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terça-feira, 24 de setembro de 2013

Contramaré… 24 set.

Vítor Gaspar, ministro das Finanças até ao início de julho passado, vai reaparecer em público como economista para falar sobre reestruturação de dívida, cenário que sempre repudiou no caso de Portugal, mas que hoje cada vez mais peritos sugerem ser a saída para a crise.
"O incumprimento dos limites originais do programa para o défice e a dívida, em 2012 e 2013, foi determinado por uma queda muito substancial da procura interna e por uma alteração na sua composição que provocaram uma forte quebra nas receitas tributárias. A repetição destes desvios minou a minha credibilidade enquanto ministro das Finanças", disse no início de julho.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Os resultados (ansiados) dos media e os oficiais…

13:54 - 22 de setembro - A chanceler alemã e líder democrata-cristão, Angela Merkel, venceu as eleições gerais realizadas neste domingo no seu país com 42,5% dos votos, enquanto o Partido Social-Democrata (SPD) obteve 26,5%, segundo pesquisa realizada pela televisão pública 'ZDF'.
  • A Esquerda, obteria 8,5%.
  • Os Verdes ficariam com 8% dos votos
  • O partido Alternativa pela Alemanha (AfD) ficaria com 4,8%.
  • O Partido Liberal, de acordo com a projeção 4,5% dos votos.
  • Os Piratas ficariam com 2,5%.
14:03 - 22 de setembro - Duas pesquisas à boca das urnas divulgadas logo após o fecho dos colégios eleitorais na Alemanha, apontam que a coligação de centro-direita liderada pela chanceler Angela Merkel deve perder a maioria no Parlamento.
17:48 - 22 de setembro - De acordo com as primeiras reações que estão ser difundidas pelas agências internacionais, com base nas sondagens à boca das urnas, e que podem entretanto mudar, o líder parlamentar do maior partido alemão, a CDU/CSU de Angela Merkel, mostrou grande contentamento: "Estamos deliciados com este resultado, temos um claro mandato dos eleitores para formar governo, e os resultados mostram que os eleitores querem que Merkel se mantenha como chanceler", disse Volker Kauder em declarações à televisão ARD.
21:43 - 22 de setembro - A chanceler alemã, Angela Merkel, considerou que a vitória nas eleições, com mais de 42% dos votos, a maior votação da CDU desde a reunificação, é "um super-resultado"
08:06 - 23 de setembro - Os democratas-cristãos de Angela Merkel foram o partido mais votado das legislativas alemãs deste domingo.
Segundo os resultados oficiais provisórios:
  • A CDU/CSU obteve 41,5% dos votos;
  • Os sociais-democratas (SPD) reuniram 25,7%;
  • O partido de esquerda Die Linke conseguiu 8,6%;
  • Os Verdes 8,4%;
  • O FDP (parceiro de coligação de Merkel), ficou-se pelos 4,8% e
  • O Alternativa para a Alemanha (AfD), 4,7%.
A participação nestas eleições foi de 71,5%, mais do que em 2009, quando tinha caído para um mínimo de 70%.
O Wall Street Journal (WSJ) escreve hoje que, terminadas as eleições na Alemanha, a zona euro precisa de voltar a focar-se no combate à crise, com Portugal a surgir no topo dos “problemas urgentes”.
“Agora que as eleições alemãs terminaram, a zona euro precisa de voltar ao combate à crise” e “no topo da lista de problemas urgentes está o que fazer em relação a Portugal”, lê-se na notícia com o título “Portugal pode estar a cozinhar uma tempestade”, divulgada pela edição digital do diário.
De acordo com o Wall Street Journal, Portugal é o único dos países em crise que “não tem vindo a retirar qualquer benefício de uma melhoria da perceção em relação à zona euro”.
Ontem à noite, fui-me deitar desiludido qb, com as projeções à boca das urnas sobre os resultados das eleições alemãs, que em tudo que era jornal apontava para uma maioria absoluta, com um (ou outra) exceção, mas pronto!
Os próprios intervenientes na contenda regozijavam-se uns e outros davam os parabéns (muitos forçados) pela vitória arrasadora de Merkel, tão arrasadora que até arrasou com o FDP.
Hoje de manhã, ao procurar confirmar a vitória de ontem, deparei com os resultados oficiais, que não confirmavam a vitória da CDU, mas relativa, o que também não me tirou do sério…
E fiquei a pensar na ansiedade que reinou nas redações dos jornais de todo o mundo em aceitarem, como certas, as sondagens bem como na pressa da sua publicação. Seria um “ato falhado”, a mostrar a vontade/tendência para esse “resultado”? Seria a expressão de uma confiança absoluta nas pesquisas e nos seus métodos “científicos”? E os media podem ser tendenciosos? E com a experiência que tem destas coisas, ainda acreditam, cegamente, nas sondagens?
