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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Contramaré… 25 set.

Ao contrário do número de vendas de antidepressivos, tranquilizantes e sedativos, que aumentou, os custos destes medicamentos sofreram uma diminuição no custo, tanto para o Estado, como para o utente.
Para assinalar o Dia Europeu da Depressão deste ano, no dia 1 de outubro, a Associação Europeia da Depressão escolheu o tema “Recessão económica e depressão no trabalho”.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

“Santo” italiano preocupado com o nosso bem-estar…

A economia italiana vai crescer menos do que o previsto. O governo baixou as previsões esta sexta-feira.
A economia deverá contrair 1,7% este ano, ou seja, mais 0,4% do que em abril. Para 2014 espera-se o regresso ao crescimento, mas a um ritmo inferior ao previsto também até agora. Isto é, 1% em vez de 1,3%.
Neste contexto, Roma revê em alta o défice das contas públicas, depois de, em maio, Bruxelas ter retirado o país do procedimento por défice excessivo. Segundo Roma, este ano o défice vai superar os 3% e a dívida atingir os 132,9% do PIB. Para o próximo ano, o défice deverá descer para 2,5%, quando antes Roma falava de 1,8%.
Estou farto de dizer por aqui, que é uma pena que os estrangeiros colocados em cargos europeus da mais alta responsabilidade, não vão para os seus países natais que estejam em dificuldade, para aplicarem as medidas de salvação que apregoam para os outros (países). É o caso de tantos, desde o presidente do Eurogrupo (holandês), o do Conselho Europeu (português), o da Comissão Europeia (belga) e o do BCE, o italiano Mario Draghi, para não falar dos Comissários, sobretudo dos ligados à Economia e às Finanças. E os seus concidadãos agradeciam tanto! Mas…
O que aconteceu com a “exportação” do nosso Zé Manel (e do Constâncio) que cá, não dava(m) uma para a caixa e por isso que foram afastados da fonte das asneiras, para não piorar a situação, aconteceu com todos os outros, de que quase ninguém tinha ouvido falar…
No meio das circunstâncias, lembram-se de o ministro alemão da Economia arrotar postas de pescada sobre a situação de Portugal? Pois! Foi corrido do governo, porque o partido a que pertencia nem no parlamento colocou um deputado e o homem perdeu aquela “autoridade” que tem todos os donos de bolas… Ou seja, o que não serviu para os alemães servirá para nós? Ironias…
Mas o que me leva a escrevinhar estes comentários tem a ver com as “sentenças” do presidente do BCE (italiano), que vendo o seu país a resvalar, como o nosso, para a pobreza, preocupa-se mais connosco do que com os seus…
A gente bem sabe que os nossos “contabilistas” não acertam uma (só depois das contas), mas é chega a ser insultuoso alguém fazer o trabalho que lhes compete, mesmo sem competências:
Os leitores escusam de ouvir o que os líderes partidários andam por aí a dizer, durante a campanha eleitoral, sobre o que está em causa nas negociações com a troika.
Ricardo Costa
Pelo menos, escusam de ouvir aquela parte do défice, em que Portas pede sempre mais qualquer coisa e Seguro um pouco mais ainda. Não é que eles não tenham razão - uma folga no défice fazia muita falta - ou que o futuro venha a mostrar que estão certos, já que é bem natural que essa folga nos seja dada a posteriori. Mas o que agora interessa é que a questão foi arrumada de vez. Bastou Mario Draghi falar.
O inglês de Draghi nem sempre é fácil de entender. Mas o que ele diz, como presidente do BCE, é de uma clareza absoluta. Foi assim que há uns tempos acalmou os mercados que apostavam tudo no resgate de Itália e Espanha. E foi assim que, ontem, resolveu o nosso Orçamento de Estado.
O que Mario Draghi disse foi muito simples. Para o BCE qualquer revisão da meta do défice para 2014 será percecionada de forma negativa pelos mercados e impedirá qualquer descida dos juros da dívida portuguesa no mercado secundário. E a prioridade do BCE em relação a Portugal é fazer tudo para que os juros baixem.
Nem Draghi nem o BCE têm mandato para se preocupar com metas do défice. Mas as coisas na Europa andam tão confusas que todos falam sobre temas que não são da sua alçada. A diferença é que quando Draghi fala as coisas acontecem. Desde ontem passou a ser oficial que o nosso Orçamento de Estado terá uma meta de 4%.
E para além da contabilidade, o italiano Draghi, está preocupado com a rapidez do rapinanço das empresas públicas, que prestam serviço público, não por ser italiano, mas por ser obediente a quem o pôs no lugar e por ser, seguramente, crente das doutrinas sociais dos especuladores, que são os mesmos que lhe passam o recibo do pré…  
As declarações ontem do presidente do BCE, Mario Draghi, mostram como as instituições europeias se vergam, já sem pudor, aos mercados, e como estão cada vez mais  indiferentes às sensibilidades (se ainda as houverem) dos países periféricos como Portugal.
Paulo Gaião
Draghi disse que se têm de tratar os mercados com cuidado, não os provocando com mais défice público português porque senão eles reagem "à bruta".
É a teoria da violência dos mercados plenamente legitimada.
A vítima tem que se sujeitar a tudo para não ser brutalizada.
Parece o tempo dos bárbaros, em que o preço da convivência, para não levar pauladas à bruta foi (por exemplo) a queda das vacas romanas para um peso e tamanho abaixo como explica o historiador Bryan Ward-Perkins.
Draghi deu ainda outro diktat a Portugal: "Há muito a fazer na área das privatizações". Só faltou dizer: os portugueses aguentam mais austeridade?, Ai aguentam, aguentam!
Que fazer perante a barbaridade de quem pode?
Uns dirão que não há nada a fazer. É a vida (a história estúpido).  
Mas será assim? Afinal, as armas dos novos bárbaros não são reais, mas apenas de papel.

