro do nosso país, bem como para a própria UE e do Euro…
E só por isso, aqui deixo mais uma perspetiva sobre a situação em que nos enredaram, para não sermos formatados apenas pelos “bispos” da situação e termos direito a ouvir o contraditório, para cada um poder ver o que está para além do “inevitável”…
E por falar em “inevitável”, o que era até há meses “inevitável”, a austeridade, parece que agora o “inevitável” é um beco sem saída em vez do túnel com luz ao fundo…
Mas Paul de Grauwe vai mais longe na análise que faz sobre o BCE e as implicações para Portugal, que nos deixam ainda mais revoltados com tanto obscurantismo e tanta conversa da treta sobre minudências…
É preciso avisar toda a gente!
Na Grécia, 2013 e 2014 serão anos de inflação negativa. Em Portugal, a taxa homóloga é de 0,1% e há sinais de que pode descer mais. Com os juros já quase a zero, deve o BCE fazer mais para combater a deflação?
O debate reacendeu-se na Europa na semana passada, quando o Eurostat, na sua estimativa rápida para o mês de Setembro, anunciou que a taxa de inflação homóloga na zona euro deverá ter caído em Outubro de 1,1% para 0,7%. É o valor mais baixo desde 2009, quando a economia mundial se afundou, e mostra que, para além dos países da Europa periférica, também no centro da Europa se assiste a uma queda da inflação para valores historicamente baixos.
Paul de Grauwe, que não tem dúvidas de que "existe um risco de deflação na periferia", defende que o BCE ainda tem muito que pode fazer. "O BCE pode contrariar a deflação comprando títulos de dívida pública na periferia. Isso reduziria as taxas de juro a que as empresas, especialmente as PME, podem obter empréstimos".
O cenário alternativo, avisa, é assustador para Portugal. "Se a deflação acontece, o peso da dívida vai aumentar ainda mais. E aí, a Alemanha e o seu agente, a Comissão Europeia, dirão a Portugal para impor ainda mais austeridade..

Ecos da blogosfera - 11 nov.

Ainda há quem nos compreende, nos avisa e defende

Professor na London School of Economics defende que o país não deverá conseguir fugir a uma reestruturação da dívida e que não é masoquismo os portugueses discutirem este tema, mas sim continuarem a punir-se com mais austeridade.
O economista Paul de Grauwe entende que Portugal cometeu o “erro” de ser o melhor aluno da troika, quando a economia estaria melhor se assim não fosse, e defende um lobby do Sul da Europa para mudar políticas europeias.
“O governo português fez o grande erro de tentar ser o melhor da turma no concurso de beleza da austeridade. Não havia razão para Portugal fazer isso, podia não ser o melhor da turma, podia ser mesmo o pior e isso seria melhor para economia”, considerou o economista belga, para quem Portugal tinha de levar a cabo medidas para reduzir a despesa, mas ao longo de mais anos, de modo a suavizar o impacto económico.
Até economistas do FMI, afirmou, já perceberam que não é possível “fazer a austeridade toda ao mesmo tempo”. “Portugal e outros países do Sul da Europa deviam unir-se e dizer que a maneira como os tratam não é aceitável. Quando Portugal, Grécia, Irlanda e Espanha levam a cabo medidas de austeridade, os outros países do Norte da Europa deviam fazer o inverso e estimular a economia. Vocês têm influência na Comissão Europeia, mas não a usam”, disse Paul de Grauwe.

Para o economista, se os países com contas públicas mais fortes fomentassem a expansão, isso contrariaria a contracção orçamental dos países da periferia. O excedente comercial (diferença entre exportações e importações) da Alemanha, que atingiu um valor histórico em Setembro de 20,4 mil milhões de euros, também é um problema para Paul de Grauwe, já que “se uns têm excedentes, outros têm défices”.