E levei mais longe as minhas conjeturas, ao pensar na hipótese que hoje se alvitra, de se elegerem os políticos através das redes sociais… Pensando neste precedente, havia de ser bonito, se entrarmos com todos os truques que os espiões já fazem por coisas menores… Imagine-se poder manipular os resultados eleitorais, de acordo com as conveniências. Nem seriam precisos os técnicos de marketing e a vitória seria sempre certa, por processos errados…
Mas o mais estranho é dizer-se agora, passadas as eleições alemãs, que a coisa para nós está ruim, quando há dias, os vencedores alemães diziam que éramos um sucesso… Será que foram eles que nos compraram o aumento verificado nas exportações?
Resumindo, ou tratamos de nós de vez ou estamos tratados de vez…
Não vale a pena esperar pela Alemanha (8:00 - 23 de setembro)
Disse, desde o princípio, que as eleições na Alemanha eram indiferentes para Portugal e para a Europa. Com CDU ou SPD, nada mudará enquanto a Alemanha sentir que esta crise não lhe está a correr mal.
Daniel Oliveira
Na realidade, como já aqui escrevi, Schroeder teve mais responsabilidades na nova estratégia alemã para a Europa e para o Estado Social do que Merkel. Tal como acontece por toda a Europa, o centro-esquerda alemão é incapaz de construir um discurso alternativo. E isso explica porque teve o SPD um dos piores resultados da sua história. Se joga no tabuleiro da CDU, será a CDU que ganha. Também no que toca à política europeia, tão pouco presente na campanha eleitoral alemã, SPD e CDU têm muito poucas diferenças. É até no interior da CDU que temos ouvido velhas vozes mais lúcidas de oposição à política europeia da chanceler.
O nosso problema não é Merkel. Não é sequer a Alemanha. É a dinâmica de repartição de poder económico e político que o euro e os tratados europeus alimentaram. Uma dinâmica de divergência económica e de subalternização das periferias que torna qualquer ideia de solidariedade europeia numa absurda ingenuidade.
É bom convencermo-nos de uma vez por todas que não dependemos da boa vontade dos outros. Os países em crise dependem apenas da sua coragem. Coragem suficiente para confrontar, enquanto o podem fazer, os países economicamente mais robustos com o beco sem saída em que a Europa se está a enfiar. E usarem as duas únicas armas que têm: serem devedores e fazerem parte de um euro que, ao mínimo sopro ou ameaça de deserção, se pode desmoronar. Não se trata de chantagem. Trata-se de um direito: o de não ser obrigado a viver com regras que os vão asfixiar e que apenas favorecem as economias mais fortes. 
Se os portugueses, os gregos, os espanhóis e os irlandeses não querem correr o risco de provocar rupturas europeias de que urgentemente precisam quando tudo lhes corre mal, como podem esperar que os alemães o façam quando se vão safando? Se até grande parte dos portugueses acredita que viveu acima das suas possibilidades, como hão de os alemães acreditar que o problema é outro, mais grave e que envolve toda a Europa e a sua moeda disfuncional?
Não vale a pena esperar que Hollande exista. Esperar que os italianos se afundem e obriguem a Europa a acordar. Não vale a pena, como todos sabemos, esperar que Durão Barroso nos explique porque era a sua ida para a Comissão Europeia tão importante para Portugal. Não vale a pena esperar que os mercados nos achem credíveis porque somos disciplinados. Não vale a pena esperar por um prémio de bom comportamento, quando esta crise não é um castigo por mau comportamento.
Não vale a pena esperar. Se a única posição que podemos realmente influenciar (a do nosso governo) continuar a ser obediente e temerosa, morreremos em silêncio. Se continuarmos a deixar que o governo venda Portugal fora de portas como um exemplo de sucesso das políticas de ajustamento, como podemos esperar que os outros percebam que por aqui se está a destruir um País? Não será seguramente o eleitor alemão, legitimamente preocupado com os seus salários, no seu emprego e na sua economia, a pensar numa crise distante que ele nem percebe bem até que ponto é dramática. Uma crise que lhe dizem que está a ser resolvida com o seu dinheiro. Se até nós, que somos as principais vítimas desta crise, acreditamos que andamos a viver com o dinheiro dos outros, como podemos esperar que os alemães percebam o que se passa aqui? Se nós, que estamos como estamos, elegemos Passos Coelho, porque raio havia o eleitor alemão, que está bem melhor, de não eleger Merkel?