Ecos da blogosfera - 24 set.

Elogios, extrapolações e o fim de vãs esperanças…

Um 3.º mandato com uma quase maioria absoluta: a chanceler alemã sai das eleições de 22 de setembro mais forte do que nunca no seu país e no continente. Mas o que vai ela fazer com esse poder?, pergunta a imprensa europeia.
“Angela Merkel atordoa os seus rivais políticos”, escreve o Rzeczpospolita. No seu editorial, o diário polaco garante que, durante o terceiro mandato, “a mulher mais importante do mundo” vai mostrar como é que usa o extraordinário poder da Alemanha dentro da UE.
Este 3.º mandato é uma oportunidade para mostrar que a Alemanha é hegemónica em todos os domínios. Manter-se-á fiel à tradição pró-europeia dos chanceles precedentes ou aproximar-se-á perigosamente de uma visão mais radical fustigada nos cartazes nas ruas de Atenas, onde Merkel é representada com o bigode do Führer. [...] Cabe a Angela Merkel fazer reviver o sonho de atração da UE para as gerações futuras.
Angela Merkel é “triunfal”, mas conseguiu “uma vitória que a compromete”, defende Les Echos, em Paris. Depois de uma campanha “parca em pormenores”, o que vai fazer a chanceler?, pergunta o diário francês.
A resposta dependerá, em parte, da capacidade da chanceler em governar sozinha ou com os sociais-democratas. Sobre este assunto, o Eliseu, que há muito espera uma vitória dos adversários de Angela Merkel e depois uma coligação que a reforça, sofreu um revés. [...] No plano externo, Berlim não pode ater-se ao discurso tão vago e oco quanto generoso sobre a organização da Europa. É nestas condições que Angela Merkel entrará na lista dos chanceleres que marcaram a história.
“Merkel grande vencedora”, titula La Stampa. O diário de Turim escreve que o “plebiscito” obtido pelo partido da chanceler, tal como o bom desempenho do SPD – e o insucesso do partido AfD e o declínio dos Verdes – contrasta com a crise que atinge os partidos tradicionais no resto da Europa. E, no futuro,
não haverá viragem na estratégia política, económica e financeira da Alemanha. Os sociais-democratas têm falta de ideias alternativas e não as terão, contrariamente ao que [o candidato do SPD Peer] Steinbrück afirma. O principal resultado das eleições de ontem é que na Alemanha não há alternativa à política posta em prática nos últimos anos por Merkel. Os verdadeiros interlocutores, com autoridade, só podem vir da Europa.
Agora, titula El Periódico, Angela Merkel tem “a Europa a seus pés”. O diário de Barcelona escreve que a chanceler
é a sobrevivente da crise que fez cair Sarkozy, Zapatero, Sócrates, Monti e Berlusconi. [...] Para a Europa, uma coisa é clara. Agora, sem atos eleitorais no horizonte, vamos ver uma chanceler muito mais disposta a tomar decisões. A incógnita é sabermos quais e em que direção, mesmo que já tenha dito não às euro-obrigações e à mutualização da dívida. Ela quer liderar a Europa, fazer uma Europa alemã ou uma Alemanha europeia?
