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terça-feira, 15 de outubro de 2013

À noite todos os europeus são (cada vez mais) pardos

A vida na União Europeia parece ser melhor que em muitas outras zonas do mundo. Contudo, esse bem-estar está a ser prejudicado pela perda de confiança dos cidadãos nas suas instituições. Essa tendência será um dos principais desafios do próximo escrutínio europeu.
É interessante olhar para fotografias da Europa, tiradas durante a noite por um satélite. As manchas brancas e luminosas indicam abertamente as zonas mais desenvolvidas – o Benelux, a região de Paris, a bacia do Ruhr e o vale do Reno. A planície do Pó brilha igualmente, tal como Roma e os seus arredores e o Golfo de Nápoles. O Reino Unido, Madrid, Barcelona e a costa portuguesa apresentam-se banhados de luz. Na Europa Central, a mancha mais luminosa corresponde à Silésia e Praga, Budapeste, Varsóvia e Gdansk também são distinguíveis. Atenas e Belgrado cintilam. Ao longo do Bósforo e da Istambul das fábulas, avista-se um cordão de luz. Na Roménia, Bucareste – a zona mais iluminada – está ligada a Ploieşti e, mais adiante, um traço pálido rasga as trevas dos Cárpatos, até Braşov. Mais a Leste, há alguns pontos brancos (Kiev, Minsk), até Moscovo que surge como uma ilha branca na imensidade russa.
O Parlamento Europeu decidiu utilizar essa fotografia no cartaz das eleições do próximo ano, com o slogan “Agir. Reagir. Realizar”. Uma imagem vale mais que mil palavras. Na foto, as centenas de milhares de pontos luminosos quase desenham os contornos da União – mais iluminada, no conjunto, do que o Leste da Europa e a África do Norte. Apesar dos seus problemas, a UE continua a ser um lugar melhor que muitos outros nesta Terra: é o que parecem sugerir os criadores do cartaz. No entanto, visto de perto, o brilho europeu começa a esbater-se. A crise do euro, a austeridade – e os problemas sociais que dela resultam – e as dúvidas sobre a viabilidade do modelo social europeu prejudicaram a credibilidade de todas as instituições europeias. Na verdade, minaram a credibilidade do próprio projeto europeu.
União Europeia mais coesa?
Segundo o último Eurobarómetro, de julho de 2013, o número de europeus que perderam a confiança na União ultrapassa os 60%. É o dobro em relação a 2007, antes da eclosão da crise. Nas eleições europeias de junho de 2009, a taxa de participação foi de pouco mais de 43%, muito inferior às taxas de participação de 60% – 70% nas eleições nacionais nas democracias avançadas. Uma percentagem inferior à de 2009 poria seriamente em causa a legitimidade do Parlamento Europeu, que viu os seus poderes reforçados, como previsto no Tratado de Lisboa.
Pela primeira vez, os cidadãos da UE têm a possibilidade de escolher indiretamente, [ao votar um Parlamento que elegerá, por sua vez] a pessoa que ocupará o cargo de presidente da Comissão Europeia nos 5 anos seguintes. O Conselho Europeu proporá um candidato para essa função, tendo em conta os resultados das eleições para o Parlamento Europeu. Essa proposta será depois submetida à aprovação do Parlamento. Deste modo, os candidatos à presidência da Comissão terão de procurar apoios no interior dos Estados-membros, à semelhança do que acontece com os dirigentes políticos locais, nas eleições nacionais. Esse facto deverá estimular o debate e colocar as questões europeias mais perto dos cidadãos.
