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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Contramaré… 18 set.

Dados da Associação Europeia dos Fabricantes de Automóveis mostram que, em Agosto, foram vendidos 6.152 carros em Portugal, o que significou um aumento de 13% face às 5.442 unidades vendidas no mês precedente, apenas superado pela Irlanda, que registou um acréscimo de 19,6%.
A UE registou um decréscimo de 5,2% entre Janeiro e Agosto, para um total de 7.800.000 de carros vendidos. As quedas tiveram maior impacto na Honda, Suzuki, Volkswagen, Peugeot e Citroen.
Marcas de luxo como a BMW ou a Mercedes, assistiram a subidas de 9,5% e 8,9%, respectivamente e a Jaguar, subiu 59%.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

"Faltar à verdade" é condição “sine qua non” para…

Ontem, Almerindo Marques afirmou na Comissão de Inquérito que a técnica responsável pelo parecer positivo do Instituto de Gestão e do Crédito Público a um swap das Estradas de Portugal foi precisamente Maria Luís Albuquerque, a actual ministra das Finanças que mais tarde defenderia o seu cancelamento.
O passado da ministra das Finanças em matéria de swaps tornou-se grotesco.
Ana Sá Lopes
A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, é um dos principais rostos de Portugal perante “os nossos credores” ou “aqueles senhores” (quer optemos por qualificar a troika na versão Passos ou na versão Portas). Maria Luís Albuquerque tem como responsabilidade perante as instâncias Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI mostrar a “credibilidade do país”. Infelizmente, Maria Luís Albuquerque não tem qualquer credibilidade a mostrar.
Se já se tinha percebido que o monstro das swaps tinha atingido a ministra profundamente, um novo dado ontem revelado na Comissão de Inquérito do parlamento veio demonstrar como a relação de Maria Luís Albuquerque com a verdade é uma coisa impossível no que a esta matéria diz respeito.
Os políticos, a começar nos políticos da oposição, fogem à utilização do verbo “mentir” e preferem usar uma expressão mais caridosa que é “faltar à verdade”. Mentir é uma coisa desonesta, “faltar à verdade” pode ser uma falha conjuntural – de memória ou de omissão. Os políticos odeiam acusar-se uns aos outros de terem sido efectivamente desonestos (embora disponham de imunidade parlamentar exactamente para denunciar com todas as letras aquilo que pensam configurar uma desonestidade). Até aqui, Maria Luís Albuquerque conseguiu manter-se inabalável no seu posto, apesar de ter sido provado que “faltou à verdade”.
Ontem, Almerindo Marques afirmou na Comissão de Inquérito que a técnica responsável pelo parecer positivo do Instituto de Gestão e do Crédito Público (IGCP) a um swap das Estradas de Portugal foi precisamente Maria Luís Albuquerque, a actual ministra das Finanças que mais tarde defenderia o seu cancelamento.
Acontece que tempos antes, na mesma comissão, quando ainda não tinha sido promovida a ministra, a então secretária de Estado do Tesouro Maria Luís Albuquerque afirmou que enquanto trabalhou no IGCP não foi responsável por nenhum swap. “Gostaria apenas de esclarecer que no IGCP as minhas funções nunca passaram por esta matéria, mas pelas emissões de dívida. Portanto, enquanto estive no IGCP nunca tive qualquer contacto com swaps, nem do IGCP nem de natureza nenhuma”.
As “discrepâncias” que fizeram cair o secretário de Estado Joaquim Pais Jorge não são nada comparadas com esta discrepância muito maior: uma ministra das Finanças cujo passado profissional em matéria de swaps nunca foi claro e agora se tornou grotesco.
Se Maria Luís Albuquerque tiver que se demitir por causa do novo escândalo swap nas Estradas de Portugal, ontem denunciado por Almerindo Marques, o governo aguenta  a sua queda?
Pode não aguentar.
Paulo Gaião
O investimento de Passos em manter a ministra foi muito forte.
Foi ainda mais forte para manter Paulo Portas, envolvendo-o numa luta de vida ou de morte para quebrar o seu compromisso de "demissão irrevogável". Tudo por causa de Maria Luís.
Tanto esforço em vão, tem que ter consequências.
Portas pode aproveitar a nova crise para rebobinar o filme.
A intuição do hoje vice-primeiro-ministro estava certa.
Maria Luís não só tratou de swaps como lhes deu luz verde nas Estradas de Portugal, segundo Almerindo.   
De que valeu Portas hipotecar a sua coerência em defesa do interesse nacional?
Entretanto, o PSD sobe nas sondagens.
E  o CDS desce.
Certamente por estar transformado num partido muleta do PSD, que não consegue impor as suas medidas expansionistas  a Passos Coelho, Maria Luís e Poiares Maduro.
Mas Portas, como se sabe, tem mais que 7 vidas.
Tem sempre um plano B montado.
Não é por acaso que não ataca os juízes do Tribunal Constitucional.
Não é por acaso que tem um pacto de não-agressão com  o PS de Seguro.
Certamente para aplicar em caso de eleições legislativas antecipadas... coligando-se com Seguro.