No entanto, apesar de o Financial Times escrever que “Merkel conseguiu ‘um super resultado’”, talvez não seja de esperar demasiado dela. O cronista Wolfgang Münchau defende que ter falhado a maioria absoluta por alguns votos é “o melhor resultado concebível para Angela Merkel”:
Vai continuar no poder – mas, no fundo, nunca houve dúvidas sobre isso. [Merkel] também conseguiu outro dos seus objetivos – tornar impossível a formação de uma coligação entre os 3 partidos de esquerda durante a próxima legislatura. Os alemães vão ter aquilo que querem: uma grande coligação chefiada por um líder sem visão. Só um tonto poderia acreditar que as eleições libertariam a chanceler para dar um salto em frente e resolver a crise de uma vez por todas. Depois das eleições, as coisas não serão muito diferentes daquilo que eram antes.
Mas apesar de tudo, como lembra o Volkskrant, o grande mérito de Angela Merkel é canalizar as tensões da Europa:
Merkel é a rolha da garrafa no que diz respeito às tensões e aos poderes populistas da Europa. Enquanto na Holanda a política perdeu a estabilidade, na Alemanha há Merkel, que respira calma. E é assim que ela ataca os problemas: etapa por etapa.
“Nestas eleições federais, o destino de Angela Merkel confunde-se com o do euro”, estima o Handelsblatt que interpreta o sucesso da chanceler como “uma recompensa pelo seu empenho permanente a favor do resgate da moeda única”.
O diário económico sublinha que a vitória da chanceler cessante demonstra a confiança dos alemães e a sua aceitação da política de austeridade imposta aos países do Sul, em crise.
Angela Merkel também pôs em surdina o debate sobre os riscos do resgate do euro, o que explica o sucesso dos eurocéticos da Alternativa pela Alemanha (4,7% dos votos) segundo o Handelsblatt.
Para o Bild não se trata apenas de uma vitória, é “um gigantesco triunfo para a chanceler”. Com quase 42%, a CDU/CSU conseguiu o seu melhor resultado desde 1990. Mas o FDP, o seu parceiro na coligação cessante, pela primeira vez desde a fundação da República Federal, em 1949, não estará representado no Parlamento.
Há um país que olha para o resultado das eleições alemãs com circunspeção: a Grécia. No seu sítio de Internet, o semanário To Vima escreve que
os alemães disseram um grande sim à soberania do seu país na Europa. Uma soberania erigida sobre as ruínas da parte Sul do que resta do Velho Continente “unido”. Era evidente e previsível: pela sua política, face à crise da dívida, Angela Merkel conseguiu levar uma grande parte da Europa à catástrofe, mas permitiu aos alemães fazerem da Europa um quintal. […] Em Atenas, uma vez mais, desmoronam-se as esperanças vãs.
Merkel já fez saber, claramente, e desde o primeiro instante, que a pressão sobre a Grécia não será aliviada.