Mas o Parlamento Europeu já esteve envolvido em decisões cruciais para os cidadãos da UE: a contenção das derrapagens orçamentais, a resposta à crise da dívida soberana, a rutura da relação entre esta última e a dívida pública. Para já não falar do papel fundamental que o Parlamento Europeu conquistou na aprovação do orçamento. O Parlamento deu igualmente a sua luz verde à nova Política Agrícola Comum e à futura governação do espaço Schengen.
Ao longo das últimas décadas, as instituições europeias reagiram a alguns desafios de natureza política, como os deslizes de certos Estados-membros em matéria de normas da democracia e do Estado de direito. À frente dos Estados que cometeram deslizes estão a Hungria e a Roménia, ainda que só a primeira tenha sido alvo de uma resolução do Parlamento Europeu. O grande desafio para o futuro mandato dependerá da direção que o Parlamento imprimir à UE do período pós-crise. Iremos ter uma União Europeia mais coesa, mais próxima do modelo dos Estados Unidos da Europa? Iremos ter uma União de Estados mais ou menos integrados? Ou iremos assistir à dissolução da União? O desafio é imenso e vivemos tempos conturbados.
Propaganda eloquente
Na realidade, o extremismo está a ganhar terreno – e não apenas através da chegada ao poder de formações “marginais”. Os próprios partidos tradicionais utilizam a linguagem dos extremistas, numa tentativa desesperada de travar a fuga de votos. Alguns alcançam esse objetivo, em certa medida, e outros não. Contudo, uma coisa é certa: as eleições nacionais são ganhas mais fazendo campanha contra a UE do que a favor dela.
Na Áustria, a “grande coligação” entre socialistas e democratas-cristãos obteve uma maioria frágil após as eleições. Mas o Partido da Liberdade (FPÖ), fundado por Jörg Haider, foi o único a sair reforçado (21,4% – mais 4% que nas eleições de 2008). E estamos a falar da Áustria, o país que se orgulha de ter a taxa de desemprego mais baixa da UE e de estar a atravessar a crise sem demasiados danos, graças precisamente… ao alargamento da UE!
O que dizer da Grécia? Neste país, o crime político saiu à rua e a detenção dos dirigentes do Alvorada Dourada apenas veio fazer subir a “cotação” dessa formação neofascista. Em França, o lançamento da campanha para as eleições municipais de março próximo provou que tanto o partido de centro-direita UMP como o Partido Socialista irão “pescar” em grande escala ao arsenal propagandístico da Frente Nacional.
As manchas luminosas visíveis no cartaz de propaganda das eleições europeias são eloquentes, mas a verdadeira questão reside em saber se as manchas sombrias das realidades políticas irão ou não obscurecer a mensagem dessas manchas brilhantes.

