Oito bilhões de euros (cerca de 24 bilhões de reais): segundo cálculos do jornal alemão Die Welt, foi o custo da crise financeira para a economia mundial. Ela teve início exatamente há 5 anos, em 15 de setembro de 2008, quando declarou insolvência o banco de investimentos Lehman Brothers, dos Estados Unidos.
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Henry M. Paulson Richard Fuld
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Foi o ápice de uma crise que já estava em ebulição há muito tempo no mercado imobiliário americano, devido a empréstimos hipotecários com más garantias, os chamados subprimes. O que se seguiu é bem conhecido: a economia mundial entrou em recessão profunda, os países tiveram de preparar pacotes bilionários de apoio conjuntural, bancos e companhias de seguro de todo o mundo foram salvos do colapso com verbas bilionárias pagas pelo contribuinte.
De imediato, o G20 se reuniu para apagar o incêndio da crise. A promessa na época era que, no futuro, nenhum agente ou produto financeiro continuaria desregulado. Reformas foram iniciadas para, principalmente, evitar que a falência de um banco pudesse vir a afetar todo o sistema e que os contribuintes deste mundo não tivessem que pagar pela jogatina falida dos bancos.
Os bancos estão seguros?
Hoje, 5 anos após o colapso do Lehman Brothers, a pergunta é: isso poderia vir a repetir-se amanhã ou o mundo financeiro está agora mais bem preparado para acontecimentos dessa ordem? A resposta não é tão clara assim, tratando-se antes de um "sim, mas...". Por exemplo, para Andreas Dombret, membro da diretoria do Banco Central alemão, diz que é cedo demais para suspender o estado de alerta.
Essa opinião também é partilhada por Jörg Asmussen, representante alemão na direção do BCE, que desaconselha que se superestime a "calma relativa" que reina nos mercados financeiros. Mas, apesar de tudo, houve avanços, ressalva.
Martin Faust, da Frankfurt School of Finance and Management, concorda. "Certamente fizeram-se alguns avanços. Hoje, os bancos estão equipados mais solidamente com capital próprio", disse. No entanto, o facto de alguns bancos serem grandes demais ainda é um problema. Se um desses bancos entrar em dificuldades, os Estados, ou seja, os contribuintes, terão que continuar a apoiá-los. "Não houve consequência suficiente. Existe esse conceito de 'too big to fail'. Aqui, na verdade, o tamanho dos grandes bancos internacionais deveria ter sido reduzido", comentou Faust.
Risco de crise continua
Também Sven Giegold, crítico da globalização e eurodeputado pelo Partido Verde, crê que a regulamentação do setor financeiro está no caminho certo. No entanto, o perigo não foi banido, de forma alguma.
Embora os bancos disponham atualmente de mais capital próprio, o reino sombrio dos derivados financeiros esteja cada vez mais transparentes e os fundos de hedge, pelo menos sendo supervisionados, "os perigos de uma crise não foram banidos, porque o endividamento excessivo continua igual", afirmou Giegold. "Assim, estamos sentados sobre a mesma bolha de dívidas, que pode sempre levar a grandes irregularidades, em diferentes setores."
Um passo a mais na prevenção de crises foi dado na última quinta-feira (12/09) pela União Europeia, quando o Parlamento Europeu abriu o caminho para uma supervisão bancária europeia sob a égide do BCE. Dentro de um ano, tal supervisão deverá iniciar suas operações.
De olho no sistema bancário paralelo
Nos próximos anos, também deverá ser controlado o setor bilionário do chamado shadow banking, o sistema bancário sombra ou paralelo, que sustenta operações financeiras fora do alcance das entidades de regulamentação. No seu último encontro da Cimeira, em São Petersburgo, o G20 aprovou finalmente, no início de setembro, um cronograma para poder controlar melhor os fundos de hedge e outras instituições financeiras não reguladas.
Assim, disse a chanceler federal alemã, Angela Merkel, pretendeu-se deixar claro que "nós mantemos a nossa palavra de que todo o agente financeiro, todo o centro financeiro e todo o produto financeiro devem ser submetidos a uma regulamentação. E, nisso, o mundo tem que trabalhar em conjunto".
Por isso, ainda há algum trabalho a fazer. De acordo com Michael Hüther, diretor do Instituto da Economia Alemã (IW), resta um "longo processo de desenvolvimento e aprendizagem". Mas o caminho traçado está predominantemente correto.
Semelhante aos diagramas de saída de incêndio, que se costuma afixar nos edifícios, também os bancos têm agora os seus planos de emergência, que são também conhecidos pelas entidades de supervisão financeira. E isso tira grande parte da insegurança. "Porque o decisivo no dia 16 de setembro, a terça-feira após a falência do Lehman Brothers, foi que ninguém sabia o que devia ser feito. Ninguém atendia ao telefone", aponta Hüther.
Foi realmente necessário?
E até hoje outra pergunta não foi respondida: foi realmente correto deixar o Lehman Brothers falir, ou deveria ter sido apoiado com alguns bilhões, poupando assim o mundo de uma grande crise? Sim, isso teria sido possível, mas, naqueles dias de setembro, o secretário americano do Tesouro chamava-se Henry M. Paulson.
Anteriormente, durante muitos anos, ele fora presidente do banco de investimentos Goldman Sachs. E o seu arqui-inimigo era um certo Richard Fuld, o então presidente do Lehman Brothers. Paulson salvou com 180 bilhões de dólares a mega companhia de seguros AIG. Mas o Lehman Brothers e, assim, o seu antigo adversário Fuld, deixou-o morrer à míngua, mendigando ajuda.
Tendo em conta o princípio do “too big to fail” e que por se defender esse conceito se deveria ter reduzido o tamanho dos grandes bancos internacionais, fica difícil entender-se como será possível acreditar que o caminho aberto para uma supervisão bancária europeia sob a égide do BCE pode resultar, se estão a concentrar numa só instituição a supervisão que antes os Bancos Centrais dos Estados-membros não conseguiram. Estão a criar um supervisor “grande demais para falhar”…
Mas fica assinalado, mais uma vez, quem foram os causadores desta “crise”, os EUA e a Banca mundial e que quem está a pagar as vigarices dos tubarões são mesmo os contribuintes.
Entretanto, na UE as feridas continuam a tratar-se com choques elétricos nas populações inocentes e indefesas, vai-se absolvendo os criminosos e adiando a regulamentação exigida para acabar com a peçonha e os peçonhentos.
Ao contrário, nos EUA, o Governo até ganhou umas maquias bem boas com a situação, fez umas coisas para minorar a fraude e tentar defender os seus cidadãos, sem que os tenha indemnizado com o lucro obtido e o mais grave, não contribuiu com nada para os cidadãos europeus, que foram dizimados, socialmente, com a perrice e a vingançazinha de 2 estarolas, que serviram nos 2 bancos, o Lehman Brothers (que matou e morreu) e o Goldman Sachs (que ainda mexe) e que nos tornaram réus e condenados…
O escravo só o é se não se amotinar, e o caráter do “senhor” está-lhe no ADN…
Mas ainda não acabou a escravidão nem chegou a hora da rebelião.
O Governo dos EUA encaixou um lucro de 21.000 milhões de euros com o resgate aos bancos do país, na sequência da falência do Lehman Brothers, há 5 anos, no auge da crise financeira, revelou esta segunda-feira Casa Branca.