Contramaré… 24 set.

Vítor Gaspar, ministro das Finanças até ao início de julho passado, vai reaparecer em público como economista para falar sobre reestruturação de dívida, cenário que sempre repudiou no caso de Portugal, mas que hoje cada vez mais peritos sugerem ser a saída para a crise.
"O incumprimento dos limites originais do programa para o défice e a dívida, em 2012 e 2013, foi determinado por uma queda muito substancial da procura interna e por uma alteração na sua composição que provocaram uma forte quebra nas receitas tributárias. A repetição destes desvios minou a minha credibilidade enquanto ministro das Finanças", disse no início de julho.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Os resultados (ansiados) dos media e os oficiais…

13:54 - 22 de setembro - A chanceler alemã e líder democrata-cristão, Angela Merkel, venceu as eleições gerais realizadas neste domingo no seu país com 42,5% dos votos, enquanto o Partido Social-Democrata (SPD) obteve 26,5%, segundo pesquisa realizada pela televisão pública 'ZDF'.
  • A Esquerda, obteria 8,5%.
  • Os Verdes ficariam com 8% dos votos
  • O partido Alternativa pela Alemanha (AfD) ficaria com 4,8%.
  • O Partido Liberal, de acordo com a projeção 4,5% dos votos.
  • Os Piratas ficariam com 2,5%.
14:03 - 22 de setembro - Duas pesquisas à boca das urnas divulgadas logo após o fecho dos colégios eleitorais na Alemanha, apontam que a coligação de centro-direita liderada pela chanceler Angela Merkel deve perder a maioria no Parlamento.
17:48 - 22 de setembro - De acordo com as primeiras reações que estão ser difundidas pelas agências internacionais, com base nas sondagens à boca das urnas, e que podem entretanto mudar, o líder parlamentar do maior partido alemão, a CDU/CSU de Angela Merkel, mostrou grande contentamento: "Estamos deliciados com este resultado, temos um claro mandato dos eleitores para formar governo, e os resultados mostram que os eleitores querem que Merkel se mantenha como chanceler", disse Volker Kauder em declarações à televisão ARD.
21:43 - 22 de setembro - A chanceler alemã, Angela Merkel, considerou que a vitória nas eleições, com mais de 42% dos votos, a maior votação da CDU desde a reunificação, é "um super-resultado"
08:06 - 23 de setembro - Os democratas-cristãos de Angela Merkel foram o partido mais votado das legislativas alemãs deste domingo.
Segundo os resultados oficiais provisórios:
  • A CDU/CSU obteve 41,5% dos votos;
  • Os sociais-democratas (SPD) reuniram 25,7%;
  • O partido de esquerda Die Linke conseguiu 8,6%;
  • Os Verdes 8,4%;
  • O FDP (parceiro de coligação de Merkel), ficou-se pelos 4,8% e
  • O Alternativa para a Alemanha (AfD), 4,7%.
A participação nestas eleições foi de 71,5%, mais do que em 2009, quando tinha caído para um mínimo de 70%.
O Wall Street Journal (WSJ) escreve hoje que, terminadas as eleições na Alemanha, a zona euro precisa de voltar a focar-se no combate à crise, com Portugal a surgir no topo dos “problemas urgentes”.
“Agora que as eleições alemãs terminaram, a zona euro precisa de voltar ao combate à crise” e “no topo da lista de problemas urgentes está o que fazer em relação a Portugal”, lê-se na notícia com o título “Portugal pode estar a cozinhar uma tempestade”, divulgada pela edição digital do diário.
De acordo com o Wall Street Journal, Portugal é o único dos países em crise que “não tem vindo a retirar qualquer benefício de uma melhoria da perceção em relação à zona euro”.
Ontem à noite, fui-me deitar desiludido qb, com as projeções à boca das urnas sobre os resultados das eleições alemãs, que em tudo que era jornal apontava para uma maioria absoluta, com um (ou outra) exceção, mas pronto!
Os próprios intervenientes na contenda regozijavam-se uns e outros davam os parabéns (muitos forçados) pela vitória arrasadora de Merkel, tão arrasadora que até arrasou com o FDP.
Hoje de manhã, ao procurar confirmar a vitória de ontem, deparei com os resultados oficiais, que não confirmavam a vitória da CDU, mas relativa, o que também não me tirou do sério…
E fiquei a pensar na ansiedade que reinou nas redações dos jornais de todo o mundo em aceitarem, como certas, as sondagens bem como na pressa da sua publicação. Seria um “ato falhado”, a mostrar a vontade/tendência para esse “resultado”? Seria a expressão de uma confiança absoluta nas pesquisas e nos seus métodos “científicos”? E os media podem ser tendenciosos? E com a experiência que tem destas coisas, ainda acreditam, cegamente, nas sondagens?