Contramaré… 15 out.

Os cortes em vigor hoje são de 3,5 a 10% e só se aplicam a partir dos 1.500 euros brutos mensais. A partir do próximo ano são afetados os salários superiores a 600 euros com cortes que vão dos 3,5 aos 15%.
Obedecendo a esta lógica, os salários entre 600 e 2.000 euros levam um corte entre 3,5 e 12%. Nos vencimentos entre 2.000 e 4.000 euros as reduções vão de 12 a 15%. Acima de 4.000 euros a fatia é de 15%.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Há limites para as reformas e limites para a “equidade”!

Paulo Portas atacou ontem aqueles que “sem escrúpulos”, andaram “a assustar” e “alarmar os idosos”. O governo deixou encher o balão durante uma semana, para Paulo Portas esvaziá-lo ontem, garantindo que o corte nas pensões de sobrevivência só vai aplicar-se a quem acumule 2 ou mais pensões que, em conjunto, ultrapassem os 2.000 euros.
A CES que este ano está a ser aplicada a todas as reformas (tanto as do público como as do privado) acima de 1.350 euros deverá manter-se. O corte é de 3,5% a 10%, mas, na parcela das pensões acima dos 7.000 euros, pode chegar aos 40%.
Por esclarecer ficou a situação dos aposentados da Caixa Geral de Aposentações (CGA), que, além da CES, serão afectados pelo diploma da convergência com o privado e que prevê cortes de 10% nas actuais pensões dos funcionários públicos.
A proposta para a revisão das pensões da Caixa Geral de Aposentações (CGA) prevê um corte até 10% para as reformas já em pagamento acima de 600 euros brutos.
No próximo ano, os reformados da Caixa Geral de Aposentações arriscam ver a sua pensão ser sujeita a 2 cortes caso à convergência se junte a manutenção da  Contribuição Extraordinária de Solidariedade. Juntas, as duas medidas farão com que uma reforma de 1.600 euros e que este ano foi reduzida em 56 euros por via da CES, possa ter em 2014 um corte da ordem dos 210 euros.
É salutar que toda a gente esteja preocupada com a situação de sobrevivência dos viúvos e viúvas, perante a ameaça do governo de lhes roubar parte do património (reforma) deixado em herança ao cônjuge sobrevivo, que demonstra que todos ainda temos um sentimento de justiça para com os mais fracos…
Ontem Paulo Portas veio dizer que andavam a assustar os viúvos idosos e que não era caso para tanto, já que apenas 25.000 serão afetados (4.000 euros em média) e só os que somarem um valor de reformas superior a 2.000 euros/mês.
Por outro lado, no que às pensões e reformas diz respeito, por via da convergência (por baixo), da CGA com a Segurança Social, os cortes estão anunciados há meses, com isenções previstas, cujos valores oscilam desde os 600 e os 1.350 euros (brutos), que poderá ser superior a 10%, embora nem eles saibam...
Claro que tudo isto passará pelo Tribunal Constitucional e até lá é farelo para os porcos…
Mas o que importa destacar, nesta procura de justiça e equidade, é a diferença, paradoxal, entre os sobrevivos e os vivos, que a matemática não consegue explicar, muito menos a justiça social.
Vejamos:
Um/a viúvo/a, 1 só pessoa, com reforma de sobrevivência, ficá isenta de cortes (esperemos pelo TC), se tiver um valor mensal de 2.000 euros/mês.
Um reformado, que só um tenha uma reforma e seja casado (2 pessoas vivas), terá cada um que sobreviver com metade do valor da pensão ou reforma. Tendo em conta que os cortes, nestes casos, para quem ganhar entre 600 e 1.350 euros mês, irá descontar (esperemos pelo TC), pelo menos 10%, para além de ter de dividir por 2 o valor dessa reforma, sofrerá cortes abaixo do 2.000 euros/mês que agora se limita aos viúvos/as…
Assim sendo, a “emenda” de Portas é pior do que “a falta de escrúpulos”, que poderá ter “acalmado” os viúvos/as, mas veio assustar e alarmar os idosos casados, que tem o azar de estarem ambos vivos…
Ao contrário do Marquês de Pombal, Portas vem dizer: “Vamos tratar dos mortos e enterrar os vivos”!
Há dois limites para as reformas e vários limites para a “equidade”?

Ecos da blogosfera - 14 out.

