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terça-feira, 22 de outubro de 2013

Doutrinação como estratégia é totalitarismo…

Ao que parece, os políticos da UE não só querem que as pessoas pensem sobre a UE como também querem decidir o que elas pensam. Deviam estar mais abertos ao debate com os eurocéticos de todas as camadas da população.
Nos últimos dias, os jornais De Standaard, Le Soir e Le Nouvel Observateur conseguiram juntar um imponente grupo de caras e filósofos europeus. Mais impressionante ainda, conseguiram organizar um debate em que foram manifestadas diferentes opiniões sérias. Por tal facto, tanto os organizadores como os participantes, merecem o nosso elogio. No entanto, apenas um orador explicitamente eurocético foi convidado/esteve presente. Mas, ao mesmo tempo, foi essa a razão pela qual cada um dos debates que segui me deixou sentimentos contraditórios.
É provável que os nossos líderes europeus e quem está à sua volta tenham medo do euroceticismo e que nunca consigam chegar aos cidadãos, quanto mais envolve-los. Todos os sistemas políticos podem ser posicionados num contínuo entre eficácia e legitimidade. Na UE, esse equilíbrio desfez-se claramente a favor de uma clara vontade de encontrar soluções eficientes para os desafios que a comunidade, no seu todo, enfrenta. Ao mesmo tempo, a UE proclama-se orgulhosamente a si própria como sendo a defensora dos valores da democracia, mesmo para além das suas fronteiras. E é aí que reside o busílis da questão, uma vez que a participação dos cidadãos e a legitimidade do sistema político daí resultante são vitais para a democracia.
Eurocéticos: ameaça ou desafio?
Não nos equivoquemos, as instituições estão preocupadas com o que os cidadãos pensam. Mas os meus dedos crispam-se quando oiço Herman Van Rompuy dizer que não é fácil comunicar com os cidadãos porque só se contentam com uma mensagem positiva una. Ao que parece, os políticos da UE não só querem que as pessoas pensem sobre a UE como também querem decidir o que elas pensam. Isso é totalitarismo com a doutrinação como estratégia de comunicação. E tal afirmação também demonstra que os eurocéticos são quase sempre vistos como uma ameaça e não como um desafio. Por que é que a UE não permite um debate em que estejam presentes as várias opiniões? Por que é que a UE não comunica através do debate – com apoiantes e opositores – que está a decorrer? Para além da diversidade, também precisamos de um debate mais acessível.
Durante o debate de abertura ficou muito claro que é necessária uma alteração de pensamento da UE perante a multidão. Fiquei de boca aberta quando o público, quase unanimemente, se riu de uma mulher que se referiu a Van Rompuy como presidente da Comissão Europeia, em vez de presidente do Conselho. Se alguém que se dá ao trabalho de ir a um debate sobre a UE comete um erro destes, o mínimo que posso esperar é que os participantes percebam que apresentar os candidatos à liderança da Comissão não resolve nada. Certamente, não aumenta o interesse dos cidadãos nas eleições para o Parlamento Europeu de maio do próximo ano.
Assim sendo, gostava de fazer um apelo a todos os que estão envolvidos na política das instituições da UE. Primeiro, sacudam o vosso medo das opiniões alternativas e entrem num debate aberto. Segundo, levem a cabo esse debate na vossa base política local com um público que inclua jovens, pessoas pouco qualificadas e mulheres. E terceiro, oiçam quem dentro das instituições reconhece o desafio e tem propostas realistas e concretas para o resolver. Restam-nos 7 meses.
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Contramaré… 22 out.

Se os últimos 2 anos ficam marcados pela contenção e pela austeridade, ficam também marcados pelo aumento da dívida pública. Entre 2010 e 2012 o endividamento do Estado aumentou 30%. Passou de 94% do PIB para 124,1%. 