E levei mais longe as minhas conjeturas, ao pensar na hipótese que hoje se alvitra, de se elegerem os políticos através das redes sociais… Pensando neste precedente, havia de ser bonito, se entrarmos com todos os truques que os espiões já fazem por coisas menores… Imagine-se poder manipular os resultados eleitorais, de acordo com as conveniências. Nem seriam precisos os técnicos de marketing e a vitória seria sempre certa, por processos errados…
Mas o mais estranho é dizer-se agora, passadas as eleições alemãs, que a coisa para nós está ruim, quando há dias, os vencedores alemães diziam que éramos um sucesso… Será que foram eles que nos compraram o aumento verificado nas exportações?
Resumindo, ou tratamos de nós de vez ou estamos tratados de vez…
Não vale a pena esperar pela Alemanha (8:00 - 23 de setembro)
Disse, desde o princípio, que as eleições na Alemanha eram indiferentes para Portugal e para a Europa. Com CDU ou SPD, nada mudará enquanto a Alemanha sentir que esta crise não lhe está a correr mal.
Daniel Oliveira
Na realidade, como já aqui escrevi, Schroeder teve mais responsabilidades na nova estratégia alemã para a Europa e para o Estado Social do que Merkel. Tal como acontece por toda a Europa, o centro-esquerda alemão é incapaz de construir um discurso alternativo. E isso explica porque teve o SPD um dos piores resultados da sua história. Se joga no tabuleiro da CDU, será a CDU que ganha. Também no que toca à política europeia, tão pouco presente na campanha eleitoral alemã, SPD e CDU têm muito poucas diferenças. É até no interior da CDU que temos ouvido velhas vozes mais lúcidas de oposição à política europeia da chanceler.
O nosso problema não é Merkel. Não é sequer a Alemanha. É a dinâmica de repartição de poder económico e político que o euro e os tratados europeus alimentaram. Uma dinâmica de divergência económica e de subalternização das periferias que torna qualquer ideia de solidariedade europeia numa absurda ingenuidade.
É bom convencermo-nos de uma vez por todas que não dependemos da boa vontade dos outros. Os países em crise dependem apenas da sua coragem. Coragem suficiente para confrontar, enquanto o podem fazer, os países economicamente mais robustos com o beco sem saída em que a Europa se está a enfiar. E usarem as duas únicas armas que têm: serem devedores e fazerem parte de um euro que, ao mínimo sopro ou ameaça de deserção, se pode desmoronar. Não se trata de chantagem. Trata-se de um direito: o de não ser obrigado a viver com regras que os vão asfixiar e que apenas favorecem as economias mais fortes. 
Se os portugueses, os gregos, os espanhóis e os irlandeses não querem correr o risco de provocar rupturas europeias de que urgentemente precisam quando tudo lhes corre mal, como podem esperar que os alemães o façam quando se vão safando? Se até grande parte dos portugueses acredita que viveu acima das suas possibilidades, como hão de os alemães acreditar que o problema é outro, mais grave e que envolve toda a Europa e a sua moeda disfuncional?
Não vale a pena esperar que Hollande exista. Esperar que os italianos se afundem e obriguem a Europa a acordar. Não vale a pena, como todos sabemos, esperar que Durão Barroso nos explique porque era a sua ida para a Comissão Europeia tão importante para Portugal. Não vale a pena esperar que os mercados nos achem credíveis porque somos disciplinados. Não vale a pena esperar por um prémio de bom comportamento, quando esta crise não é um castigo por mau comportamento.
Não vale a pena esperar. Se a única posição que podemos realmente influenciar (a do nosso governo) continuar a ser obediente e temerosa, morreremos em silêncio. Se continuarmos a deixar que o governo venda Portugal fora de portas como um exemplo de sucesso das políticas de ajustamento, como podemos esperar que os outros percebam que por aqui se está a destruir um País? Não será seguramente o eleitor alemão, legitimamente preocupado com os seus salários, no seu emprego e na sua economia, a pensar numa crise distante que ele nem percebe bem até que ponto é dramática. Uma crise que lhe dizem que está a ser resolvida com o seu dinheiro. Se até nós, que somos as principais vítimas desta crise, acreditamos que andamos a viver com o dinheiro dos outros, como podemos esperar que os alemães percebam o que se passa aqui? Se nós, que estamos como estamos, elegemos Passos Coelho, porque raio havia o eleitor alemão, que está bem melhor, de não eleger Merkel?