“Ossis” ou “wessis” são alemães, que se entendam…

De um lado, os "arrogantes", do outro, os "preguiçosos". Quase 1/4 de século após a queda do Muro de Berlim, alemães ainda não se veem como um único povo. Mas os preconceitos enfraquecem a cada geração.
De 1961 a 1989, os cidadãos da Alemanha Oriental estiveram literalmente murados, confinados ao território ocupado pela antiga União Soviética após a II Guerra Mundial, de onde era praticamente impossível escapar. A República Democrática Alemã (RDA) deveria ser um país onde o socialismo fosse vivido. Porém, no fim da década de 80, ficou comprovado o fracasso da experiência.
Quando a fronteira entre as duas partes do país foi aberta, em 1989, multidões de alemães orientais acorreram para a ocidental República Federal da Alemanha (RFA). Queriam aproveitar a liberdade, viajar e, finalmente, poder comprar o que não havia na RDA.
Desapareceu de cena a roupa que imediatamente identificava os alemães orientais – sapatos cinza-claro, blusões de plástico ou malhas de jogging confecionadas com seda de paraquedas. Também os penteados se modificaram: os permanentes montados com secador deram lugar a cortes modernos.
Logo os "ossis" (apelido um tanto pejorativo para os Ostdeutsche – alemães orientais) não se distinguiam mais exteriormente dos compatriotas do ocidente. No entanto, lá no fundo, as diferenças continuavam a existir, e os preconceitos de ambos os lados permaneceram.
Preconceitos do leste
"Eles são arrogantes, sempre fixados no dinheiro, burocráticos e superficiais": assim Thomas Petersen, do Instituto de Demografia Allensbach, resume a opinião que muitos alemães orientais têm, ainda hoje, sobre os do ocidente. Segundo uma pesquisa de opinião realizada em 2012, os alemães do leste têm mais preconceitos em relação aos ocidentais do que vice-versa. Além disso, o Instituto Forsa, de pesquisa social, constatou que ambos ainda não se veem como um único povo.
Os alemães orientais sentem-se mesmo como "cidadãos de 2.ª classe", diz o sociólogo Andreas Zick, da Universidade de Bielefeld. Os seus estudos mostraram que muitos consideram discriminatórias as condições de vida no ocidente do país.
Embora quase todas as ruas e casas da antiga RDA tenham sido modernizadas e a infraestrutura hoje seja de ponta, os salários da região ainda se encontram cerca de 20% abaixo do nível do ocidente, e as reformas são 10% mais baixas.
Do ponto de vista dos pesquisadores económicos isso se deve, entre outros fatores, ao tipo de empresas existentes na Alemanha Oriental, que muitas vezes são fornecedoras para empresas no ocidente. Assim, são raras as centrais empresariais com postos altamente assalariados. Mesmo as centenas de biliões de euros empregados em subsídios não conseguiram mudar essa tendência. "A deceção é grande", afirma Andreas Zick.
Preconceitos do ocidente
Embora não usem mais a denominação "ossi" com tanta frequência, os alemães ocidentais ainda cultivam clichês em relação aos ex-cidadãos da RDA. Consideram-nos insatisfeitos, desconfiados e temerosos, de acordo com pesquisas dos principais institutos do país. Apenas 43% dos "wessis" associam os do leste com qualidades como "dispostos ao trabalho" ou "flexíveis".
A maioria dos ocidentais deseja o fim, o mais breve possível, do imposto extra, intitulado "de solidariedade" (Solidaritätszuschlag), introduzido para financiar a unificação nacional e reerguer as regiões pertencentes à extinta RDA.
No entanto, ao caracterizarem-se como eternos financiadores dos seus irmãos do leste, esquecem-se que estes também pagam a taxa de solidariedade. O facto, em si, demonstra que a unificação ainda não se completou nas cabeças dos alemães.
Questão de espaço e tempo
"Entre 'ossis' e 'wessis', são simplesmente muito poucas as amizades, não há tantos contactos e relacionamentos quanto seria de desejar", comenta o sociólogo Andreas Zick a propósito do abismo entre as duas visões de mundo.
O demógrafo Thomas Petersen ressalva, porém, que o facto não deve ser interpretado como desinteresse mútuo. "A Alemanha Ocidental é simplesmente 4 vezes maior do que o leste", e as distâncias são, em grande parte, a razão por que as pessoas não se encontram com mais frequência, a fim de se conhecer.
Mas, no fim de contas, tudo é também uma questão de tempo, afirma: "A parcela dos que veem mais diferenças do que semelhanças entre a Alemanha Oriental e Ocidental vem caindo continuamente nos últimos anos". Zick acrescenta: "A 2.ª e 3.ª gerações depois da unificação são muito mais otimistas e registam mais equivalência entre o leste e o ocidente".
Muitos jovens adultos de hoje nunca vivenciaram o Muro de Berlim e a divisão do país. Assim, ao contrário dos inquéritos realizados 10 ou 15 anos atrás, o tom agressivo praticamente sumiu das opiniões expressas.
Os pesquisadores também não se arriscam a predizer quando – ou se – as diferenças desaparecerão inteiramente das cabeças dos alemães. Mas ao menos num ponto a maioria dos "ossis" e "wessis" sempre estiveram de acordo: a reunificação do país, sob o signo da liberdade e da democracia, é um motivo de alegria.

Contramaré… 14 out.