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Entre o “inverno” e o “inferno” venha o diabo escolher

A 16 de outubro, o representante do FMI na Grécia, Poul Thomsen, provocou uma onda de frio ao exigir do Governo greco um corte suplementar de mais 2.000 milhões de euros em 2014.
Poul Thomsen “desempenha um papel duro”, escreve Ta Nea, que sublinha que “esta chantagem para novas medidas poderá atrasar o novo ciclo de negociações com a troika para desbloquear a próxima tranche de 1.000 milhões de euros, que poderá não começar antes do início de novembro”.
"Até Junho, vai ser um inferno. Tudo será analisado e julgado com nossos credores", disse o ministro das Finanças, Yannis Stournaras, num dia em que os jornais gregos deram grande destaque a estas preocupações, que descrevem a Grécia como um "refém" no "jogo" entre a troika.
O diário popular centro-esquerda diária Ethnos, por exemplo, titula: "chantagem da troika para um novo memorando".
Atenas e os seus credores internacionais diferem na questão da extensão das necessidades de financiamento da Grécia até 2016, bem como na forma de as preencher. Estas necessidades dizem respeito a um "buraco financeiro", relacionadas com os reembolsos de empréstimos do governo, e a um "buraco orçamental", que diz respeito à relação entre receitas e despesas públicas nas estimativas orçamentais de médio prazo.
No projeto de parecer sobre o Orçamento do Estado para 2014, "o Conselho Económico e Social (CES) considera inaceitável que esta redução remuneratória atinja funcionários de baixos rendimentos, visto que serão abrangidos os funcionários com salários superiores a 600 euros". O CES sublinha que não pode "deixar de discordar com a forma como se vai processar essa prioridade de redução da despesa".
Condena, por isso, que tal diminuição seja feita "através de reduções remuneratórias e de reduções da despesa com prestações sociais, numa altura em que já se verificaram elevadas perdas de rendimento com impacto na procura interna e na qualidade de vida".
O projeto de parecer, elaborado pelos conselheiros João Ferreira do Amaral e João Machado, sugere que "a consolidação orçamental deve ser focada na redução das despesas com consumos intermédios e nas despesas de funcionamento do Estado, em detrimento de mais penalizações sobre os trabalhadores das Administrações Públicas e do Setor Empresarial do Estado e pensionistas, e em detrimento de aumentos da carga fiscal", que prevê cortes nos salários dos funcionários públicos de 2,5% a 12%.
Este corte substitui os cortes entre 3,5% e 10% que entraram no Orçamento do Estado para 2011, mas que se aplicavam a partir dos 1.500 euros.
E cá temos um carrasco bem pago (presume-se) para vergastar ou guilhotinar um povo com a mesma indiferença com que atropelamos um gato. Nem sei se o dito Sr. é bom homem e bom pai de família, mas que é obstinadamente cumpridor de uma prática antissocial contrária aos relatórios da instituição que o “marioneta” não há dúvidas…
E como as medidas são as mesmas que nos receitaram, lá pela terceira vez, cá pela segunda, está-se mesmo a ver o que espera, mesmo que haja defensores espertos, como MRS, que concorda com o PR em não mandar para fiscalização preventiva o OE2014, porque, diz ele, quando o TC decidir da ilegalidade das propostas de roubos, a troika já está de saída. Está, está… Bem se diz e se vê, que estes carrapatos nunca mais nos largam (como já se viu na Irlanda), porque nunca mais teremos possibilidades de pagar a dívida, sem dúvida!
Como se tem verificado, os reparos que o CES tem feito acerca dos Orçamentos de Estado anteriores tem-se concretizado, pelo que merece toda a confiança mais este aviso, entre outros negativos, que também nos trará, não um “inverno”, mas um “inferno”, em que o diabo não é o Sr. dos olhos azuis, mas compatriotas com formação político-religiosa e com representação delegada, democraticamente…
Entre o “inverno” e o “inferno” venha o diabo e escolha!
Haja caridade(zinha)!

Ecos da blogosfera - 21 out.

Uma candeia à nossa frente pode alumiar-nos melhor!