Ecos da blogosfera - 23 set.

Desabafo

Vi agora na televisão que o Paulo Futre acaba de dobrar um filme para crianças. É extraordinário, num país onde os actores profissionais precisam de contratos e de trabalho, qualquer pessoa que se notabilize em qualquer área pode substitui-los num trabalho que eles sabem fazer, estudaram e treinaram-se para isso e é a sua área profissional.
A Lili Caneças já fez Tenessee Williams. Não sei quantas actrizes nesses meses estavam desempregadas, ou a fazer papelinhos na TV para sobreviverem. Os ex-políticos ocupam cargos da área da Cultura, nas Fundações, etc, etc. Será que não há pessoas de Cultura para esses cargos?
Por que é que um Reitor quando se reforma vai para casa e um banqueiro vai para administrador da Gulbenkian?
Os criadores, os actores são uma espécie de ursos que vão para o circo, presos por uma corda e quem ganha o dinheiro é o dono do circo, o dono do urso e o dono da corda. E se algum deles souber dar cambalhotas manda-o abater. Não será altura de dizermos que assim não vale.
Eu estou farta.
Não quero que nos dêem emprego, quero que não nos tirem os nossos.
Maria do Céu Guerra

Uma receita que ontem valia, mas hoje funcionará?

O analista, Wolfgang Münchau, diz que a Alemanha está a fazer tudo mal. E lembra que Merkel é uma gestora e não uma mulher de ideias políticas.
Isabel Tavares
"Pai, posso ir à casa de banho?", pergunta um miúdo alemão. "Só depois das eleições", responde-lhe o pai. A anedota circula na internet e serve para Wolfgang Münchau, colunista do "Financial Times" e fundador da Eurointelligence, ilustrar a dependência dos alemães das eleições legislativas que se realizaram ontem amanhã. A verdade é que a expectativa não deixa apenas a Alemanha em suspenso, mas toda a Europa. Mesmo Münchau, que acredita que os outros países atribuem demasiada importância às decisões da Alemanha e dão a Merkel um protagonismo que esta não tem, admite que há medidas que devem esperar pelos resultados eleitorais. É o caso de Portugal, que deve agir imediatamente e decidir se fica ou sai do euro, uma questão prática e não de princípio, caso o governo queira ter algum poder negocial. Que tem.
Que europeu é Wolfgang Münchau?
Nunca pensei nisso... Para mim, ser europeu e ter uma nacionalidade não é conflituoso, nunca assumi o facto de ser europeu como um substituto de uma nacionalidade, como a perda de identidade enquanto cidadão de um país. Não é como os americanos e os Estados Unidos da América.
Como é, então?
Sempre vi a Europa como algo diferente dos Estados Unidos da América. Não cabe na definição de federação, de Estado-nação, de confederação ou, tão-pouco, de uma união no sentido clássico, de um clube de trocas ou de uma união de clientes. Tem a sua construção e estrutura própria e talvez seja o modelo do futuro, talvez tenha seguidores no século XXII, mas é um projecto bastante sui generis.
Há uma corrente que defende mais federalismo para a União Europeia...