Pelo menos 190 civis perderam a vida, entre os quais 57 mulheres e 18 crianças, de acordo com a Human Rights Watch, que apresenta uma lista dos nomes das vítimas. Entre as vítimas, pelo menos 67 foram executadas, já que não estavam armadas nem tentaram fugir, segundo a mesma organização.
Mais de 200 civis continuam reféns, a maioria dos quais mulheres e crianças, segundo os dados da organização não-governamental.

domingo, 13 de outubro de 2013

O crime não está em quem é roubado, mas nos autores

Sobre o OE, Mendes teme que venha “juntar 2 austeridades” e lamenta que, mais uma vez, tudo indique que vai atingir contribuintes em geral, funcionários públicos e pensionistas e deixe de fora as grandes empresas e a banca. Por isso, propôs ao Governo que, tal como já fez para o sector energético, avance com uma taxa especial para as grandes empresas, PPPs e sistema financeiro. “Não pode ser sempre o mexilhão e o ‘zé povinho’ a pagar”, afirmou.
Manuela Ferreira Leite diz não saber se há uma nova guerra na coligação por causa do corte nas pensões de sobrevivência. Tem no entanto uma certeza: esta medida viola a matriz social-democrata. Por isso, acrescenta, compreende que na passada quarta-feira os deputados do PSD tenham ficado calados quando a medida foi debatida no Parlamento, deixando as despesas de defesa do Governo para o CDS.
“Percebo que os deputados do PSD estejam muito incomodados com esta medida. É que na matriz social-democrata não se aceitam sistemas de segurança social existencialistas. Aquilo que se defende é sistemas de segurança social contributivos”. Para Ferreira Leite, “o partido social-democrata não interfere na vida das pessoas. “As pessoas são livres de fazerem o que entenderem durante a sua vida. Percebo que uma medida que é a transferência sub-reptícia de uma situação contributiva para uma situação existencialista seja algo que incomoda muito um social-democrata.”
E a antiga Presidente do PSD diz não ter nenhuma dúvida “que os deputados sociais-democratas são sociais-democratas e por isso ficam calados porque vão defender algo que é contra a matriz do partido”
“Este Governo não tem rei nem roque, nem sabe o que quer, nem sabe para onde vai”, resume Soares, censurando um Governo que diz estar “moribundo” e que quer “acabar com o Estado social”. E acredita que os responsáveis da governação “vão cair muito antes” de Junho, altura em que está previsto o fim do programa de assistência da troika de credores internacionais. “É inevitável. Antes que o ódio do povo se torne violento.”
Soares acredita que “uma parte do Governo, não são todos, claro, é um Governo de delinquentes” e defende que “estes senhores têm de ser julgados, depois de saírem do poder”.
O bastonário da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (OTOC) diz que "os portugueses têm sido demasiado cordatos" face aos sacrifícios impostos e espera "mais do mesmo" em relação à proposta de OE2014. Para o bastonário, "os cidadãos portugueses andam calmos de mais", considerando que, "ao que tem acontecido na vida pública portuguesa, era para estar a ferro e fogo, com uma guerra civil em cima".
Domingues Azevedo diz que "há uma grande vontade" de arrecadar impostos, mas "uma vontade praticamente inexistente" de tributar as mais-valias e os rendimentos de capital, antecipando que "as injustiças vão continuar" e que "as grandes vítimas deste orçamento vão ser os trabalhadores por conta de outrem".
Ou não informaram Marques Mendes em 1.ª mão ou há sinceridade no que disse ou está a pensar pela sua cabeça e dentro da matriz social-democrata, associando-se aos “verdadeiros Sociais-democratas”…
A denúncia da imaturidade!
Surpreendentemente, Ferreira Leite, António Capucho e Rui Rio, tem sido as vozes dos sociais-democratas que ainda defendem a social-democracia e alertam, ciclicamente, os seus companheiros de partido para a reposição da ideologia nas medidas que impõem ao país, sem qualquer outro crivo que não seja o de cortar, cegamente, direitos e reduzir as obrigações do Estado…
A denúncia da incoerência!
Mário Soares vai mais longe, diz o que disse Marques Mendes e Ferreira Leite, de outra forma, mas será o único a ser criticado, por “chamar os bois pelos nomes” e consequentemente assacar responsabilidades criminosas à delinquência sem freio… A ser assim, todos os anteriores governos deveriam ter o mesmo tratamento, obviamente…
A denúncia do roubo!
Domingues Azevedo vê o mesmo que os militantes dos partidos sociais-democratas veem, mas como Técnico Oficial de Contas, detetando erros na resolução dos problemas de tesouraria, e vai mais longe, ao sublinhar a apatia dos portugueses, que já deviam ter reagido energicamente contra esta imaturidade criminosa e antissocial, que vai continuar até se gerar a implosão que Soares prevê…
A denúncia da incompetência!
E enquanto se discute o roubo das pensões de sobrevivência, não se discute o roubo das pensões e reformas em geral, nem o roubo dos salários na Função Pública…
Moral da história: O crime não está em quem é roubado, mas nos que os roubam!