Mas isso é igualmente o que proclamam cada vez mais os apoiantes dos governos que põem em prática a austeridade em Portugal e na Grécia e, em grande medida, é desprovido de sentido. A menos que a taxa de crescimento da economia ultrapasse a fatura crescente dos juros, o nível da dívida pública torna-se insustentável.
Após 3 anos de cortes nas despesas do setor público, a Irlanda parece estar pronta para sair do programa de ajuda da troika no dia 15 de dezembro, mas a que preço? O país continua atolado em depressão e com a sua economia em apuros.
A Irlanda está a ser, uma vez mais, apontada como o aluno exemplar da escola de economia da austeridade na Europa e o Taoiseach [primeiro-ministro], Enda Kenny, diz que o seu Governo vai sair do programa de resgate fixado pela troika. Kenny afirma que o período de austeridade está a chegar ao fim.
Estas duas afirmações são claramente questionáveis, e também esclarecedoras quanto a alguns aspetos importantes da situação na Europa.
A política do Governo de Dublin continuará, ainda, a ser ditada pela troika durante muitos anos. Na realidade, a UE já estabeleceu um sistema de execução orçamental, regulamentação do processo orçamental e sanções que consagrará a austeridade permanente para todos os membros do euro. Além disso, passou a ser habitual o FMI criar uma nova linha de crédito, depois de o montante inicial do resgate se ter esgotado, e essa nova linha impõe novas obrigações. Por conseguinte, não é verdade que a austeridade tenha chegado ao fim. Em contrapartida, os ativos e empréstimos detidos pelos bancos irlandeses ficaram tão desvalorizados devido aos problemas económicos que o risco de um novo resgate dos seus credores está a aumentar.
Fracasso dos Governos de Dublin
Há ainda um motivo de peso pelo qual o que se passa na Irlanda não pode ser reproduzido em países como a Grécia e Portugal. No início da crise, a economia irlandesa era muito mais próspera. E, depois da recessão prolongada vivida na periferia europeia, essa situação mantém-se. Uma medida do fracasso dos sucessivos Governos de Dublin é o facto de as condições de vida terem caído tanto que baixaram para os níveis britânicos, depois de os terem suplantado antes do virar do século passado.
No Reino Unido, são sempre muitas as vozes que querem atribuir todos os males económicos à UE. Contudo, a ameaça de George Osborne [o ministro das Finanças britânico] de manter a austeridade até pelo menos 2018 e insistir no objetivo do excedente orçamental corresponde à austeridade permanente de Bruxelas, Frankfurt e Washington.
A explosão de autorregozijo dos dois lados do Mar da Irlanda é completamente despropositada. Os Governos de Dublin tendem a não possuir a arrogância multissecular da elite política britânica e, por isso, procuram colher aplausos no estrangeiro.
A coligação no poder – entre o Fine Gael, de direita, e o Partido Trabalhista irlandês – parece receber palmadinhas nas costas, ou talvez na cabeça, pela previsão de que as finanças públicas irão passar para aquilo a que se chama um excedente primário, ou seja, o excedente das finanças públicas, excluindo os encargos com os pagamentos dos juros [da dívida]. Mas isso é igualmente o que proclamam cada vez mais os apoiantes dos governos que põem em prática a austeridade em Portugal e na Grécia e, em grande medida, é desprovido de sentido. A menos que a taxa de crescimento da economia ultrapasse a fatura crescente dos juros, o nível da dívida pública torna-se insustentável.
Austeridade não é a solução
Contudo, por enquanto, o risco imediato de incumprimento foi substancialmente reduzido. Essa redução deve-se em parte ao compromisso do BCE de “fazer o que for preciso” para sustentar o euro. O que quer que alargue para um número ilimitado os resgates dos credores, essencialmente bancos europeus e britânicos, mas nem um euro para os governos.
É com esta operação de suporte de vida para os bancos, que agora nos pedem que nos congratulemos. A festa não deve durar muito, visto que a austeridade está a minar a economia. Sem investimento, a capacidade produtiva entra em declínio. Na Irlanda, o novo investimento líquido (depois de deduzidos a depreciação, o desgaste e outros) é próximo de zero. A economia continua em depressão e um dos efeitos desse facto é a acumulação de crédito malparado nos bancos de retalho, incluindo os créditos hipotecários subscritos por pessoas em dificuldades. A austeridade é inimiga do crescimento e não pode solucionar a crise.
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Contramaré… 21 out.

"O que posso dizer, é o princípio pelo qual eu normalmente me rejo nestas situações: faço uma avaliação cuidadosa, recolhendo o máximo de informação sobre os custos de um orçamento não entrar em vigor no dia 1 de janeiro e os custos que resultam de eventualmente uma certa norma ser considerada inconstitucional, já depois de o orçamento estar em vigor", disse Cavaco Silva, no sábado durante a conferência de imprensa da XXIII Cimeira Ibero-Americana. 