No início do mês, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos já criticou a Alemanha por usar a crise para fomentar excessivamente as exportações. Também o FMI veio entretanto dizer que a Alemanha podia contribuir para a estabilização da economia da Zona Euro se aumentasse o consumo interno.
Para o economista, toda a Europa devia estar comprometida em fazer os países como Portugal saírem da recessão económica, já que o endividamento não é só culpa destes, até porque para haver quem deve tem de haver quem empresta.
Sobre se deve ser colocado um limite ao défice e endividamento da Constituição portuguesa, Paul de Grauwe rejeitou de imediato, já que haverá sempre períodos em que os países têm de aumentar o seu endividamento. “O capitalismo é um sistema fantástico, mas muito instável, que produz altos e baixos, períodos de optimismo e pessimismo, e nos baixos o Governo tem de juntar as peças e os défices necessariamente aumentam. Precisamos de Governos que protejam os cidadãos, que os ajudem. Se não o fizerem, a legitimidade dos Governos fica em causa”, explicou.
“Não acho que consiga sair do problema hoje sem uma reestruturação da dívida”
Contudo, Grauwe considera que Portugal não deverá conseguir fugir a uma reestruturação da dívida e que não é masoquismo os portugueses discutirem este tema, mas continuarem a punir-se com mais austeridade. “Portugal tem tanta austeridade que a dívida se tornou insustentável, algo tem de ser feito. Não acho que consiga sair do problema hoje sem uma reestruturação da dívida”, reiterou, acrescentando que o Presidente da República, Cavaco Silva, está a “fechar os olhos à realidade” quando considerou que é “masoquismo” dizer que a dívida portuguesa não é sustentável.
O professor na London School of Economics lembrou que há uns anos Portugal era um país solvente. No entanto, as políticas de austeridade levaram à recessão económica e aumentaram de tal forma o endividamento que agora corre o risco de não conseguir pagar a sua dívida. “Um novo programa de austeridade vai empurrar Portugal para a insolvência”, antecipou, considerando-a “inevitável” quando o país “foi posto numa austeridade tão intensa que se tornou contraprodutiva para a economia. “Dizem aos portugueses que têm de fazer mais sacrifícios. Para quê? Para pagar a dívida aos países ricos do Norte [da Europa]. Isto será explosivo, os portugueses não vão aceitar isso indefinidamente”, antecipou. Paul de Grauwe defende que numa eventual reestruturação da dívida sejam envolvidos não só os credores privados, mas também os oficiais, caso do Banco Central Europeu (BCE).
A dívida pública de Portugal chegou aos 131,4% do PIB no final de Junho, segundo o Banco de Portugal. O Governo previa que, neste ano, a dívida das administrações públicas atingisse 122,3% do PIB, mas entretanto reviu em alta esse valor para 127,8%. Em Junho de 2011, pouco depois de Portugal ter recorrido à ajuda externa, a dívida era de 106,9% do PIB, ainda assim bem acima dos 71,7% do final de 2008.
“O problema está do lado da procura”
Ainda neste contexto, o economista disse também que a necessidade de reformas estruturais em Portugal é um “mito”, justificando que quem defende essa solução é porque desconhece que é a falta de procura que provoca a recessão da economia. “O problema hoje não está do lado da oferta da economia e as reformas estruturais lidam com isso. Claro que temos de ser mais eficientes, mas o problema é que mandamos abaixo a procura e em resultado a economia não cresce. Temos de alterar isso”, acrescentou.
Para o economista, o que se passa é que os líderes que definem as políticas económicas “foram educados nos anos 70, em que o problema era do lado da oferta da economia”, e não perceberam que a crise económica que a Europa atravessa é de uma dimensão diferente. “Vocês [em Portugal] fizeram reformas estruturais, flexibilizaram, reformaram o mercado trabalho e não resultou. Porque o problema está do lado da procura”, explicou o académico.
O pensamento do economista belga coincide com o de Joseph Stiglitz, prémio Nobel da Economia em 2011 e antigo vice-presidente do Banco Mundial. Para este economista norte-americano, as reformas estruturais europeias “foram desenhadas para melhorar a economia do lado da oferta e não do lado da procura”, quando o problema real é a falta de procura.

Contramaré… 11 nov.