O normal, na maioria dos países, é o Estado ter um peso de entre 30% e 60% na riqueza produzida - na Europa, um pouco mais; nos Estados Unidos da América, um pouco menos. A União Europeia nunca chegará lá. O tipo de Europa que eu imagino gastará muito menos do que isso, o que também mostra que a União Europeia não é nada como os Estados Unidos, é muitíssimo menor. Claro que, se olharmos para a zona euro, por exemplo, ela requer um certo grau de estruturas federativas no campo económico. Penso que qualquer coisa como 5% é mais do que suficiente para garantir o seu funcionamento, a sua estabilidade e a gestão de choques económicos que possam ocorrer de tempos a tempos - criando sistemas que nos permitem lidar com os problemas de dívida de uma forma muito mais eficaz do que aquilo que estamos a fazer neste momento. É por isso que defendo um pequeno centro de decisão, forte mas não alargado. Portanto, não sou um pró-europeu que acha que nos estão a transformar num Estado único, porque não acho.
A dívida é o nosso maior problema ou existem outras questões mais difíceis de resolver e que estão a dificultar o encontrar uma solução para este problema em concreto?
Penso que os problemas estão interligados. A crise da dívida é o problema imediato, a razão pela qual a economia não está a crescer e, como a economia não cresce, há demasiada gente desempregada. Se queremos resolver o problema do desemprego, temos de ir à sua raiz, a crise da dívida. Por isso, é para esta que tem de se encontrar uma solução. É a crise da dívida que está a impedir que a economia cresça a jusante da cadeia.
Começa a ser cada vez mais difícil a Portugal pagar a sua dívida. Um 2.º resgate é a solução?
Mesmo um 2.º resgate não iria ajudar. Um resgate não é mais do que um crédito, não reduz a dívida, a única coisa que faz é adiar o problema. Pode aliviar no curto prazo, mas não resolve nada numa perspectiva de longo prazo.
Porque é que Portugal não está a conseguir recuperar? O que falhou?
Todos os programas se basearam em hipóteses demasiado optimistas. No caso de Portugal, ninguém estimou previamente o impacte do Tribunal Constitucional, por exemplo. Mas o ponto principal nem é tanto a dificuldade em atingir um certo nível de austeridade, mas a dificuldade em regressar ao nível de crescimento necessário para a dívida ser sustentável.
O que é que pode ajudar Portugal?

Contramaré… 23 set.

John Kerry argumentou ser possível a destruição das armas químicas da Síria por via pacífica, mas disse que, para isso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas teria de “estar preparado para actuar” em vez de regressar à questão sobre a autoria dos ataques. “O tempo é curto. Não o vamos gastar a debater o que já sabemos”, apelou Kerry. O secretário de Estado dos EUA fez este apelo um dia após a Rússia ter classificado como “incompleto” e “politizado” o relatório dos inspectores da ONU e ter defendido que o Conselho de Segurança (onde tem um membro permanente com direito a veto) deve analisar mais provas e testemunhos.