domingo, 20 de outubro de 2013

O “bom” da governação, as dúvidas e os protestos…

De acordo com os indicadores de conjuntura divulgados pelo Banco de Portugal, a atividade económica recuperou pela primeira vez desde fevereiro de 2011, 0,1% em setembro (contra os -0,6% observados em agosto), conseguindo o primeiro resultado positivo desde fevereiro de 2011.
O indicador coincidente do consumo privado, por sua vez, que acumula quedas consecutivas desde novembro de 2010, apresentou uma diminuição homóloga de 1,1% em setembro (1,7% em agosto).
Maria Luís Albuquerque não pode apresentar a execução das contas de 2013 como o melhor cartão-de-visita da capacidade de cumprir um Orçamento do Estado de 2014 que tem um nível de exigência sem paralelo na redução do défice público. O défice real deste ano, mesmo depois de um Rectificativo no primeiro trimestre por causa do Tribunal Constitucional, está no limiar dos 6% sem receitas extraordinárias. Para que serve, então, tanta austeridade, senhora ministra?
António Costa
Em 2014, o Governo quer reduzir o défice em cerca de 2,3% do PIB, qualquer coisa como cerca de 3.900 milhões de euros, para 4%, desde logo porque houve uma derrapagem da execução este ano, apesar do enorme aumento de impostos. E, já agora, porque há nova despesa ‘imprevista' no próximo ano. Mas um dos motivos que gera mais oposição a um plano de cortes de despesa que mais cedo ou mais tarde teria de ser aplicado - porque os nossos credores assim o ditam - é precisamente o facto de o esforço ter sido enorme nos 2 últimos anos, com resultados limitados do ponto de vista orçamental. E, claro, nem os sinais de melhoria da situação económica, que todos os indicadores confirmam, chegam para acomodar uma incompreensão generalizada da população.
A reacção dos portugueses, do cidadão comum e dos lobbies, à proposta de Orçamento dá uma ideia da justiça relativa dos cortes, mas a reacção dos mercados foi menos calorosa do que se esperava, sobretudo porque os riscos de execução existem, as dúvidas sobre o que aí vem estão incorporadas e não desapareceram. A maior das quais é, claro, o Tribunal Constitucional e as consequências imprevisíveis de um chumbo de medidas como a lei das 40 horas no Estado, a convergência de pensões ou o corte de salários na Função Pública. São riscos externos ao Governo, mas também há riscos internos, porque há mais de 1.000 milhões de euros que a ministra das Finanças inscreveu no Orçamento de corte de despesa e que, literalmente, não se percebe o que são e onde estão.
Enquanto os riscos de execução não se dissiparem, será virtualmente impossível um regresso aos mercados nos termos em que a ministra das Finanças e o IGCP defendem. E essa é a condição para aceder e garantir o apoio do BCE. É para isto que o Governo apresentou este orçamento, com este tipo de austeridade. 
Por mais voltas que se dêem, por mais retórica política que domine o debate público, é importante olhar para o caso grego e para o que lhes sucedeu nos últimos anos. O Orçamento do Estado para 2014, se for cumprido nos termos em que está, garante o primeiro saldo orçamental primário excedentário. Ontem, o governo grego deu um murro na mesa e recusou mais cortes impostos pela ‘troika' além dos previstos, mas, já agora, acrescente-se, fê-lo depois de uma queda do produto superior a 30% nos últimos anos e quando tem para apresentar um saldo primário positivo. Ainda estamos muito longe dos sacrifícios que foram impostos na Grécia e para o que o país ainda vai passar.
E por isso, como o povo tem direito a protestar, assim foi ontem. Curiosamente não há vistas aéreas da manif, só umas vistas de sapo, que impedem aquilatar a massa de manifestantes… Truques para os “mercadores” não verem…
Milhares de portugueses concentraram-se em Lisboa, para protestar contra o Orçamento de Estado para 2014 que prevê mais cortes na Função Pública, pensionistas e funcionários das Empresas Públicas.
A iniciativa, organizada pela CGTP, começou com um desfile de várias centenas de autocarros pela Ponte 25 de Abril. Os autocarros chegaram de todos os pontos do país e mesmo os que vinham do norte e de Lisboa dirigiram-se a Almada para se juntarem ao cortejo. Forma de contornar o facto de as autoridades não terem autorizado a travessia a pé.
Também no Porto, desta vez a pé sobre a ponte do Infante, desfilaram cerca de 30.000 pessoas, segundo a União de Sindicatos da cidade Invicta.