Ecos da blogosfera - 13 out.

Mão-de-obra europeia já é mais barata do que asiática!

Diante de protestos e salários crescentes em países asiáticos, gigante de Taiwan procura alternativas e encontra no Leste Europeu o solo ideal. O tratamento a trabalhadores, porém, seria tão questionável como na Ásia.
Ma Zishan chora em frente à fábrica chinesa Foxconn. O seu filho está entre os funcionários que se suicidaram.
Trabalho maquinal em turnos de 12 horas ininterruptos, 6 dias por semana. E a pressão implacável para atingir metas e manter a produtividade constante.
Assim é descrito pelos media o quotidiano nos armazéns de montagem da Foxconn na Ásia, de onde saem, para todo o mundo, computadores, smartphones e consolas de videogame. O conglomerado conseguiu otimizar a produção para uma eficiência absoluta e alcança recordes de lucros – porém pagando aos empregados salários que mal lhes garantem a sobrevivência.
Quando, há cerca de 3 anos, 13 operários chineses se suicidaram, a Foxconn caiu no descrédito público. Agora a maior fabricante de componentes eletrónicos do mundo retorna às manchetes, desta vez na Europa, onde também mantém unidades de produção.
Mesmas críticas
Repórteres da revista de informática “c't” observaram durante vários dias a fábrica da multinacional de Ttaiwan em Pardubice, República Checa. Conversaram com o Ministério do Trabalho e os conselhos de empresa, com operários checos e trabalhadores itinerantes, a maioria da Bulgária, Roménia, Vietname e Mongólia.
A apenas 3 horas de carro da cidade alemã de Dresden, a Foxconn fabrica computadores em condições de trabalho comparáveis às da Ásia, onde concentra a maior parte da sua produção. "Um funcionário de escritório não tem ideia de como é cansativo e intenso o trabalho numa linha de montagem", conta Christian Wölbert, repórter da “c't”.
Segundo ele, durante as jornadas de trabalho de 12 horas, não é possível conversar, beber algo ou repousar brevemente. Não que a Foxconn o proíba explicitamente. "Mas o ritmo de produção – ou seja, o número de peças que os operários têm que completar – é tão alto, que distrações mínimas como essas ficam fora de cogitação", explica Wölbert.
Incluídos bónus e horas extras, os empregados recebem cerca de 550 euros por mês, informou a revista alemã de informática. Isso é mais do que o salário mínimo checo, porém equivale a apenas 60% do ordenado médio no país.
Companhia defende-se
Wölbert critica, sobretudo, o sistema de bónus. Os pagamentos extras, de cerca de 100 euros mensais, dependem de como é avaliada toda a linha de produção. "Um indivíduo pode perfeitamente satisfazer a sua quota e, no entanto, ter o bónus cortado, se os colegas não correspondem às normas", afirma.
A direção da Foxconn rechaça essa visão. O diretor-gerente Petr Skoda afirmou que também há pagamento de bónus por bom rendimento individual. Enfatizou, ainda, que a sua empresa define-se como membro da União Europeia e, portanto, "acata todas as leis do bloco". Além disso, defende, as instalações são fiscalizadas regularmente pelas autoridades checas, e a reportagem teria sido uma surpresa para a empresa.
Christian Wölbert rebate que não apontou transgressões legais. Até parte do princípio de que a Foxconn segue os regulamentos da República Checa. "No entanto eu questionaria se os padrões são de facto humanamente dignos, se são aceitáveis os exaustivos turnos de 12 horas nesse sistema."
Dentro desse contexto, o repórter critica a exploração de lacunas na lei, uma vez que partes da fábrica em Pardubice são operadas por subempreiteiras, "que são fundadas a toque de caixa e logo desaparecem de novo, escapando, assim, das sanções francamente aplicáveis".