domingo, 22 de setembro de 2013

Ouçam o que digo, não olhem o que não faço (pago)…

O presidente da EDP acredita que o Tribunal Constitucional pode forçar um 2.º resgate a Portugal e defende que os juízes do palácio de Ratton deveriam ter tido em consideração a actual conjuntura quando chumbaram algumas das medidas do Governo.
E avisa, por isso, que, da próxima vez que os juízes forem chamados a pronunciar-se sobre leis de grande impacto nas contas públicas, devem ter em conta o contexto que o país vive. “Portugal irá conseguir acesso aos mercados. Mas, para isso, é decisivo que não se passem algumas decisões, como houve, do Tribunal Constitucional. Acho que foram decisões complicadas que, no fundo, não têm em consideração o contexto”, insistiu, sublinhando que os direitos devem ser olhados “em função da capacidade da economia se financiar”.
A Comissão Europeia abriu um inquérito aprofundado a concessões sobre recursos hídricos à EDP para a produção de eletricidade, para determinar se o preço pago em 2007 pelo operador português respeitou as regras comunitárias de auxílios estatais.
O executivo de Bruxelas aponta que, com base nas informações disponíveis nesta fase, "tem dúvidas de que a EDP tenha pago um preço adequado pelas concessões", e tal poderá ter dado à EDP uma vantagem seletiva que os seus concorrentes não tiveram, configurando, assim, um auxílio estatal na aceção das normas da União Europeia.
A China Three Gorges prometeu ao Governo, quando negociava a compra da EDP, um pacote de estímulos à economia nacional que incluía a criação de uma fábrica de turbinas eólicas. A privatização avançou, em novembro de 2011, com o gigante chinês como vencedor do concurso. Agora, a empresa prepara-se para não cumprir a promessa.
O presidente da China Three Gorges (CTG) diz que "a possibilidade" de a sua subsidiária Goldwind construir uma fábrica de turbinas eólicas em Portugal "não está fechada", mas nega que tenha assumido esse compromisso. "No acordo [com o Governo português] dissemos que iríamos fazer 'os melhores esforços'. Não houve um compromisso", afirmou Cao Guangjing.
O ministro responsável pela Energia, Jorge Moreira da Silva, vai chamar ainda este mês os responsáveis da China Three Gorges, accionista maioritário da EDP, para pedir informações sobre investimentos, como a instalação de uma fábrica de eólicas em Portugal.
"O ministro solicitou à China Three Gorges um ponto da situação sobre esses investimentos a apresentar numa reunião a realizar ainda em Setembro", disse fonte oficial do gabinete do ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, Jorge Moreira da Silva, isto porque, acrescentou, "por ocasião da privatização da EDP, foram criadas expectativas de investimento, nomeadamente, na instalação de uma unidade industrial de aerogeradores [fábrica de turbinas eólicas]" em Portugal.
A agência de notação financeira Standard & Poor`s colocou a nota (`rating`) da EDP e da EDP Finance sob vigilância para revisão negativa, mantendo em ‘BB+’ a de longo prazo e em ‘B’ a de curto prazo.
Quando lemos ou ouvimos algo do Papa Francisco ou do Dalai Lama ou de outro alguém que tem a obrigação de pensar bem e no bem, mesmo não sendo seu seguidor, acreditamos subconscientemente na sinceridade das suas mensagens e sabemos que aportam valores… Acho que acontece com todos.