Apesar da indignação pública pela espionagem contra Angela Merkel, a Alemanha talvez esteja mais interessada em aderir ao clube anglo-americano de espionagem do que em coibir as atividades de monitoramento dos EUA. Caso o acordo se aplique, só aos alemães ou a cidadãos da UE, pessoas de outros países ainda poderão ser alvo de espionagem. Independente dos detalhes do planeado acordo de não espionagem, se for semelhante à "Aliança dos 5 Olhos", então é antes um convite à espionagem coletiva do que uma restrição do monitoramento.

domingo, 10 de novembro de 2013

Se o TC for na treta do sr. Gill (S&P) e da Moody's, OK!

A agência de notação financeira Standard & Poor’s defende um 2.º resgate para Portugal, considerando que seria um “fator positivo” para a notação da dívida portuguesa. Um 2.º programa ajudaria até o Governo a “avançar com as suas reformas bastante ambiciosas”, defendeu o diretor dos ratings soberanos europeus, em entrevista.
Frank Gill entende que existe uma “probabilidade forte”, de o governo ter de avançar com um novo pedido de resgate, quando o atual programa estiver prestes a terminar, mas entende que um 2.º programa é encarado “como um fator positivo para o rating” e que “iria ajudar as autoridades para avançar com as suas reformas bastante ambiciosas”.
Gill adverte também para as vantagens do ponto de vista dos juros com “taxas muito baixas”, por se tratar de “financiamento oficial”. “É financiamento com maturidades longas, com taxas de juro extremamente baixas. O que é obviamente bom para o vosso perfil de dívida. E o que nós faremos é refazer o rating da dívida comercial”, avançou.
No entanto, “continua a haver alguma incerteza e preocupação sobre as perspetivas económicas e sobre algumas preocupações para o governo, na progressão dos seus objetivos particularmente ambiciosos”, afirmou o responsável da S&P para a notação da dívida de países europeus, sem se referir diretamente a um potencial chumbo do Tribunal Constitucional às normas mais controversas do Orçamento de Estado, para o qual Frank Gill pensa que o Governo dispõe de “planos de back-up”.
“A nossa preocupação é que em alguns aspetos parece que vai tornar-se difícil para o governo avançar com diversas propostas orçamentais originais. Em parte por preocupações legais a nível interno. Em parte porque é muito difícil, depois da redução orçamental, que já ocorreu, continuar a avançar com cortes no consumo e no investimento público, dado que a economia real é realmente difícil e o desemprego é alto, está a ser um ajustamento muito difícil”, disse.
“Temos uma notação de duplo B para Portugal”, frisou o diretor da S&P para as dívidas soberanas europeias. “Temos uma vigilância negativa, que implica que existe uma probabilidade do rating poder ser menor durante o próximo ano”, disse o responsável, prometendo “continuar a monitorizar o que está a acontecer com a economia real [em Portugal]”.
Como “aspetos positivos”, Frank Gill afirma que “o governo tem feito um enorme progresso de consolidação orçamental”. “Também achamos que globalmente a economia está a equilibrar-se. Portugal está agora a conseguir um superavit substancial na sua conta corrente, que tem sido orientado cada vez mais pela forte performance das exportações do que pela compressão das importações. (...) As maturidades estão a ser alargadas, nos empréstimos oficiais para Portugal e isso aumenta verdadeiramente a sustentabilidade da dívida soberana”
Temos tantos amigos ( a S&P, a Moody’s, a Comissão Europeia, o Eurogrupo, o BCE, etc…), prontos a dar-nos a mão e dinheiro (quase a custo zero), que até parece impossível que rejeitemos um 2.º resgate, que até nos faria subir no ranking da dívida comercial. Somos uns ingratos!
Só não se entende por que o 2.º resgate é bom e o 1.º foi péssimo e nos mandou para o lixo… Muito menos se percebe porque este 2.º resgate nos oferece juros mais baixos do que no 1.º…
E ainda tem o descaramento de gabar o trabalho do governo, chamando de ambiciosas as suas “reformas”, sem explicarem como é que a Irlanda conseguiu sair do buraco, sem o 2.º resgate…