As acusações contra a Foxconn podem acarretar consequências a nível europeu. A eurodeputada alemã Jutta Steinruck, do SPD, exige que Bruxelas inicie investigações. "Enviei um requerimento para o Conselho da UE e a Comissão Europeia", revelou. Integrante da Comissão da UE para Assuntos Trabalhistas e Sociais, teme que se esteja a criar uma tendência de explorar os trabalhadores nos países mais pobres da UE. "Escravidão moderna não é mais uma raridade em certas empresas e setores da Europa", observa.
Steinruck defende que a União Europeia precisaria de criar postos de aconselhamento para trabalhadores itinerantes, "que muitas vezes não entendem o idioma do país e não têm acesso aos sindicatos."
Europa como alvo
É possível que o requerimento da eurodeputada social-democrata sobre as atividades da Foxconn desperte a atenção dos poderosos da UE, pois acumulam-se as indicações de que poderá expandir-se na Europa. Tanto os protestos de operários na Ásia, em parte violentos, como o nível salarial ascendente na China intensificaram a busca do conglomerado de Taiwan por localizações alternativas.
Observadores não excluem a possibilidade de a Foxconn também se voltar em direção à Europa Central e Sudeste. Embora a média salarial nessas regiões seja superior à asiática, há uma boa infraestrutura, e as rotas de fornecimentos até aos compradores europeus são mais curtas e, portanto, mais lucrativas.
A 40 quilómetros de Pardubice, em Kutnà Hora, a Foxconn já possui uma 2.ª unidade, para produção de servidores informáticos. A multinacional também atua na Eslováquia, onde monta televisores para a Sony.
Outras fabricantes de artigos eletrónicos também já descobriram a região. A “c't” regista que a Flextronics monta computadores para a chinesa Lenovo na Hungria, assim como placas de circuitos da marca Celestia na Roménia. Fábricas do setor eletrónico igualmente despontam mais a leste, na Ucrânia, relata a revista.
Sindicatos mantêm-se de fora
Uma das vantagens para os empresários estrangeiros nos países do extinto Bloco Comunista é o clima político favorável ao empregador. Jennifer Schevardo, do Conselho Alemão para Relações Internacionais (DGAP, na sigla original), revelou que em meados da década de 1990 os governos locais criaram incentivos visando especificamente "atrair formas estrangeiras".
Entre eles, destacam-se os privilégios fiscais e o favorecimento dos investidores em construção. Nesse processo, o papel dos sindicatos foi bastante modesto, aponta Schevardo. Devido aos regimes socialistas, o engajamento pelos interesses laborais e as conquistas sociais são historicamente desvalorizados nesses países.
Além disso, os sindicatos não apresentaram exigências políticas de maior alcance. "Quem cria um grande número de postos de trabalho também ganha um monte de direitos. Não há muito que se meter no assunto", sintetiza a especialista.
A Foxconn já tem antecedentes pouco abonatórios e com tendência para o esclavagismo, sendo acusada de submeter os seus trabalhadores a terríveis condições de trabalho. A empresa foi várias vezes associada ao suicídio de vários dos seus empregados:

Contramaré… 13 out.

O ex-líder do CDS-PP Ribeiro e Castro atacou os cortes nas pensões de sobrevivência, considerando que o Estado deixou de ser “uma pessoa de bem”, tornando o fim das subvenções “indispensável” à sobrevivência da classe política.
“Quando se atingem as pensões de sobrevivência, sobretudo da forma como a notícia foi lançada e justificada, o fim das subvenções dos políticos aparece como a indispensável pensão de sobrevivência desse movimento político”, disse Ribeiro e Castro.