Quando lemos ou ouvimos “aquelas” citações famosas de gente famosa (ou mesmo de anónimos), fazemos imediatamente um esforço para as entender, e entendendo-as, tentamos interioriza-las e partilhá-las, mesmo que esqueçamos o nome do autor… Acho que acontece com todos.
Quando lemos ou ouvimos ideias de intelectuais ou opinadores, seja sobre o que for, somos logo levados a peneirar as palavras, a separar o farelo e verificar se a farinha é boa e muita… Acho que acontece com todos.
Quando lemos ou ouvimos afirmações de políticos, governantes ou opositores, não deixamos de as analisar à lupa da nossa ideologia, empatia ou valores, sem deixar de introduzir uma pontinha de desconfiança sobre os interesses partidários e ficamos sempre naquela de que estão a “tirar a brasa da nossa sardinha”… Acho que acontece com todos.
Quando lemos ou ouvimos bocas de outro tipo de gente e os conhecemos de outras danças… ‘pera aí!
Não é este senhor Mexia, que deve ser o administrador mais bem pago do reino, e que apenas terá contribuído com metade de um subsídio de Natal (só do subsídio…) para desenrascar as dívidas daquele bando dos bancos, que estamos a pagar todos, mas mais os funcionários públicos e os reformados?
Não é este senhor administrador, que até já foi ministro (do Santana das trapalhadas) e não deu por nada sobre a Dívida ou os Direitos Constitucionais ou deu e já pensava no rico futuro com que o destino o presentearia?
Não é este senhor o administrador da empresa privada e privatizada (quase monopolista), que (ainda) recebe dos contribuintes as rendas excessivas e 10% da nossa fatura da eletricidade para investir nas energias renováveis, que correspondem a lucros, os garantem e os ampliam?
Não é este senhor o administrador da empresa privada de quem a Comissão Europeia tem dúvidas de que tenha havido auxílio indevido do Estado?
Não é este senhor o administrador da empresa privatizada, que não cumpriu o estipulado no contrato e que vem dizer que “era se lhes apetecesse”, a ponto de o ministro do (bom) Ambiente os “chamar à pedra”?
Não é este senhor o administrador da empresa cujo rating é ameaçado por reflexo do “sucesso” do país?
E no fim, ou melhor, entretanto e entre tanto, vem este senhor aplicar um “choque elétrico” ao Tribunal Constitucional para tentar condicionar os juízes nas decisões que terão que tomar e que terão reflexo na vida dos cidadãos com menos dinheiro, mas com direitos?
E vem este senhor administrador com a rica argumentação, que ofende quem lê, de que “os direitos devem ser olhados em função da capacidade de a economia se financiar”
Mesmo não se entendendo o que este senhor administrador diz, ficamos todos com aquela interjeição na boca: “O que tu queres sei eu!”.
Mais valia que fosse o senhor Cao a dizer o que o senhor administrador disse e não se Mexia com o senhor administrador, porque seríamos levados a pensar que tinha sido erro de tradução…
Onde chegou o valor dos Valores na “Bolsa” da sem-vergonhice! …e a lata dos media, que conspurcam a (in)formação com o eco de tais atoardas, de quem não tem autoridade Moral nem um pingo de Ética política, muito menos preocupações com os Direitos Políticos e Sociais!
Acho que (ainda) não acontece com todos nós.