Ecos da blogosfera - 23 set.

Desabafo

Vi agora na televisão que o Paulo Futre acaba de dobrar um filme para crianças. É extraordinário, num país onde os actores profissionais precisam de contratos e de trabalho, qualquer pessoa que se notabilize em qualquer área pode substitui-los num trabalho que eles sabem fazer, estudaram e treinaram-se para isso e é a sua área profissional.
A Lili Caneças já fez Tenessee Williams. Não sei quantas actrizes nesses meses estavam desempregadas, ou a fazer papelinhos na TV para sobreviverem. Os ex-políticos ocupam cargos da área da Cultura, nas Fundações, etc, etc. Será que não há pessoas de Cultura para esses cargos?
Por que é que um Reitor quando se reforma vai para casa e um banqueiro vai para administrador da Gulbenkian?
Os criadores, os actores são uma espécie de ursos que vão para o circo, presos por uma corda e quem ganha o dinheiro é o dono do circo, o dono do urso e o dono da corda. E se algum deles souber dar cambalhotas manda-o abater. Não será altura de dizermos que assim não vale.
Eu estou farta.
Não quero que nos dêem emprego, quero que não nos tirem os nossos.
Maria do Céu Guerra

Uma receita que ontem valia, mas hoje funcionará?

O analista, Wolfgang Münchau, diz que a Alemanha está a fazer tudo mal. E lembra que Merkel é uma gestora e não uma mulher de ideias políticas.
Isabel Tavares
"Pai, posso ir à casa de banho?", pergunta um miúdo alemão. "Só depois das eleições", responde-lhe o pai. A anedota circula na internet e serve para Wolfgang Münchau, colunista do "Financial Times" e fundador da Eurointelligence, ilustrar a dependência dos alemães das eleições legislativas que se realizaram ontem amanhã. A verdade é que a expectativa não deixa apenas a Alemanha em suspenso, mas toda a Europa. Mesmo Münchau, que acredita que os outros países atribuem demasiada importância às decisões da Alemanha e dão a Merkel um protagonismo que esta não tem, admite que há medidas que devem esperar pelos resultados eleitorais. É o caso de Portugal, que deve agir imediatamente e decidir se fica ou sai do euro, uma questão prática e não de princípio, caso o governo queira ter algum poder negocial. Que tem.
Que europeu é Wolfgang Münchau?
Nunca pensei nisso... Para mim, ser europeu e ter uma nacionalidade não é conflituoso, nunca assumi o facto de ser europeu como um substituto de uma nacionalidade, como a perda de identidade enquanto cidadão de um país. Não é como os americanos e os Estados Unidos da América.
Como é, então?
Sempre vi a Europa como algo diferente dos Estados Unidos da América. Não cabe na definição de federação, de Estado-nação, de confederação ou, tão-pouco, de uma união no sentido clássico, de um clube de trocas ou de uma união de clientes. Tem a sua construção e estrutura própria e talvez seja o modelo do futuro, talvez tenha seguidores no século XXII, mas é um projecto bastante sui generis.
Há uma corrente que defende mais federalismo para a União Europeia...