No âmago destas preocupações dos nossos “filantropos” não há dúvidas de que temem mais uns chumbos do Tribunal Constitucional, o que lhes atrasaria o reembolso da “ajuda”, mas sobretudo porque, formalmente, deixariam de nos ter (tão) debaixo da pata…
Por isso, de forma velada, dão a entender que não se pode continuar a avançar com cortes no consumo e no investimento público (se o TC chumbar o que é inconstitucional), dado que deram cabo da economia real e é difícil recuperá-la, enquanto o desemprego vai subindo, concluindo que está a ser um ajustamento muito difícil. Se o ajustamento está a ser difícil com as medidas que impuseram, como é que vai ser facilitado com mais um calote? Só se o 2.º for para lhes pagar o 1.º…
Mas melhor do que eu, talvez valha a pena ler o que alguém mais conceituado, diz, embora transpareça uma certa (im)parcialidade ou opção política…
À luz do que nos tem sido dito repetidamente pelo nosso Governo, o sr. Frank Gill veio dar-nos uma opinião muito improvável para quem é diretor responsável da Standard & Poor’s pelos ratings das dívidas soberanas europeias: afinal, um 2.º resgate pode bem ser um fator positivo para a notação da dívida portuguesa.
Manuel Tavares
A primeira reação é obviamente a de ir consultar os ficheiros do PS, PCP e BE para tentar descortinar alguma ligação do senhor, tal tem sido a tónica posta pelo Governo na identificação da possibilidade de um 2.º resgate com os desejos mais ardentes dos partidos da Oposição. E mais ainda: como a expressão irresponsável de quem não tem a noção de como reagem os mercados ao menor sinal ou tentativa de fazer com a dívida do país o que qualquer cidadão faria com a sua, ou seja, negociar taxas de juro e prazos.
Mas não, este sr. Gill é mesmo o responsável-mor pela avaliação da S&P, a tal agência que também repetidamente nos tem sido apresentada como influenciadora dos comportamentos dos mercados financeiros, para além do aceitável segundo alguns e insubstituível segundo outros. Verdade, isso sim, é que sabemos, de experiência vivida, que tem bastado à S&P tossir para o rating da nossa dívida soberana resvalar para o lixo. Ou seja: para o descrédito.
Apenas estávamos refeitos do arrojo de António José Seguro que, em direto na TVI, anunciou que vai pedir aos portugueses uma maioria absoluta, eis que, em entrevista ao Dinheiro Vivo, a Standard & Poor’s, pela voz autorizada do sr. Gill, nos vem elucidar sobre os benefícios de um 2.º programa de ajuda financeira. A saber: "É financiamento com maturidades longas, com taxas de juro extremamente baixas, o que é obviamente bom para o vosso perfil de dívida...".
Melhor é que este sr. Gill não reclama da nossa governação. Pelo contrário, tece-lhe elogios como estes: "Também achamos que globalmente a economia está a equilibrar-se e Portugal está agora a conseguir um superavit substancial na sua conta-corrente, que tem sido orientado cada vez mais pela forte performance das exportações do que pela compressão das importações [...] As maturidades estão a ser alargadas, nos empréstimos oficiais para Portugal e isso aumenta verdadeiramente a sustentabilidade da dívida soberana".
Interessantes são também as preocupações do sr. Gill com as políticas para o futuro, em relação às quais volta a aproximar-se das oposições: "É muito difícil, depois da redução orçamental, que já ocorreu, continuar a avançar com cortes no consumo e no investimento público...".
Conclusão: não fosse o nosso próprio jogo político-partidário e talvez Portugal pudesse negociar com os credores internacionais uma boa saída. Até um 2.º resgate...
A agência de classificação de risco Moody's anunciou nesta sexta-feira que melhorou a perspectiva da dívida de Portugal de "negativa" para "estável", excluindo uma redução na nota do país em crise.
A Moody's destaca uma "melhoria" da situação orçamental de Portugal e o "compromisso" das autoridades com a redução do défice público, como revela o orçamento de 2014.
A dívida pública de Portugal atinge 130% do Produto Interno Bruto.