Ecos da blogosfera - 17 set.

Dívidas na UE geraram dúvidas na democracia liberal...

Tornados arautos do liberalismo em matéria de política e economia, após a queda do comunismo, os países da Europa Central voltam agora as costas à ideologia que acompanhou a chegada à democracia.
A crise está ou não a acabar? A evolução das economias da Europa Central deve inspirar-nos otimismo ou cautela? Nem os economistas nem os dirigentes políticos, muito menos os empresários, souberam responder claramente a essas questões no mais recente Fórum Económico anual, realizado de 3 a 5 de setembro de 2013 em Krynica, no sul da Polónia.
Mas a novidade, aquilo que provavelmente nunca foi tão evidente, é o grau de submissão crescente das economias da Europa Central às decisões, humor e tomadas de posição dos dirigentes políticos. Depois de mais de 20 de construção de um mercado livre e capitalista, esperava-se que o mundo económico desse mostras de independência da esfera política e dos seus dirigentes.
Os paradoxos polacos
Do ponto de vista da relação entre política e economia, a Polónia é um caso bastante paradoxal. As duras reformas do início dos anos de 1990 permitiram criar um ambiente de mercado mais competitivo do que o que foi instaurado na República Checa pelo “socialismo bancário” do [ex-ministro do Tesouro e ex-Presidente Vaclav] Klaus. Mas isso não impede que o Estado polaco ainda mantenha uma forte influência em centenas de empresas. Embora muitas estejam listadas na Bolsa de Varsóvia, o Governo continua a ser o acionista maioritário. Isso gera combinações interessantes, em que se misturam poder e fluxos de dinheiro, uma realidade com que os checos não estão muito familiarizados, a não ser na empresa de energia ČEZ.
Na Polónia, existem dezenas de empresas como a ČEZ. Através delas, o Governo influi na economia. Mantém um elevado nível de emprego (nas minas e fábricas de armamento) e alimenta o seu orçamento taxando-as de acordo com as necessidades.
O recuo do liberalismo
Destino semelhante ao liberalismo político, que nos últimos anos tem vindo a recuar na Europa Central, espera o seu alter ego económico. Em Krynice, os empresários asseguraram-se de que eram realmente eles a orientar o desenvolvimento económico. Mas o papel crescente da regulamentação e as intervenções cada vez mais significativas e repetidas do Estado tornam-se muito mais sensíveis do que há uma década. A imprevisível política económica do Governo de Viktor Orbán, na Hungria, com o aumento de impostos e a transferência de muitos ónus para as empresas, foi acompanhada pela aquisição de algumas grandes empresas pelo Estado. O plano de privatizações originalmente desenvolvido pelo [primeiro-ministro polaco, Donald] Tusk foi suspenso. As novas regras postas em prática na Eslováquia pararam praticamente a criação de empregos no setor privado, desde o início do ano.
Ouve-se dizer com frequência, nos debates checos, que os eleitores foram “roubados” pelo Estado. Na Polónia, Eslováquia e Hungria, pelo contrário, o Estado e a sua influência têm-se reforçado. E são os políticos para quem um Estado forte é uma premissa importante na prossecução dos seus objetivos e concretização dos seus sonhos que têm mais poder e influência. O Presidente da República Checa, Milos Zeman, está a tentar fazer o mesmo no seu país. Mas, felizmente, não tem a energia de Viktor Orbán. Felizmente, os checos não mantêm a mesma relação epidérmica com a história que os polacos, sobre a qual construir um programa negativo semelhante ao previsto pelo [conservador] Jaroslaw Kaczynski, na Polónia. Também felizmente, não existe na República Checa uma base partidária e empresarial tão significativa como na Eslováquia, onde o partido Smer do [ex-primeiro-ministro] Robert Fico é, de facto, uma empresa gerida por vários grupos de interesses.
A crise afetou seriamente a democracia liberal europeia, com os dirigentes políticos a revelar-se incapazes de dar respostas adequadas. Quanto aos não liberais, conseguem ocupar grande parte do espaço abandonado pelos liberais. Como se os eleitores, fartos de politiquice e corrupção, quisessem esquecer estes 23 anos de experiência liberal e desejassem regressar a um Estado forte, que assegure praticamente todos os aspetos das suas vidas. Parece que, a longo prazo, a democracia liberal acaba por ser a maior vítima da crise, na Europa Central. A questão está em saber se a economia liberalizada não espera o mesmo destino.