E pelas mesmas razões, porque isto é concertado e sem conserto, também em Itália não se fez por menos…
Paralelismos, sem (ou com) uso de paralelos…
Milhares de pessoas protestaram hoje em Roma contra a austeridade, num dia em que uma série de greves parciais dos transportes levaram ao cancelamento de dezenas de voos e atrasaram autocarros e comboios em várias cidades de Itália.
A economia de Itália está há 2 anos em recessão, com taxas de desemprego em níveis recorde, e o parlamento discute atualmente o projeto de Orçamento do Estado que prevê novos cortes.
“Estamos a dar dinheiro aos banqueiros! Estamos como um carro a cair de uma falésia”, disse o líder do partido Refundação Comunista, Paolo Ferrero, aos manifestantes reunidos junto à sede da central sindical USB, em Roma.
Bombeiros, operários da indústria do aço, funcionários públicos e estudantes estavam entre os milhares de pessoas que participaram na marcha de protesto pelo centro da capital.

Os manifestantes em Roma preveem acampar numa praça da capital durante a noite para se juntarem a uma manifestação planeada para sábado.

Ecos da blogosfera - 20 out.

“Too big to fail” ou “Too big to fuck us”?

Oito bilhões de euros (cerca de 24 bilhões de reais): segundo cálculos do jornal alemão Die Welt, foi o custo da crise financeira para a economia mundial. Ela teve início exatamente há 5 anos, em 15 de setembro de 2008, quando declarou insolvência o banco de investimentos Lehman Brothers, dos Estados Unidos.
Henry M. Paulson                                                     Richard Fuld
Foi o ápice de uma crise que já estava em ebulição há muito tempo no mercado imobiliário americano, devido a empréstimos hipotecários com más garantias, os chamados subprimes. O que se seguiu é bem conhecido: a economia mundial entrou em recessão profunda, os países tiveram de preparar pacotes bilionários de apoio conjuntural, bancos e companhias de seguro de todo o mundo foram salvos do colapso com verbas bilionárias pagas pelo contribuinte.
De imediato, o G20 se reuniu para apagar o incêndio da crise. A promessa na época era que, no futuro, nenhum agente ou produto financeiro continuaria desregulado. Reformas foram iniciadas para, principalmente, evitar que a falência de um banco pudesse vir a afetar todo o sistema e que os contribuintes deste mundo não tivessem que pagar pela jogatina falida dos bancos.
Os bancos estão seguros?
Hoje, 5 anos após o colapso do Lehman Brothers, a pergunta é: isso poderia vir a repetir-se amanhã ou o mundo financeiro está agora mais bem preparado para acontecimentos dessa ordem? A resposta não é tão clara assim, tratando-se antes de um "sim, mas...". Por exemplo, para Andreas Dombret, membro da diretoria do Banco Central alemão, diz que é cedo demais para suspender o estado de alerta.
Essa opinião também é partilhada por Jörg Asmussen, representante alemão na direção do BCE, que desaconselha que se superestime a "calma relativa" que reina nos mercados financeiros. Mas, apesar de tudo, houve avanços, ressalva.
Martin Faust, da Frankfurt School of Finance and Management, concorda. "Certamente fizeram-se alguns avanços. Hoje, os bancos estão equipados mais solidamente com capital próprio", disse. No entanto, o facto de alguns bancos serem grandes demais ainda é um problema. Se um desses bancos entrar em dificuldades, os Estados, ou seja, os contribuintes, terão que continuar a apoiá-los. "Não houve consequência suficiente. Existe esse conceito de 'too big to fail'. Aqui, na verdade, o tamanho dos grandes bancos internacionais deveria ter sido reduzido", comentou Faust.
Risco de crise continua
Também Sven Giegold, crítico da globalização e eurodeputado pelo Partido Verde, crê que a regulamentação do setor financeiro está no caminho certo. No entanto, o perigo não foi banido, de forma alguma.
Embora os bancos disponham atualmente de mais capital próprio, o reino sombrio dos derivados financeiros esteja cada vez mais transparentes e os fundos de hedge, pelo menos sendo supervisionados, "os perigos de uma crise não foram banidos, porque o endividamento excessivo continua igual", afirmou Giegold. "Assim, estamos sentados sobre a mesma bolha de dívidas, que pode sempre levar a grandes irregularidades, em diferentes setores."
Um passo a mais na prevenção de crises foi dado na última quinta-feira (12/09) pela União Europeia, quando o Parlamento Europeu abriu o caminho para uma supervisão bancária europeia sob a égide do BCE. Dentro de um ano, tal supervisão deverá iniciar suas operações.