O normal, na maioria dos países, é o Estado ter um peso de entre 30% e 60% na riqueza produzida - na Europa, um pouco mais; nos Estados Unidos da América, um pouco menos. A União Europeia nunca chegará lá. O tipo de Europa que eu imagino gastará muito menos do que isso, o que também mostra que a União Europeia não é nada como os Estados Unidos, é muitíssimo menor. Claro que, se olharmos para a zona euro, por exemplo, ela requer um certo grau de estruturas federativas no campo económico. Penso que qualquer coisa como 5% é mais do que suficiente para garantir o seu funcionamento, a sua estabilidade e a gestão de choques económicos que possam ocorrer de tempos a tempos - criando sistemas que nos permitem lidar com os problemas de dívida de uma forma muito mais eficaz do que aquilo que estamos a fazer neste momento. É por isso que defendo um pequeno centro de decisão, forte mas não alargado. Portanto, não sou um pró-europeu que acha que nos estão a transformar num Estado único, porque não acho.
A dívida é o nosso maior problema ou existem outras questões mais difíceis de resolver e que estão a dificultar o encontrar uma solução para este problema em concreto?
Penso que os problemas estão interligados. A crise da dívida é o problema imediato, a razão pela qual a economia não está a crescer e, como a economia não cresce, há demasiada gente desempregada. Se queremos resolver o problema do desemprego, temos de ir à sua raiz, a crise da dívida. Por isso, é para esta que tem de se encontrar uma solução. É a crise da dívida que está a impedir que a economia cresça a jusante da cadeia.
Começa a ser cada vez mais difícil a Portugal pagar a sua dívida. Um 2.º resgate é a solução?
Mesmo um 2.º resgate não iria ajudar. Um resgate não é mais do que um crédito, não reduz a dívida, a única coisa que faz é adiar o problema. Pode aliviar no curto prazo, mas não resolve nada numa perspectiva de longo prazo.
Porque é que Portugal não está a conseguir recuperar? O que falhou?
Todos os programas se basearam em hipóteses demasiado optimistas. No caso de Portugal, ninguém estimou previamente o impacte do Tribunal Constitucional, por exemplo. Mas o ponto principal nem é tanto a dificuldade em atingir um certo nível de austeridade, mas a dificuldade em regressar ao nível de crescimento necessário para a dívida ser sustentável.
O que é que pode ajudar Portugal?

Contramaré… 23 set.

John Kerry argumentou ser possível a destruição das armas químicas da Síria por via pacífica, mas disse que, para isso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas teria de “estar preparado para actuar” em vez de regressar à questão sobre a autoria dos ataques. “O tempo é curto. Não o vamos gastar a debater o que já sabemos”, apelou Kerry. O secretário de Estado dos EUA fez este apelo um dia após a Rússia ter classificado como “incompleto” e “politizado” o relatório dos inspectores da ONU e ter defendido que o Conselho de Segurança (onde tem um membro permanente com direito a veto) deve analisar mais provas e testemunhos.