Contramaré… 17 set.

O Estado vai financiar 1% do salário dos trabalhadores que forem contratados a partir do próximo mês pelo setor privado. É um incentivo ao emprego, que pretende atenuar também o esforço das empresas no pagamento dos novos fundos de indemnizações.
O dinheiro vai ser pago pelo orçamento do IEFP. O apoio aplica-se aos contratos com termo e sem termo. De fora ficam os contratos de muito curta duração e os serviços do Estado.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Não há guita para Funcionários Públicos e Reformas?

Os juros da dívida soberana de Portugal estão hoje a subir em todos os prazos, no dia em que arrancam a 8ª e a 9ª avaliação da troika a Portugal.
A troika chega, esta segunda-feira, para iniciar as 8.ª e 9.ª avaliações ao ajustamento. Na agenda estão novas medidas que agravam os cortes na despesa pública e que têm de produzir impacto no Orçamento para 2014.
A subida da idade de reforma (sem penalização) para 66 anos para todos os trabalhadores, público e privado; a revisão das tabelas salariais da Função Pública, acabando com certos suplementos remuneratórios; e um plano B caso o Tribunal Constitucional (TC) venha a chumbar mais diplomas, como o aumento do horário de trabalho no público (para 40 horas) ou o regime de convergência das pensões da Caixa Geral de Aposentações. É este o pesado caderno de encargos para a missão que começa, esta segunda-feira.
Total do crédito oferecido a Portugal no âmbito do resgate financeiro é de €78.000 milhões, mas só em juros vamos pagar quase metade.
Cortes nos salários da função pública (13,3%) estão a trazer poupança de 1.800 milhões, mas 500 milhões servem para pagar o aumento dos juros. Olhando para o sector privado, constata-se uma queda de 4% nas remunerações pagas.
O vice-presidente dos democratas-cristãos no Parlamento alemão (CDU/CSU), de Angela Merkel, defende a manutenção da austeridade na UE, mas aliada a uma "política de crescimento sensata", como solução para sair da crise, apontando Portugal como exemplo.
Pronto! Já sabemos que “isto” dos juros da dívida não tem nada a ver com nada, a não ser com alguma pressão, que tem resultado, para nos irmos habituando e aceitando a condenação à morte lenta… Se assim não fosse, 2 anos depois de se ter ultrapassado a “linha vermelha” dos 7% e depois de todo o “sucesso” conseguido com as receitas que nos aviaram, estaríamos muito abaixo, mas “inexplicavelmente” a taxa está mais alta e nós mais em baixo…
Provavelmente há justificações “científicas”, mas poucos são os iluminados que as entendem!Para além da pressão, no fim fica-nos a impressão de que nos andam a “chular”, apesar de dizerem que os juros da troika até foram em “rebajas” (quase 50% do empréstimo), mas fica-nos também a certeza de que, quando é preciso, HÁ DINHEIRO, porra!
E sempre é verdade de que não há dinheiro para pagar aos Funcionários Públicos e Reformados, porque a guita que lhes vão confiscando vai para o “saco azul” destinado à troika. Já não sabemos se os “troikanos” nos visitam para fazer a avaliação do desempenho ou para recolha das parcelas dos juros, que desta vez até parece ser maior do que a tranche de “ajuda”… E ainda por cima vem dar ideias, pouco inovadoras, para nos sacarem ainda mais, castigando-nos mais ainda, pelos pecados que não cometemos, mas que gente e instituições com (bom) nome cometeram…
Infelizmente, os tais juros baratos, levaram os nossos governantes (de alto gabarito técnico) a rebaixarem os salários dos Funcionários Públicos, sendo que 1/3 dos despojos desta “guerra”, vão direitinhos para o tal “saco azul”, sem grandes resultados, como se vê.
Não deixa de ser estranho, que numa altura que se fala de convergência entre trabalhadores do público e do privado, os primeiros tenham tido um confisco de 13,3% e os segundos apenas 4%. E é isto a CONVERGÊNCIA, para quem não sabia!
E no fim de toda esta imoralidade ideológica, desta desestabilização social e desta ausência de ética política, vem um “CDU/CSU” alemão, correligionário da angélica Merkel, defender a manutenção da austeridade na UE, mas, diz ele, aliada a uma POLÍTICA DE CRESCIMENTO SENSATA, como se está a fazer em Portugal…
Ou o homem nunca cá veio ou está xexé ou ainda goza com os “chulados”…
Ainda bem que isto está a correr bem (para eles)!
Deus que os ajude e a nós que nos desamparem (eles) a loja!