De olho no sistema bancário paralelo
Nos próximos anos, também deverá ser controlado o setor bilionário do chamado shadow banking, o sistema bancário sombra ou paralelo, que sustenta operações financeiras fora do alcance das entidades de regulamentação. No seu último encontro da Cimeira, em São Petersburgo, o G20 aprovou finalmente, no início de setembro, um cronograma para poder controlar melhor os fundos de hedge e outras instituições financeiras não reguladas.
Assim, disse a chanceler federal alemã, Angela Merkel, pretendeu-se deixar claro que "nós mantemos a nossa palavra de que todo o agente financeiro, todo o centro financeiro e todo o produto financeiro devem ser submetidos a uma regulamentação. E, nisso, o mundo tem que trabalhar em conjunto".
Por isso, ainda há algum trabalho a fazer. De acordo com Michael Hüther, diretor do Instituto da Economia Alemã (IW), resta um "longo processo de desenvolvimento e aprendizagem". Mas o caminho traçado está predominantemente correto.
Semelhante aos diagramas de saída de incêndio, que se costuma afixar nos edifícios, também os bancos têm agora os seus planos de emergência, que são também conhecidos pelas entidades de supervisão financeira. E isso tira grande parte da insegurança. "Porque o decisivo no dia 16 de setembro, a terça-feira após a falência do Lehman Brothers, foi que ninguém sabia o que devia ser feito. Ninguém atendia ao telefone", aponta Hüther.
Foi realmente necessário?
E até hoje outra pergunta não foi respondida: foi realmente correto deixar o Lehman Brothers falir, ou deveria ter sido apoiado com alguns bilhões, poupando assim o mundo de uma grande crise? Sim, isso teria sido possível, mas, naqueles dias de setembro, o secretário americano do Tesouro chamava-se Henry M. Paulson.
Anteriormente, durante muitos anos, ele fora presidente do banco de investimentos Goldman Sachs. E o seu arqui-inimigo era um certo Richard Fuld, o então presidente do Lehman Brothers. Paulson salvou com 180 bilhões de dólares a mega companhia de seguros AIG. Mas o Lehman Brothers e, assim, o seu antigo adversário Fuld, deixou-o morrer à míngua, mendigando ajuda.
Tendo em conta o princípio do “too big to fail” e que por se defender esse conceito se deveria ter reduzido o tamanho dos grandes bancos internacionais, fica difícil entender-se como será possível acreditar que o caminho aberto para uma supervisão bancária europeia sob a égide do BCE pode resultar, se estão a concentrar numa só instituição a supervisão que antes os Bancos Centrais dos Estados-membros não conseguiram. Estão a criar um supervisor “grande demais para falhar”…
Mas fica assinalado, mais uma vez, quem foram os causadores desta “crise”, os EUA e a Banca mundial e que quem está a pagar as vigarices dos tubarões são mesmo os contribuintes.
Entretanto, na UE as feridas continuam a tratar-se com choques elétricos nas populações inocentes e indefesas, vai-se absolvendo os criminosos e adiando a regulamentação exigida para acabar com a peçonha e os peçonhentos.
Ao contrário, nos EUA, o Governo até ganhou umas maquias bem boas com a situação, fez umas coisas para minorar a fraude e tentar defender os seus cidadãos, sem que os tenha indemnizado com o lucro obtido e o mais grave, não contribuiu com nada para os cidadãos europeus, que foram dizimados, socialmente, com a perrice e a vingançazinha de 2 estarolas, que serviram nos 2 bancos, o Lehman Brothers (que matou e morreu) e o Goldman Sachs (que ainda mexe) e que nos tornaram réus e condenados…
O escravo só o é se não se amotinar, e o caráter do “senhor” está-lhe no ADN…
Mas ainda não acabou a escravidão nem chegou a hora da rebelião.
O Governo dos EUA encaixou um lucro de 21.000 milhões de euros com o resgate aos bancos do país, na sequência da falência do Lehman Brothers, há 5 anos, no auge da crise financeira, revelou esta segunda-feira Casa Branca.

Contramaré… 20 out.

As despesas dos gabinetes dos 56 membros que compõem o actual governo totalizam os 50,6 milhões de euros, de acordo com a proposta de Orçamento do Estado para 2014. Este montante representa um acréscimo de 1,3 milhões de euros em relação ao OE de 2013 e de 3,3 milhões em relação ao OE de 2012, o primeiro elaborado pelo executivo liderado por Pedro Passos Coelho.
O i confrontou o gabinete do primeiro--ministro com estes dados e tentou obter um comentário, mas não obteve qualquer resposta.