Ecos da blogosfera - 22 set.

Aproveitar a bonança (para pescar) antes da borrasca…

O país vai às urnas com eleitores iludidos sobre o próprio bem-estar, uma chanceler que adia reformas e com a União Europeia paralisada. Assim, o resultado da eleição é previsível, comenta analista.
Volker Wagener
Há alguns dias atrás, no metro, estava eu a reclamar com um colega de trabalho: "Que campanha chocha. Sem conteúdo, sem controvérsia". Visões, nem pensar, foi a minha conclusão.
O meu interlocutor olhava-me em silêncio. Ele é russo e conhece bem a situação tanto na Alemanha como na Rússia. Eu só conheço a alemã. "Você precisa ver a Alemanha de fora, para dar valor", disse. E aí, não parou mais.
A Alemanha é a única grande nação que passa incólume pelas crises: primeiro a falência do banco Lehman Brothers, em 2008, e agora, já há um bom tempo, as bancarrotas estatais na União Europeia. A conjuntura no país funciona, o nível de emprego bate recordes, as caixas da previdência estão cheias até a boca. Nem sombra de inflação, prosseguiu o colega.
"De que é que os alemães reclamam, então?" A Alemanha é um modelo de estabilidade, prosperidade e organização. 1 em cada 3 russos elegeria Angela Merkel, reforça ele.
Estou confuso. Nós, alemães, vamos tão bem, e eu não estou a saber de nada?
Europa mais alemã
É verdade: nós vamos bem. Tão bem que adiamos reformas e aproveitamos os frutos da política do ex-chanceler federal Gerhard Schröder. No seu programa “Agenda 2010”, o social-democrata cortou benefícios sociais, e Merkel lucra com isso, por ironia da história. As suas próprias propostas de reforma, a chefe de governo adiou para o futuro.
Sem dúvida, o segundo mandato da democrata-cristã foi, acima de tudo, marcado por imprevistos. Tanto o desastre atómico de Fukushima como a crise de endividamento no Sul da Europa estavam fora dos planos. Em ambos os casos, Merkel agiu.
A fusão do reator no Japão proporcionou à Alemanha a sua reforma energética. A física de formação e defensora convicta da tecnologia atómica despediu-se, praticamente da noite para o dia, da energia radioativa. Uma atitude notável, mas longe de ser característica do seu 2.º mandato.
A posteridade vai marcá-la, acima de tudo, como a gestora das crises do euro e do endividamento. A política de resgate da moeda europeia praticamente monopolizou a agenda da coligação de governo formada por democratas-cristãos e liberais.
Com esse tema, a chanceler granjeou respeito, mas não só: poucas vezes antes choveu tanta crítica, tão duramente e por tanto tempo, contra Angela Merkel e o rígido curso de contenção que impôs a gregos, espanhóis e todos os demais Estados à beira da falência.
Não há dúvida: a União Europeia tornou-se mais alemã na crise, tendo Merkel como presidente inoficial da "UE Companhia Limitada". Prova maior disso é o atual marasmo em Bruxelas: há semanas os temas importantes estão congelados, com todos à espera de a Alemanha, finalmente, eleger o seu governo, para que as coisas possam avançar.
A questão é só: avançar com quem?
A crise é dos outros. Ou não?
A campanha eleitoral enfadonha e basicamente desprovida de conteúdo explicita um facto acima de tudo: os alemães estão bastante satisfeitos consigo mesmos, com a sua situação económica. Enquanto no Sul da Europa as sirenes de alarme gritam, o alemão dorme tranquilo e profundamente – e em plena crise.
Auto complacentes, registamos a admiração que parte dos outros países. Sim, achamos certo que italianos e espanhóis, gregos e irlandeses tenham que economizar de forma brutal antes de receberem verbas da caixa comum da UE.
Parece paradoxal o facto de que a contenção e as reformas ditadas por Merkel aos países endividados tenha transformado a Alemanha em global player à revelia – pelo menos no que se refere à política europeia e de finanças. Ao mesmo tempo, a política externa pauta-se pela abstinência: indagado se pretende assumir responsabilidade no conflito da Síria, a resposta de Berlim continua a ser: "Não, obrigado!".
A Alemanha antes das eleições: só o evento em si é realmente empolgante. A campanha eleitoral foi desprovida de temas e durante muito tempo marcada pela dominância da chanceler federal. Agora, na reta final, a corrida fica mais acirrada.
Se Angela Merkel mantém a dianteira, é devido à sua política relativa ao euro. Como timoneira atravessando as ondas da crise, provou ser dura e consequente, e isso cai bem mesmo entre os eleitores de outras orientações políticas.
Nenhum de nós sabe o preço dessa política e, no momento, isso não interessa. Merkel não quer falar sobre os custos do resgate do euro: de alguma maneira, estamos a aproveitar a calmaria antes da tempestade.
Seja como for, Merkel não precisa de visões para o futuro. Nesse ponto, Helmut Schmidt, o chanceler social-democrata que antecedeu o democrata-cristão Helmut Kohl, concordaria plenamente. O seu credo era: "Quem tem visões deve ir ao médico".

Contramaré… 22 set.

"Depois daquele resgate, a nossa economia bateu no fundo, (...) já saímos do fundo, estamos a começar a subir a escada", salientou Paulo Portas, acrescentando que "a questão está agora em saber com que velocidade é que" Portugal "vai voltar a crescer e ser uma economia geradora de riqueza e de emprego" e avisou os eleitores para terem "cuidado com aqueles que pensam que se pode ganhar eleições prometendo o que pura e simplesmente não vão cumprir".