Ecos da blogosfera - 16 set.

Abstinência (de política) com abstenção se paga!

A uma semana das eleições legislativas, o Handelsblatt deplora o facto de a classe política alemã não se interessar o suficiente pelas classes médias:
A campanha é dominada pelo tema da “justiça social”. Fala-se dos problemas dos mais desfavorecidos e do luxo dos ricos. Mas ninguém menciona a classe média, apesar de esta garantir a estabilidade da sociedade alemã desde o final da guerra fria e de ser o motor da 1.ª economia da Europa.
O diário recorda que há 15 anos, os chefes de empresas, os engenheiros e os professores faziam parte do que os sociais-democratas do antigo chanceler Gerhard Schröder chamavam de “novo centro.” No entanto, as reformas da “Agenda 2010” recriaram uma classe média mais pobre e uma classe média mais abastada. “Foi assim que o novo centro se tornou o centro esquecido”, constata o Handesblatt.
Uma luta pelo poder, na qual os concorrentes parecem concordar em tudo e travada sem qualquer sinal de desentendimento pode ser um perigo para a democracia? Ou é sinal de estabilidade política?
As pesquisas de intenção de voto para a eleição alemã de 22 de setembro são desanimadoras para os partidos de oposição. O resultado do pleito parece já estar claro: o partido da chanceler Angela Merkel, União Democrata Cristã (CDU), lidera disparado as sondagens. Ou seja, para que gastar esforços com a campanha?
"Nunca vi tanto político sem vontade como nesta campanha eleitoral, indo para os comícios totalmente sem paixão", critica Jens Thurau, jornalista da Deutsche Welle que acompanha a política alemã há vários anos. Thurau sente falta nesta campanha eleitoral de questões importantes sobre o futuro do país, que interessam a muita gente e exemplifica:
Como poderia o sistema de saúde ser mais justo?
Como lidar com o número cada vez mais alto de idosos e pessoas que necessitam de cuidados especiais no país?
Qual é a posição da Alemanha frente à crise da Síria?
O que acontece na política europeia?
Tudo isto só é mencionado, na melhor das hipóteses, fora da campanha, alega.
Campanha eleitoral morna e sem controvérsias
O cientista político Michael Spreng descreve assim a postura da chanceler federal alemã, Angela Merkel, na campanha eleitoral: "Quem recua desta forma e aparece de maneira tão discreta e pouco vaidosa, não é atacável do ponto de vista pessoal", diz ele. Spreng define assim o grande problema do adversário da chefe de governo nas urnas, o social-democrata Peer Steinbrück: "Merkel passa a impressão de que está tudo ótimo e que só é preciso votar nela. Não exige nenhum esforço, seja de ordem intelectual ou material. Basta continuar tudo como está", completa.
Spreng, que na campanha eleitoral de 2002 trabalhou como assessor do candidato social-cristão a chanceler federal Edmund Stoiber, nem consegue sugerir o que Merkel poderia fazer melhor. Ela não só aparece em público de maneira muito soberana, como também não dá praticamente nenhum espaço para que a concorrência política a ataque em termos de conteúdo. Facto é que ela "roubou" da oposição alguns temas relevantes, como o abandono da energia nuclear ou a exigência de salários mínimos no país.
Temos uma democracia, mas ninguém participa
Mas o que significa, na verdade, quando uma campanha eleitoral é arrastada e os envolvidos não demonstram nenhuma paixão nos debates políticos? Não falta aí um aspeto muito importante da democracia? "Temos um duelo entre uma candidata que não quer fazer campanha eleitoral e um candidato que não pode fazer campanha eleitoral", constata o assessor político Michael Spreng. "E entre estes 2 polos os eleitores teriam que demonstrar paixão? Como seria possível?", questiona Spreng, para quem a situação deverá, contudo, mudar nas próximas eleições.
Thorsten Faas, cientista político da Universidade de Mainz, lembra a baixa participação nas urnas nas eleições de 2009, quando apenas 70% dos eleitores votaram – uma percentagem tão baixa como nunca antes. Na Alemanha, o voto não é obrigatório. "Se ficarmos de novo nessa faixa, não tenho a certeza de que na próxima eleição isso venha a mudar", completa.
Mito do cidadão satisfeito que não vota
Faas não acredita que muita gente não se interesse por política, só porque a Alemanha, se comparada com outros países europeus, vai muito bem. Segundo ele, existe um grupo muito determinado de gente que não vota: desempregados ou pessoas de muito baixo rendimento, que vivem em bairros carentes. "Essa tese de que não votar é sinal de grande satisfação é um mito. E não tem nada a ver com a realidade", conclui o cientista político.
Imagens 1 e 2

Contramaré… 16 set.

O número de desempregados inscritos nos centros de emprego em agosto era de 695.065, o que representa um aumento de 3,2% (21.644) em termos homólogos e de 1% face a julho (6.966), divulgou o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).
Em agosto, os desempregados de longa duração aumentaram 23,6% em relação ao mesmo mês de 2012, enquanto os desempregados inscritos há menos de um ano decresceram 9,6%.
A classe dos professores registou um aumento de 26,4% no número de inscritos nos centros de emprego em agosto (17.862), em termos homólogos.

domingo, 15 de setembro de 2013

“Dia do SNS”, que até o ministério da Saúde esquece…


Por ser hoje o “Dia do Serviço Nacional de Saúde” e ninguém se referir à efeméride (a última que encontrei é de 2011), para que ninguém se esqueça da sua excelência a nível mundial e exijamos, todos, algum retorno do que pagamos, aqui se registam 3 apontamentos, para espevitar os anestesiados…
É um dever de cidadania a vigilância para não deixar extinguir esse enorme bem comum.
Eduardo Oliveira Silva
A par da paz, a saúde é sem dúvida o bem mais precioso do ser humano. Só não o sabe quem porventura tenha uma saúde de ferro extensiva a toda a família. Mas tarde ou cedo, mesmo esses se confrontam com uma realidade inevitável.
Os portugueses têm o privilégio de ter um SNS de que se podem orgulhar e cuja construção foi certamente a maior de todas as conquistas da democracia.
No seu conjunto, seja na rede pública pura, comportando hospitais e centros de saúde, seja através das convenções com entidades privadas complementares que visam legitimamente o lucro, a saúde em Portugal tem uma qualidade de assistência notável, se retirarmos por vezes as condições de instalação.
No entanto, as coisas estão a mudar. Diariamente vão surgindo informações sobre cortes. Um dia são economias em medicamentos para doentes com doenças crónicas e caras. Noutro é o encerramento ou a concentração de urgências. Noutro ainda é o fecho de maternidades e hospitais. Aqui e ali anunciam-se reformas de centros de saúde e a sua concentração, o que basicamente piora a assistência, mas satisfaz o objectivo de reduzir pessoal.
Ontem noticiou-se que poderia haver cortes até 15% em custos com alguns recursos humanos, mas já ao cair da noite o facto foi negado oficialmente, o que não deixa de ser estranho. Apesar de falar em empolamento, o suposto esclarecimento da administração da saúde nada adiantava quanto ao teor das ordens transmitidas para em concreto se elaborarem os orçamentos, o que revela falta de transparência. Negar uma notícia sem dar dados objectivos não convence ninguém. Seja como for, o facto é que o percurso será de redução na despesa com pessoal, que entretanto vai também ficar sujeito ao eventual aumento de horário para 40 horas semanais, se o Tribunal Constitucional validar a decisão, como se espera. É bom de ver que os factos apontam para medidas orçamentais ainda mais restritivas em todas as áreas do SNS, que assim só pode perder qualidade.
Se é certo que o dinheiro é um bem escasso, se é certo que é preciso gerir com eficácia e economia de escala, não é menos certo que estamos a caminho de uma inversão de paradigma e de uma regressão objectiva, o que mais tarde terá consequências negativas para os cidadãos.
Diariamente, jornais, televisões e simples conversas dão conta de situações em que, por exemplo, um tratamento urgente foi atrasado por limitação de meios.
Até aqui a situação tem, ainda assim, sido gerida com algum equilíbrio e sensatez. No entanto, tem de se admitir que quaisquer cortes suplementares em relação aos que já foram feitos podem produzir menos capacidade de tratar e curar. 2014 ameaça portanto ser um ano de ruptura, como os portugueses que precisarem de cuidados de saúde perceberão individualmente, embora colectivamente isso passe despercebido na exacta medida em que só quem precisa pode avaliar o assunto.
E é exactamente por isso que há um dever de vigilância sobre o sistema, que, independentemente da ideologia, do credo ou da idade, cada cidadão deve exercer para preservar o SNS dentro de padrões de qualidade e humanitários que não deslustrem os que já foram alcançados.
E mais uma achega, no que às convenções diz respeito, um flanco a descoberto, que permite aos tubarões comerem a arraia-miúda, porque a retidão também não é o percurso mais curto para entre interesses antagónicos…
É indispensável não esquecer que o SNS é um importante instrumento ao serviço da economia nacional.
Maria de Belém Roseira
Sabemos, por experiência, que nem sempre uma linha reta é a mais curta distância entre dois pontos. Este princípio é certo no domínio da Física, mas noutros, aqueles que relevam da multidimensionalidade das relações em sociedade, a sua aplicação pode não conduzir aos efeitos pretendidos, alongando distâncias em vez de as encurtar, ou mesmo produzindo consequências adversas.
Vem isto a propósito do novo regime que o Governo pretende para regular o convencionamento de prestação de serviços entre o Serviço Nacional de Saúde e entidades privadas, substituindo o atualmente em vigor. É certo que este é da minha autoria, mas não é por esse facto que considero errada a sua alteração. É que, ao enveredar pelo concurso público para a celebração de convenções em vez do modelo sempre utilizado de contrato de adesão, o Governo pode, numa 1.ª fase, garantir uma prestação de serviços mais barata, mas vai, por certo, pagar um preço mais elevado num futuro muito próximo. A razão é simples: é que será fácil a grandes grupos internacionais, de grande solidez financeira, esmagar os preços e, depois de aniquilados os concorrentes nacionais, com posição dominante, estabelecerem as condições que entenderem.
O SNS tem uma expressão financeira relevante, alimentada pelo esforço contributivo dos portugueses, pelo que é justo pôr esse esforço ao seu serviço, cumprindo regras de transparência de gestão e de garantia de qualidade na prestação. Não é isso o que acontecerá quando os prestadores nacionais, por força das novas regras, forem afastados desta atividade. Daí decorrerá seguramente mais desemprego, improdutividade de investimento e esmagamento de competências nacionais estratégicas, numa época em que isso tem que ser evitado a todo o custo.
Preferiria, de longe, uma outra solução, negociada com os atuais e futuros prestadores, no sentido de estabelecer o tecto máximo de despesa que o SNS poderia assumir com as convenções. Isso serviria muito melhor o interesse de todos e preveniria mais um desastre social e económico de dimensão desconhecida. É indispensável não esquecer a outra face do SNS: a de um importante instrumento ao serviço da economia nacional.
 E mais outra denúncia, vinda dos Enfermeiros…
O turístico Algarve, de águas acolhedoras e soalheiros dias, cujo aumento da ocupação hoteleira a todos agrada, ajuda a esconder os novos cortes anunciados para a área da saúde.
Entre os desastre da descida dos indicadores de saúde, doentes sem apoio domiciliário, urgências no limite da sua capacidade de resposta obrigadas a fechar portas, hospitais que deixam doentes oncológicos subitamente sem resposta; Portugal assume-se agora protagonista do papel de países com menor investimento no Serviço Nacional de Saúde (SNS) entre os países da U.E.
Ainda insatisfeito, o governo quer ir mais longe, enquanto não regredir o nosso SNS ao nível de países como a Etiópia (como alguém muito bem se lembrou de referir) parece não ter fim este ataque a utentes, doentes e profissionais.
Que o objectivo é favorecer prestadores privados já ninguém duvida, por ser evidente a incongruência e incompetência de todas as medidas aplicadas, bem como a promiscuidade dos ministros com grandes empresas privadas. Transferir a prestação de cuidados de saúde e tornar a doença num negócio rentável é um objectivo que os prestadores privados já reclamaram publicamente, talvez sem paciência para manter o silêncio e o falso pudor.
A questão que permanece sem aparente resposta é, por quanto tempo os cidadãos e contribuintes vão permitir esta gestão danosa do que é seu, do que pagam diariamente do seu subtraído bolso? É caso para dizer: Acordai! A nossa saúde está a ser vendida a retalho e a preço de leilão.